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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

ELA

Nasceu numa aldeia.

Filha de pais humildes, teve a sorte de ser rodeada de todo o carinho e atenções.

A madrinha escolhida, vivia no Porto, senhora viúva sem filhos, que logo a encheu de mimos e a cobriu de prendas diferentes e nunca vistas na pequena aldeia.

Tinha os vestidos mais bonitos, bonecas de todos os tamanhos, brinquedos variados entre eles tachinhos , formas,  panelinhas, bolas, jogos...

Um dia lembrou-se de fazer o seu primeiro bolo. Farinha ,ovos , açúcar...misturou tudo , como via a mãe fazer e colocou numa forma de plástico; acendeu o forno e esperou.

Em vez do cheiro agradável natural de um bolo que ganha forma, sentiu o odor nauseabundo de plástico derretido, ficou desolada, talvez por isso nunca mais gostou de os fazer.

O tempo foi passando. A menina começou a descobrir coisas novas. Era muito teimosa, sempre que a mãe lhe mandava fazer alguma coisa , imediatamente dizia: "-Não faço...", " _não vou...", mas ainda estava a dizer isto e já estava a fazer.

Sempre aos pulos, a cantar em altos berros, a trautear as canções do momento apesar da mãe e avó lhe pedirem que se calásse um bocadinho.

Nunca foi de fazer perguntas, aninhava-se a um canto, tentando passar despercebida , mas atenta a todas as conversa dos adultos. A pouco e pouco todas as respostas que precisava apareciam.

Foram nascendo os irmãos, três rapazes. As bonecas foram postas de lado e começou a empoleirar-se nas árvores, a brincar com carrinhos de rolamentos. O que mais gostava era de ir ao ribeiro que corria perto e tentar apanhar peixes com um passador de rede. Morria de medo das sanguessugas, pensava que se alguma se colásse às pernas lhe iriam sugar o sangue, mesmo assim nunca desistiu de passar belas tardes com os manos, a brincar com a água donde saiam todos encharcados.

Cedo percebeu que aquele mundo era demasiado pequeno. Tinha a percepção que lá longe havia outras formas de pensar e de viver.

A vontade de saber mais e mais era muito forte. Apesar do amor que todos lhe dedicavam, soube sempre que mesmo longe teria ali o seu porto de abrigo, onde sempre se poderia  refugiar .

Um mundo novo estava à sua espera!

...E um dia partiu!....

 

 

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