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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

A luta por um filho

 

A C. e o E. um casal amigo a viverem há uns anos na Suiça, descobriram depois de estarem casados há alguns anos que não conseguiam ter filhos.

Depois de falar com eles, permitiram que contasse aqui o longo caminho que percorreram na tentativa de realizaram o seu sonho...TER UM FILHO:

A narrativa foi-me enviada pela C.

" A Natureza dá, a natureza tira."...foi com esta frase que um jovem médico, no início de carreira, me informou, após muitos exames, a razão porque não conseguia engravidar.

Bom, pelo menos ficámos a saber o motivo, o problema era do marido, os espermatozóides não tinham força suficiente para fertilizar o óvulo.

O mundo caiu-me aos pés, não conseguia imaginar-me sem filhos...nesse dia chorei até as lágrimas secarem.

Havia uma esperança, a inseminação artificial.

Começámos, ou melhor o meu marido começou, a tomar uns comprimidos ( cada frasco custava cento e cinquenta euros e durava um mês), durante seis meses. Esta quantia foi insignificante comparada com o que viemos a gastar a seguir. 

Não surtiu efeito e desconhecia-se outra terapia para homens.

Passámos para a fase seguinte...ter relações obedecendo a um calendário, medir a temperatura e era nesse momento que forçosamente tínhamos de tentar.

Com o tempo , ficar grávida passou a ser uma obsessão. Passaram  meses, a frustração era enorme.

Comecei a tomar hormonas para estimular os ovários e fazer inseminação artificial...isso significava que quando o óvulo estava maduro, o esperma era injectado directamente no útero...uma sensação horrível...esperava e rezava para que tudo desse certo.

Depois de tentar seis vezes e de ter de pagar na totalidade todos os tratamentos, já que a infertilidade não é considerada doença, desistimos.

O desespero era visível na minha cara, o meu corpo estava diferente, dez quilos a mais e um enorme cansaço... estava sem forças para iniciar a próxima batalha. 

Este processo  teve início em 96 e durou até Maio de 2000, porque nem todos os ciclos davam para fazer os tratamentos, os horários de trabalho nem sempre coincidiam com as consultas e parar de trabalhar estava fora de questão, já que os custos eram enormes.

Em Maio inscrevi-me num hospital de Zurique e em Novembro iniciei a fertilização In Vitro.

Várias vezes fui tirar sangue e eu própria injectei 20 injecções, para estimular os ovários e se produzissem folículos que permitissem o tratamento, mas o meu corpo  já não reagia e os médicos optaram pelo IJC (injecção directa de um só espermatozóide num óvulo), só se devem fazer quatro tentativas, eu fiz sete.

Fiquei grávida. No dia 24 de Dezembro e ao fim de sete semanas abortei.

Um sonho desfeito na véspera de Natal.

 

(Continua)

 

 

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