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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Madeira de ontem e de hoje

Visitei a Ilha da Madeira pela primeira vez em 1986, voltei de novo neste final de Julho.

O que vi agora pouco ou nada tem a ver com o que vi há uns anos atrás a não ser a eterna beleza das montanhas que desafiam o céu, que recortam o azul em figuras arredondadas, pontiagudas ou geométricas, as flores que ladeiam os caminhos e que nascem em sítios aparentemente sem vida, encavalitadas em rochedos e colorindo as estradas mais sinuosas, o mar de um azul vivo onde pachorrentos veleiros desfilam garbosos com os mastros desfraldados e onde aqui e ali se plantam rochedos que me fazem adivinhar figuras de gigantes e princesas encantadas. O casario lá está, em socalcos parecendo um altar, onde a brancura é entrecortada pelo verde das encostas, a temperatura amena faz-se sentir e só de vez em quando lá aparecia uma neblina, que rapidamente desaparecia.

Lembro-me de na anterior visita  ter passeado com muito medo por estradas estreitíssimas  que ziguezagueavam por entre montes e vales, e onde os precipícios me faziam crer que qualquer deslize podia ser o fim.

Aldeias perdidas em vales onde o sol mal chegava, pareciam casinhas de presépio de difícil acesso, só sendo possível contemplá-las lá do alto.

Hoje a Madeira parece que foi invadida por toupeiras que escavaram túneis perfeitos que nos fazem chegar a todo o lado e em pouco tempo. Para que não se esqueça o que existia antigamente , ao lado dessas magníficas obras de engenharia, deixaram-se algumas das antigas estradas nacionais, de vez em quando arriscava passear nelas de novo, porque não há túnel que substitua a beleza de cada percurso sinuoso que faz com que em cada curva o nosso olhar se perca em perfeito estado de êxtase, tal a beleza.

Da catástrofe que se abateu nesta ilha em Fevereiro deste ano, não há vestígios apenas um pequeno troço de estrada a seguir á Ribeira Brava que já está a ser reconstruído.

Não há lixo nas ruas e não me refiro só á cidade do Funchal, tudo aparenta uma ordem e zelo que me espantou.

Passear de catamaram durante três horas ao longo da costa, apreciar baleias e golfinhos que deslizavam elegantes perto de nós, comer bom peixe antecedido sempre pela oferta de um aperitivo a "Poncha", nadar em águas calmas e temperadas, passar uma tarde nas piscinas naturais de Porto Moniz, calcorrear a pé caminhos ladeados de rochas bem talhadas, subir e descer morros, deambular nas noites calmas pelas ruas...foram muitas das coisas que fizeram com que estes dias fossem perfeitos.

No Lobo Marinho fiz a viagem até Porto Santo, onde passei o dia e onde me deliciei com as águas límpidas e transparentes e onde pude admirar a iniciativa daquelas gentes que com tão pouco fazem tudo.

Como não sou pessoa de me ficar pelas aparências, andei uns tempos a tentar encontrar algum residente com quem pudesse conversar para saber se o exterior correspondia á realidade; essa oportunidade aconteceu quando, não me lembro bem como, entabulei conversa com

um casal de portuenses que há cinco anos escolheram a Madeira para viver e trabalhar...ele professor, ela psicóloga. Foi inevitável a conversa sobre o ensino...dizia ele que dificilmente regressaria ao continente, já que ali tinha óptimas condições de trabalho e que quando chegasse  Setembro tinha a certeza que teria a sua escola, na Madeira é impensável iniciar o ano lectivo com falta de professores. Dizia ainda que todas as crianças têm acesso a internet, inglês, natação, desporto e que até agora tinha sido completamente gratuito, apenas no próximo ano iria ser aplicada uma taxa moderadora. Em contrapartida, este ano vão ser oferecidos os livros a todos os alunos do 9º ano. O sistema de saúde também funciona muito bem e deu-me o exemplo que em Câmara de Lobos um concelho com cinco freguesias, tem seis centros de saúde e não se fala em fechar seja o que for. Perguntei se não havia pobreza, disse-me que talvez houvesse , mas que era escondida e que há ainda muito alcoolismo.

De tudo uma das coisas que mais admirei foi a simpatia dos madeirenses para com os continentais, já que antigamente só tratavam bem os estrangeiros. Talvez que com as dificuldades e a crise  tenham reconhecido que todos são bem-vindos independentemente da língua que falam

 

Na escola primária aprendi que a Madeira era a "Pérola do Atlântico", hoje continua inalterável a jóia que faz as delícias de todos quantos a visitam. 

 

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