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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Kridaaaaaaaa???!!!

Margarida esperou que a última nesga de sol desaparecesse no horizonte, um momento que lhe provocava alguma nostalgia, sempre conviveu mal com as despedidas e ausências apesar desta ser bem diferente. Sabia que bastava esperar por um novo amanhecer que ele voltava e pensou quão curiosa é a natureza, que assume compromissos de regresso em troca de nada ; as flores reaparecem todas as Primaveras, as estrelas fazem-se presentes todas as noites, ininterruptamente e em ciclos perfeitos  a terra oferece-nos, em sítios aparentemente sem vida e após um Inverno desconfortável, a alegria e o cheiro de campos inundados de cor.

Embrenhada que estava nos seus pensamentos ,  quase se estava a esquecer de comer, não fosse uma dor fininha no estômago.

Um pouco mais atrás, uma esplanada, música e o burburinho de pessoas , fê-la pensar que ali podia estar o sítio ideal para comer qualquer coisa e terminar o seu dia da melhor forma.

Quando se aproximou, viu com algum desânimo que a esplanada estava cheia, no entanto por detrás havia uma sala enorme completamente vazia. Na porta que dividia estes dois espaços, três funcionários conversavam animados, tudo estava controlado, os clientes todos servidos.

-Por favor, posso jantar? - perguntou.

-Só se esperar, estamos a servir este grupo, talvez daqui a três quartos de hora estejam despachados - disse um deles com ar de satisfação, daqueles que adoram dizer que não.

-Mas a sala está vazia, eu não me importo de comer ali dentro.

-Ai kridaaaaaaa, não pode não, não temos quem a sirva.

Margarida , não queria acreditar...Kridaaaaa?! Ele disse Kridaaa, mas que é isto?!!! Desde quando se tratam as pessoas assim? Detestava que certos termos que deveriam ser utilizados em contextos apropriados, fossem profanados e banalizados daquela forma.

Semicerrou os olhos, fitou-o com algum desdém e antes de virar costas respondeu.

-Espanta-me não haver ninguém para servir, afinal o que está o senhor aqui a fazer? (acentoou bem a palavra senhor).

Margarida nem chegou a ver a reacção dele, mas isso já não tinha importância. Será que tinha sido suficientemente clara para que ele entendesse a incorrecção do tratamento?

No dia a seguir voltou ao bar, felizmente o "Krido" não estava lá.

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