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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Um mapa, um destino, uma vida...

 

O primeiro choro ouviu-se ás sete horas e trinta minutos de um dia quente de Agosto. Era uma menina, a primeira da família.

O Sol apareceu no horizonte e aqueceu os corações de todos os que a envolviam com carinho e atenções.

Á medida que ia crescendo foi conhecendo o seu pequeno mundo, longe de saber ainda, que para lá das colinas, do ribeiro, dos pequenos caminhos  da aldeia , haviam outros mundos e outras gentes

À noite olhava encantada para o céu e entretinha-se a descobrir estrelas novas.

A Lua passou a exercer nela um fascínio especial , desde que lhe contaram que se olhasse bem para ela podia ver um velho com um feixe de lenha ás costas; quando o descobriu ficava com imensa pena da pobre criatura que o destino quis que eternamente carregasse tamanho peso.

Mais tarde conheceu Vénus, a Ursa Maior , a Menor e muito cedo aprendeu a distinguir as estrelas dos cometas.

E todos os dias, o mesmo Sol que a tinha visto nascer, apagava o brilho das noites estreladas e aquecia as suas faces rosadas.

Se o céu era tão grande, porque seria tão pequenino o mundo onde tinha nascido? Pensou então que talvez pudesse arriscar e tentar ver para além do que a sua vista alcançava. 

Primeiro a medo, mas pouco a pouco mais arrojada , foi viajando   para sítios mais distantes e sempre com  vontade de ir cada vez mais longe. Ficava descansada , quando a noite chegava e via as mesmas estrelas que brilhavam na  sua aldeia  e que o sol todos os dias aparecia.

Tão distraída andava nas suas viagens que um dia se sentiu perdida. Ficou assustada, olhando para todos os lados, apenas tinha a companhia dos pequeninos pontos de luz que incansávelmente reluziam em noites claras.

Vendo-a tão perdida, alguém se ofereceu para ajudar. Estranhamente confiou e numa tarde ensolarada ficou a conhecer um mapa muito estranho e diferente daqueles que estava habituada a ver. Tantas linhas, sinais, desenhos minúsculos, símbolos que para ela não tinham qualquer sentido. Olhar para aquele estranho mapa não lhe aliviou a sensação de desorientação que estava a passar, mas uma conversa calma , num ambiente tranquilo, fez com que finalmente pudesse vislumbrar um pouco de luz.

Com voz meiga e tranquila a pessoa que agora lhe tinha oferecido o pequeno mapa disse:

- Minha filha, todos temos de fazer uma viagem, ela começa quando nascemos e termina quando morremos. Podemos viajar de duas maneiras, uma sem mapa, corremos o risco de nos perdermos  mais facilmente, mas chegamos, outra, com mapa, o que torna o percurso mais fácil. De uma coisa podes estar certa-continuou - com ele ou sem ele, tu tens sempre a posssibilidade de escolher o teu caminho.

Ela ouviu-a atentamente e pediu-lhe para a ensinar a interpretar todos os sinais que apareciam naquele pedaço de papel.

- Vou ensinar-te apenas o que acho importante para que não te percas, o resto terás de ser tu a descobrir.

Colocou de novo o mapa num envelope, entregou-lho e afastou-se.

Mais tarde no silêncio do seu quarto  abriu o envelope e reparou num minúsculo papel, que se apressou a ler.

"Quero que sejas ousada e ambiciosa, que deixes a terra onde nasceste  para que o teu campo de acção seja o universo".

Ficou sem saber o que pensar, aquilo que tinha acabado de ler ainda a deixava mais confusa.

Tudo parecia um enigma, daqueles que aparecem nos livros de aventuras.

Um pouco desolada, olhou de novo, agora com mais atenção e reparou que no meio de tantos sinais, apareciam também o Sol e a Lua, companheiros fiéis da seu caminho.

A partir desse momento soube, que por alguma razão, estrelas e planetas a acompanhavam desde o dia em que nasceu.

 

 

 

 

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