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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

A caminho do castelo

 

Uf... tia, subir até ao castelo não é fácil - dizia Catarina ofegante depois de calcorrear a calçada da R. Direita, fazendo ziguezagues para se desviar dos muitos turistas que passeavam por ali.

- Eu sei..eu sei... mas quando chegares lá cima vais ver que valeu a pena o esforço. Agora imagina o quanto foi difícil para os soldados de D. Afonso Henriques subirem pelas traseiras do castelo  sem serem vistos. - dizia Matilde com ar de mistério para atiçar ainda mais a curiosidade dos sobrinhos.

- Não havia ruas assim, pois não tia?- perguntava Mariana, tentando imaginar como tudo seria  no século XII

- Estamos quase, só falta este lanço de escadas, reparem nas flores, nestas especialmente- apontava a tia para umas plantas de flor lilás e de enormes folhas verdes- são acantos, podem ver-se folhas destas esculpidas em colunas de algumas igrejas e monumentos de grande importância arquitectónica, não só em Óbidos , mas em muitos outros locais do nosso país e no estrangeiro.

- Maravilha!... Lindo!... Que paisagem!- exclamavam os sobrinhos verdadeiramente surpreendidos com o que avistavam dali.

As telhas de canudo cobriam todas as casas, boganvílias de várias cores trepavam pelos  muros brancos que ladeavam as pequenas ruelas, arbustos  coloridos pareciam nascer das pedras da calçada, o casario todo caiado de branco com barras amarelas e azuis na parte inferior davam um ar leve e fresco ao amontoado de casas que  ladeavam as ruas empedradas, as janelas eram enfeitadas com vasos de sardinheiras e pelargónios. Serpenteando a vila, envolvendo-a num abraço, as muralhas ali estavam, sobrevivendo a muitos séculos de história, a algumas batalhas e pior de tudo, ao terramoto de 1755, (sim, porque o terramoto não destrui só a cidade de Lisboa).

Três portas foram recortadas nas mulharas, a Porta da Vila, a porta da Cerca e a porta da Senhora da Graça  hoje sempre abertas , mas em tempos idos eram fechadas quando se pressentia alguma invasão.

Ao longe, imponente e altaneira, a torre do Facho.

A tia ia explicando com os olhos sonhadores, parecendo esquecer os seus pequenos ouvintes. Foi interrompida por uma torrente de perguntas que pareciam não ter fim.

- Por que não há antenas de televisão nos telhados?

- As telhas são todas iguais porquê?

- Quantos metros têm as muralhas?

- Por que se chama torre do Facho?

- Que estranho, já repararam que os jardins não se vêem da rua?- observava o Manel

- Tia, há mais torres no castelo, como se chamam? Vive lá alguém?

- Ai meninos, uma coisa de cada vez - respondia Matilde, fingindo-se atrapalhada, mas feliz por ver que os sobrinhos começavam a gostar tanto quanto ela da vila que trazia sempre no coração, como se fosse a sua terra.

Foi-lhes explicando que as muralhas tinham de perímetro 1565 metros, que a torre do Facho tinha aquele nome, porque em tempos serviu de vigia e dali os soldados enviavam sinais, quando pressentiam a aproximação do inimigo, que a torre mais alta do castelo tinha o nome de D. Dinis e a mais baixa, mas mais larga, se chamava torre D. Leonor, que hoje o castelo era uma pousada e que dentro dessas torres haviam quartos onde os turistas podiam passar férias.

- Quem me dera dormir ali uma noite - suspirava Inês.

- Quem sabe Inês...na torre D. Dinis há um quarto onde os casais costumam passar a lua de mel.

-A sério? Então eu quando casar quero ficar naquela torre, deve ser bem romântico!- disse a Mónica com os olhinhos a brilhar.

- Que tonta, acho que não deve ser muito confortável, e se cais dali abaixo? Eu se me casar vou escolher um sítio bem quentinho com um quarto mesmo em cima da água- dizia o Manel com o ar reguila que o caracterizava.

- Calma meninos, até lá...

- Tia, prometeste que nos contavas como os soldados de D. Afonso Henriques enganaram o alcaide Ismael, estou ansiosa por saber- lembrou a Bárbara.

- Tens razão, vamos começar?

Dito isto tirou do saco quatro bonecos que tinha escondido até ao momento; seguiram-se exclamações e todos ao mesmo tempo queriam pegar-lhes.

-Calma meninos, todos vão poder brincar com eles, mas antes tenho de vos dizer quem são.

Depois da excitação inicial tia Matide começou...

- Há muitos, muitos anos...

 

 

 

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