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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

A luta por um filho-II

 

Hoje recebi o relato do final da odisseia da C. e do E. sobre a dura luta que travaram para ter uma criança.

Ela diz assim:

"Dezembro de 2002- o meu corpo e a minha alma, precisaram de um ano para se recomporem do choque sofrido com a perda do nosso bebé.

Como já tinha sofrido tanto , comecei a habituar-me á ideia de não poder ter filhos. Eu e o meu marido optámos por ver o lado positivo...tínhamos uma vida sem grandes encargos, uma bela casa, íamos de férias para onde nos apetecia, jantares e festas com amigos, comprar o que nos apetecesse...mas nos momentos em que percebíamos que tínhamos tudo, sentíamos que nos faltava o mais importante: UM FILHO.

Começámos a pensar na adopção.

Uma das vezes em que fui de férias a Portugal, informei-me onde e como poderia fazê-lo.

Fiquei desiludida , quando me disseram, que como era emigrante não me poderia inscrever na lista de espera portuguesa, só na internacional. Disseram-me até para desistir, mas quando regressei á Suiça, pedi o contacto da direcção geral de adopções, iniciei o processo, e passei a ser contactada por uma assistente social suiça, que veio várias vezes a minha casa. Compareci a todas as entrevistas e reuni uma montanha de papéis. Quando acharam que o dossier estava completo, enviaram-no para Portugal.

Pedimos uma criança de zero a três anos, foi-nos dito que isso era impossível, só se tivesse problemas de saúde. Respondi que aceitaria desde que o problema não impedisse que a criança no futuro tivesse de depender de alguém. Reconhecia os meus limites e sabia que não teria condições para adoptar uma criança com deficiência mental profunda.

A primeira proposta chegou. Um menino de quatro anos com síndrome alcoólico profundo. Sabia o que isso implicava, escola especial, acompanhamento médico constante e uma dedicação total da minha parte. Mais uma desilusão, tive de recusar,  ainda hoje penso no que terá sido feito daquela criança.

No dossier enviado para Portugal, ia a autorização para adopção de apenas uma criança, mesmo assim recebi mais duas propostas: a primeira dois irmãos e a segunda três, todos com mais de cinco anos.

Estava a ficar zangada com o mundo, sem perceber porque estava a ter de passar por tudo isto. Sabia que em Portugal existiam instituições que acolhem  crianças e que só as dão para adopção quando chega a idade escolar, porque a partir daí deixam de ter apoio do estado.

Entretanto conheci uma família Suíça que tinham um filho, mas como não podiam ter mais, adoptaram duas meninas etíopes, uma de três meses e outra de seis anos. Contaram-nos a sua experiência e decidimos tentar.

Estávamos em 2006. Contactámos a Prokind (associação Suiça que trata das adopções na Etiópia).

Começámos tudo de novo.

No dia 23 de Agosto de 2008 recebemos a notícia que poderíamos ser pais  de uma menina de três meses, 53cm, 3.900Kg. Mesmo sem a conhecermos dissemos logo que sim. Passados uns dias recebemos a primeira foto...era lindíssima a nossa menina!

A 22 de Novembro apertei-a pela primeira vez contra o meu peito.

Estivemos oito dias na Etiópia, chorei todos os dias. O meu marido dizia:

- Não chores...eu respondia:

- Tantas vezes chorei de tristeza, deixa-me agora chorar de alegria.

Adorámos a Etiópia, as paisagens , a gentes, o acolhimento, os sorrisos.

O regresso correu muito bem; mais tarde queremos voltar para mostrar á nossa filha o país onde nasceu.

Enquanto escrevo ela dorme...de vez em quando olho-a e penso que tudo é um sonho.

Beijos da C+E+M"

 

Muito mais haveria a acrescentar, mas penso que o essencial foi descrito.

Para os muitos casais que estão em situações idênticas, espero que este testemunho de coragem e persistência, possa servir de encorajamento para continuarem a vossa luta. Há tantas crianças que precisam de nós! Não fosse a burocracia, tudo seria mais fácil.

Por ser um país pobre e com muitas crianças que são abandonadas á beira da estrada ou entregues a orfanatos, os processos de adopção são mais rápidos e bem organizados.

 

Durante o Verão pude partilhar momentos lindíssimos com esta família.

Há poucos dias dizia-me a C. ...a minha menina já anda...

Muito obrigada pela vossa disponibilidade e pelo vosso testemunho.

Beijos

Manu

 

 

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