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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Caminhos cruzados

 

imagem retirada da net

 

Sentou-se na esplanada em frente ao mar, pediu um café e por ali ficou imersa em pensamentos.

Não tinha de ir para lado nenhum, ninguém a esperava, o tempo estava por sua conta.

Sabia-lhe bem passear o olhar por quem passava e por quem estava. Era comum nela, como se de passatempo se tratasse, tentar adivinhar os estados de alma das pessoas que por ali andavam.

Nada confirmava se as suas conjecturas silenciosas estavam certas ou erradas, mas também isso não era importante, nada alteraria o rumo natural dos acontecimentos.

Enquanto se perdia em divagações, pensou nas pessoas que se tinham cruzado no seu caminho... todas tão diferentes! Era essa diversidade que fazia com muitas vezes se interrogasse sobre a razão da passagem de algumas  na sua vida. A umas o tempo já tinha dado reposta, outras, apesar de muito tentar, continuava a ser uma incógnita o porquê da partida, da permanência ou da chegada.

Lembrou-se das que partiram e que deixaram saudades, algumas delas não voltariam mais. Aprendeu que nada nesta vida é permanente e guardava-as com carinho no coração, era o único consolo que sentia quando desejava ardentemente que nunca tivessem saído da sua vida.

Lembrou-se daquelas que tinham aparecido como relâmpagos que por breves momentos iluminaram o seu caminho, deixando-a a seguir mergulhada numa escuridão que julgou ser eterna.

Ah...e aquelas que deixaram marcas, que, mesmo sendo  dolorosas,  a transformaram na pessoa forte, tolerante e lutadora que hoje se orgulhava de ser... pelo menos sabia o que não queria, mesmo que voltassem a cruzar-se de novo, limitar-se-ia apenas a sorrir e sabia exactamente onde ficava o próximo desvio. 

Lembrou-se dos caminhos que trouxeram até ela, pessoas que a ensinaram a acreditar, a sorrir, a amar, a lutar, a perseguir os seus sonhos, a nunca desistir...dos que lhe pegaram na mão e que durante algum tempo caminharam lado a lado...chegou a pensar até, e de tão bem que a fizeram sentir, que seguiriam sempre com ela, que não haveriam desvios, que estariam sempre juntos...mas...como se enganou!

 

O homem sentado na cadeira ao lado continuava a ler o jornal, o casal  mais ao fundo, parecia esquecer que se conheciam há anos, os diálogos tinham-se esgotado... o grupo de raparigas, com risos estridentes, falavam do colega que todas desejavam conquistar, mas que ali em grupo não o queriam admitir, disfarçando com palavras  mais ou menos desdenhosas, alguns atributos que exageradamente substimavam.Mesmo ao lado dela um casal de namorados, de mãos entrelaçadas, olhavam-se... não eram necessárias palavras, os olhos eram o espelho da grande paixão que viviam...

Continuou durante muito tempo, sem saber quanto,  a vaguear com o pensamento, a tentar descobrir  porque estava ali, porque se cruzou com aquela gente.

No final do dia todos seguiriam  rumos bem diferentes, uns carregando o peso de uma vida sem sentido, outros sonhando com o amor eterno embriagados numa paixão que desejavam não tivesse fim.

 

Lentamente levantou-se... lançou o último olhar ao sol que no horizonte, embrulhado com algumas nuvens, se preparava para seguir a eterna e bem definida trajectória, de um percurso, esse sim sem desvios...também ele se tinha cruzado com ela naquela tarde.

 

 

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