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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cuidar de si próprio ou cuidar do outro?

Abrir gavetas, não as de madeira ou outro material, falo das que há no coração e na mente; ver, rever, recordar, ter coragem para deitar fora o que não faz sentido...olhares, sorrisos, promessas, sonhos...fazer a selecção do que deve ficar e do que deve simplesmente ser destruído, não é fácil.

 

Mas quem disse que viver era fácil? E é duplamente difícil quando carregamos com vidas que não nos pertencem, que pesam nos ombros, que nos vergam com o peso de uma caminhada que não é feita lado a lado, porque há em mim a ilusória sensação que ajudo, que protejo, que cuido, quando afinal vivo em terreno alheio, ao mesmo tempo e sem que me aperceba há cantos que vão aos poucos ficando bolorentos, húmidos e bafientos.

Ensinaram-me a ajudar, e tornei-me escrava.

Ensinaram-me a respeitar e faltei ao respeito a mim própria

Ensinaram-me a fazer e esqueci-me da forma e do sentido

Cheguei a pensar que sabia amar e olhei-me, revi-me e não gostei do que vi e do que senti.

 

Enquanto embrenhada em teias de pensamentos soltos, prendeu-me uma metáfora que li algures e que rezava assim:

 

"Era uma vez uma dupla de acrobatas. O professor era um pobre viúvo e a aluna uma pequena menina chamada Medakathalika. Os dois faziam exibições nas ruas como ganha pão.

O professor colocava o bambu sobre a cabeça e a menina escalava-o lentamente, equilibrando-se no topo, enquanto o professor continuava a caminhar.

Ambos tinham de concentrar toda a atenção para manter o equilíbrio. Um dia o professor instruiu a aluna:

_Escuta Medakathalika, eu olho por ti e tu olhas por mim, assim, um ajuda o outro a manter a concentração e o equilíbrio, para que nenhum acidente possa acontecer e possamos garantir o nosso pãp de cada dia.

Mas a menina era muito esperta e respondeu:

- Caro mestre, acho que seria mais correcto se cada um de nós olhasse por si próprio. Desse jeito, eu estou certa de que evitaremos acidentes e ganharemos o bastante para comer." (autor desconhecido)

 

Também eu quero equilibrar-me na cana de bambu, mas quero fazê-lo sem a preocupação de estar a tentar que esse equilíbrio seja para garantir o sucesso dos passos de alguém, quero, isso sim, que caminhemos lado a lado para que possamos ajudarmo-nos mutuamente  quando o perigo espreitar e garantir desta forma que sabendo cuidar de mim, fico preparada para cuidar dos outros e é disso que me tenho esquecido.

 

 

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