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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Foi no baile da paróquia

Sempre gostou de dançar e na época ir a discotecas , não era coisa comum e pouco recomendável para uma miúda de dezoito anos. Nunca enquanto esteve sobre a alçada dos pais lhe era permitido dar um pezinho de dança, a não ser quando se escapulia na sua bicicleta para o salão de festas na aldeia e dançava duas ou três vezes com um ou outro moçoilo que a convidava, regressando o mais rápido possível, com o coração aos pulos rezando para que ninguém lá em casa tivesse dado pela falta dela.

Um dia partiu e qual passarinho á solta sentiu-se livre e voou...voou.

Mal ela imaginava que em breve ficaria de novo engaiolada.

 

Ficou de coração aos pulos quando o viu pela primeira vez e num dia de S. Martinho de um ano qualquer ele, rapaz uns quantos anos mais velho de bonitos olhos verdes a convidou para ir ao baile da aldeia que estava em festa... rejubilou de contentamento.

O adro estava cheio de gente que rodopiava ao som da música de um conjunto que se fosse hoje era considerado pimba.

Pela primeira vez sentiu a liberdade na ponta dos pés e sem receios, com um sorriso de felicidade, toda a noite dançou agarrada a ele deixando-se levar pelos braços daquele que a surpreendeu nessa mesma noite com um pedido de namoro.

Ficou boquiaberta, mas no fundo era o que mais desejava, embora contrariasse a ideia de que só se prenderia muitos anos mais tarde, para que pudesse aproveitar a vida e gozar a liberdade que até então lhe tinha sido vedada. O coração falou mais alto e nem pela cabeça lhe passou que namorar já implicava uma outra forma de aprisionamento.

 

Passou um ano e coincidência ou não, precisamente na altura em que se comemorava o dia do mesmo santo onde tinha dançado no baile da paróquia, entrou na igreja pelo braço do seu pai e casou com aquele com quem viria a viver durante longos anos, demasiados, ou talvez apenas os necessários para reconhecer que estava na hora de reconquistar a liberdade perdida.

 

Hoje aninhada no seu canto vive livre e feliz fugindo de todas as aves de rapina que ousem aproximar-se, protegendo o seu coração, que de vez em quando lhe prega algumas partidas e palpita mais forte por uma ou outra ave que se aproxima.

 

Hoje de lareira acesa não haverá dança, talvez umas castanhas assadas e um copo de água pé.

 

 

 

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