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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Paris ontem e hoje

Há cerca de vinte anos, eu e uma colega, resolvemos visitar Paris. Para nós era uma aventura , porque nunca tínhamos saído sozinhas para um país que nos era totalmente desconhecido.

Planeámos tudo até ao mais ínfimo pormenor. Falaram-nos o quanto era difícil viajar no metro e entendermos aquela profusão de linhas que perfuram a cidade. Fiz questão de o estudar minuciosamente e não nos saímos mal. Queríamos que fosse uma viagem cultural e durante quatro dias não parámos.

Sabíamos o quanto é caro comer em Paris, mas como o pequeno almoço do hotel era farto, arranjámos maneira de á socapa fazermos umas sandes com que nos deliciávamos sentadas num banco de um jardim qualquer. Lembro-me de arriscar comer um cachorro que comprámos num daqueles carrinhos de rua e que nos custou a módica quantia de 500 escudos,  e para cúmulo era horrível, metade foi para o lixo.

Como muita pena nossa nunca nos aventurámos a sair á noite, duas mulheres sozinhas nas ruas de Paris não era aconselhável.

Há dias regressei de novo á "Cidade Luz", desta vez acompanhada de duas francesas(mãe e filha) que quiseram visitar a família e amigos e que tiveram a gentileza de me convidar.

Foi uma visita completamente diferente da anterior, não foi melhor nem pior, foi apenas diferente.

Desta vez alugámos um apartamento que ficou muito mais barato que um hotel e fizémo-lo porque as casas dos familiares são tão minúsculas que seria de todo impossível albergar mais três pessoas. Conclusão, poupámos na comida e no alojamento e foi raro o dia em que não houve convites para jantar.

Foi enriquecedor porque as conversas permitiram-me ver o que há para além da grandiosidade dos monumentos. Abordaram-se muitos temas interessantes com a natural simpatia e bom humor dos franceses.

Pude conhecer um pouco da noite parisiense e aperceber-me da parte mais negra e sombria da noite, principalmente quando se tem de viajar de metro.

Foi obrigatório e delicioso fazer a viagem ao longo do Sena e como nunca tinha subido á torre Eiffel desta vez lá fui. Não fiquei particularmente encantada com o amontoado de ferro e das intermináveis filas para entrar, valeu a paisagem e as fotos que tive oportunidade de tirar. Para mim, visitas a torres acabaram, agora subir, só se for o Evereste.

No final dei por mim a pensar, na necessidade de alterar rotinas, tive a estranha e saudável sensação que bem lá no fundo uma viagem não transmite só conhecimento, tem ainda a particularidade de podermos ver o mundo e as pessoas de uma outra forma que inevitavelmente vão alterar o nosso dia a dia e a postura perante certas situações da vida. O cenário foi o mesmo, mas a forma como o interpretei foi diferente e acordou em mim certas memórias e hábitos que deixam de fazer sentido.

Na Cidade Luz para mim, fez-se Luz, e se me perguntarem porquê eu não sei responder, apenas sinto e não há lógica para o sentir apenas "é"

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