Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Escrava do Tempo

 

Naquele dia o mundo parou para ela, era como se o tempo que até ali tinha sido pródigo em amargura, desdita e sofrimento, tivesse feito um intervalo e os ponteiros do relógio tivessem parado num instante que ela desejou que terminasse depressa.
Olhou pelos minúsculos buracos rasgados no manto que a cobria e circundou com o olhar a praça onde estava exposta e onde muitos homens sonhavam comprá-la.
Recordou o tempo em que pôde brincar nos campos ensolarados das estepes chinesas. Lembrou o som do rio que deslizava tranquilo e onde tinha chapinado com alegres risadas que se misturavam com o chilrear de aves que sobrevoavam pachorrentas por entre a vegetação.
Mas agora o tempo era outro, não tinha escolhas, estava resignada, o seu coração calejado e dorido já não sabia o que era dor, estava imune a tudo, como se um escudo a protegesse e não deixasse que uma ou outra coisa a emocionasse.
Nos olhos nem uma lágrima.
Atrás dela sua mãe ouvia as ofertas que ia recusando uma a uma, sabia que estava a vender um tesouro, uma jóia que iria dar sorte ao homem que tivesse dinheiro suficiente para a comprar.
Falava-se da sua beleza, dos seus olhos acastanhados, da doçura da sua expressão, do poder que tinha para transformar tudo o que a rodeava.
Indiferente, apática, parada num tempo que passou, ela intimamente pedia para que aqueles instantes fossem irreais, pedia para que tudo terminasse depressa.
E terminou...ele acercou-se dela e fez a melhor oferta.
Continuou sem rumo, sem hora, servindo, obedecendo e cumprindo uma espécie de pena que o destino lhe tinha traçado num tempo distante de um dia qualquer.
Os anos passaram e o sonho que julgava ter perdido reapareceu no instante em levada pelo vento voou rumo á liberdade.
Hoje, só ela sabe que a escrava de um tempo se foi, para encontrar outro tempo que ela escolheu...o tempo da liberdade.

 

(Texto do desafio em cadeia, round VI)

 

A saudade, a cumplicidade, a sensibilidade e a simplicidade, são palavras que formaram um elo de amizade entre pessoas que um dia resolveram aderir ao desafio proposto pela Marta.

Desta vez O Sorriso de Geia   decidiu que eu ficasse escrava desta iniciativa e construiu mais um elo que me deixou presa a emoções inesperadas.

Foi o espanto, a surpresa pela decisão que tomou ao escolher "A escrava do tempo" como continuadora deste tempo de partilha.

Agora já liberta de amarras conto voar por aí para motivar e incentivar à partipação de todos os que fazem dos seus blogues estandartes de amizade , de sonho e imaginação.

29 comentários

Comentar post

Pág. 1/2

Mais sobre mim

imagem de perfil