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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Lembras-te?

Se calhar já esqueceste, não admira.

Esqueceste quando era eu a única amiga que tinhas quando resolveste mudar para uma terra onde todos te eram estranhos.

Esqueceste o dia do teu aniversário em que eu fiz umas largas dezenas de quilómetros para que não passasses o dia sozinha.

Esqueceste o frigorífico vazio que eu encontrava quando chegava e que juntas íamos ao supermercado para que ele ficasse mais recheado.

Esqueceste que te dei guarida quando regressavas à terra donde partiste.

Esqueceste quando te ajudei em momentos mais dolorosos que eu pensava serem injustiças das quais estavas a ser alvo.

Afinal esquecestes muitas outras coisas que me magoaram e tu ignoraste.

 

Eu lembro-me que tinhas um objectivo: conheceres alguém rico que te desse visibilidade, que te inserisse no jetset e te proporcionasse jantares em restaurantes chiques, que te levasse a lugares onde pudesses pavonear-te e mostrar aquilo que realmente não és nem nunca conseguirás ser, nem que te cubram de ouro.

 

Afinal até da tua profissão tinhas vergonha e dizias fazer outra coisa para que te pudessem chamar doutora. Oferecias o teu cartão a quem te convinha com os teus contactos. 

 

Os teus dois telemóveis não paravam de tocar e fazias uma selecção criteriosa de quem querias ou não atender.

 

O teu ar dengoso, sexy, provocante...encantava enquanto dançavas,  os homens mais vulneráveis, até concordo que era irresistível para qualquer um ficar indiferente às tuas provocações (homem não é de ferro).

 

Reconheço que nem tudo foi mau nestes anos de convivência, contigo fui a boas discotecas e dançava uma dança que era só minha e só para mim, sem intuito de agradar fosse a quem fosse. Divertia-me a olhar para o ar babado dos homens a olharem para ti...que figurinhas tristes!

 

Acabaste por me roubar alguém que eu julgava pertencer-me, muito tempo depois  desculpei-te por isso, porque ambos eram feitos da mesma fibra.

 

Como te reconheço uma força indomável e uma energia arrebatadora, embora mal conduzida, um dia encontraste o que querias, um homem que cumpria todos os teus requisitos, por sinal, um homem bom e honesto que  fez com que finalmente pudesses passear-te na carpete vermelha da futilidade. Quando já não te servia mais também ele se foi.

 

Os telefonemas quase diários para mim acabaram, os convites também.

 

Se tenho pena? De modo algum, gentinha como tu, que usa as pessoas como material descartável, merece o meu mais profundo desprezo com um misto de compaixão, porque sei que nunca mudarás e a tua vida será sempre uma peça de teatro onde nunca conseguirás ser tu própria, porque o teu papel é de actriz e habituaste-te de tal forma aos camarins e às luzes da ribalta, que só os anos, te farão cair do teu pedestal e aí reconhecerás que a juventude não é eterna, nessa altura eu tenho a certeza que não estarei lá para amparar a tua queda, nem tão pouco me sentirei feliz por te ver cair, sentirei, isso sim, uma enorme tristeza por não teres a lucidez suficiente para perceberes que tudo é efémero até a beleza e outras mais jovens e bonitas estarão no teu lugar para te substituir. 

 

Sinceramente espero enganar-me e desejo que sejas muito feliz, mas lembra-te, ninguém consegue construir a sua felicidade em cima da infelicidade dos outros.

 

 

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