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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Partidas e chegadas

Um dos sítios que me dá um prazer enorme estar é num aeroporto, talvez porque associe a ideia de fazer mais uma viagem, ou a chegada de alguém que não vejo há muito e de quem tenho saudades.

Partidas para descobrir, para viver, para olhar de outra forma, para conhecer outras gentes.

Chegadas feitas de abraços, de saudade, de sorrisos, de histórias, tantas histórias para contar.

Enquanto espero, o meu olhar perde-se em descobertas de realidades ou dispersa-se a fantasiar sobre o que desconhece.

Percorro as filas de gente alinhada, invento razões para partirem, desvendo o que dizem as expressões daqueles rostos...uns aliviados, outros tristes, outros ainda com vincos de preocupação que o olhar carregado denuncia. Há os se olham enternecidos, que se enlaçam e entrelaçam, há os que  alheios a tudo, absortos em dúvidas, em ausências, desfolham apáticos uma revista.

O que levarão naquelas malas? Malas lindas algumas, outras gastas de tanto palmilharem mundo fora, há a pasta daquele que vai e volta no mesmo dia, a mala do artista, a prancha do surfista, a guitarra de mais um que vai tentar a sua sorte.

Belas mulheres, aprumadas e esbeltas, homens de fatos bem vincados intelectuais penso eu...será que me engano? Serão burlões disfarçados de cavalheiros honrados.

-Senhores passageiros com destino a...

Ah, acordo... quem parte? A fila desfaz-se, foram...

Do outro lado gente que aguarda ansiosa. Caminham nervosos de um lado para o outro, roiem as unhas, ajeitam o cabelo, colocam-se em bicos de pés para tentarem descobrir se é naquela revoada de gente que chega quem esperam. Depois...ah depois, há a alegria que se estampa nos olhos, sorrisos rasgados, abraços e beijos demorados.

Hoje também estou nas chegadas, sou uma entre tantas, mas sou única para alguém que me abraça e me acolhe.

 

E neste constante vaivém reparo que a vida é o eterno ir e vir, a impermanência do estar, o movimento  de um mundo que não pára de me surpreender.

Partem alguns para sempre , mas deixam memórias, chegam outros para continuar a marcar instantes que ainda se hão-de eternizar e  há o momento de pausa em que alheia a tudo me encontro no nada para poder renascer todos os dias, para  que se esvazie o que deixou há muito de ter importância e possa dar lugar ao novo, ao calor, talvez a mais um Verão, um pôr do sol, uma brisa passageira... e esperar que na próxima hora, no novo ano, noutra estação haja sempre uma partida, uma chegada e entre uma e outra um momento para ficar. 

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