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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

A blogosfera ficou mais pobre

Nem sei como começar, simplesmente porque não consigo acreditar que ficámos privados da escrita, das fotos, da música do nosso amigo Rolando autor do blog Entremares. Resta uma obra que vou recordando ao relê-lo.

 

Há uns tempos dizia-me:-Manu o meu objectivo é editar um livro até ao final do ano e dizia aquilo com um brilho enorme nos olhos. Não consegui, mas todos os que admiravam a sua forma de escrever, não precisarão de livros, para relembrar e reler cada história, cada aventura, cada mensagem velada, cada desabafo....

 

Tantas histórias que tinham sempre um final feliz, ou um conteúdo pedagógico, ou mesmo uma reflexão!

Lê-lo é sempre uma viagem ao mundo do imaginário, que me envolve e me deixa pregada até às últimas linhas, esperando ansiosa o desfecho.

 

Homem polivalente que se desdobrava em múltiplas actividades, passando pelo ensino, informática, rádio, fotografia, etc, acrescendo a tudo uma enorme disponibilidade para os amigos.

 

Costumava dizer-lhe que ele era o padrinho do meu cantinho, porque a partir da altura em que me descobriu, imediatamente se abriram novas portas e foi sobretudo do Brasil que se fizeram notar as primeiras visitas.

 

Os seus comentários eram comovedores e ainda não o conhecia, já ele descobria quem era a verdadeira Manu, porque sabia ler nas entrelinhas e alcançava o que estava escondido atrás de cada palavra.

Relembro comovida um dos primeiros comentários que me deixou e sem me conhecer, fez o meu retrato fiel. Dizia ele:

 

"Quem é a Manu?
A Manu… vejamos… a Manu que escreve é uma pessoa espiritual, sem ser propriamente praticante de qualquer culto ou religião. Mas é espiritual, e pensa ou medita bastante sobre o assunto. E quando chega a uma pequena conclusão… lança um post, a pretexto de algo.
Querem uma prova? Já leram o "querida professora" ou o "Apenas sou" ou até o "Arrumando gavetas"? Ou o "inquérito", o primeiro post ?
Não leram? Ora essa… então façam favor de ler.
A Manu é muito selectiva nas pessoas com que se rodeia. Já foi menos, agora apertou bastante " a bitola". Mas descobriu ( coisas da vida ) que esta coisa do blog fez aparecer um universo paralelo, de pessoas paralelas, que mesmo de um modo virtual, conseguem ser estimulantes, interessantes… e que até partilham ideias em comum. Foi uma descoberta fascinantes ( isto sou eu a deduzir em teu nome, claro )

O post da transparência fez-me lembrar um pouco o grito do Ipiranga, quase que uma mensagem ao mundo virtual a dizer: Hey… tenham calma, que essa imagem de super-mulher, poderosa e eterno ombro para todos os males do mundo… essa imagem já a tenho lá naquele mundo real que vocês conhecem… não preciso da mesma imagem aqui… aqui eu sou só … a Manu, ponto final.

Pronto, terminei.
Esqueci-me de algo, desculpa.
Não te conheço… mas gosto bastante de ti. Como eu dizia quando era teenager " és uma pessoa e peras".

 

Continuei a minha busca pelos comentários que me deixou e encontrei um que se ajusta ao momento triste, que estou, ou melhor que estamos a viver a propósito do post "Antes que seja tarde"

Dizia ele:

Acredita... gostava de ter escrito muito do que escreveste neste post. Por ser verdade, por dizer - preto no branco - que o tempo urge, que não somos senhores de nada, muito menos do tempo.

E aí, lembrei-me de citar uma frase de um senhor que admiro imenso, e que creio que resume muito bem o que veio à alma, depois de ler o teu post.

" Quando o marido se despede da mulher e dos filhos pela manhã para ir trabalhar e só voltar à noite, deveria pensar que poderá ser a última vez que os está a ver. Ninguém é senhor do próprio destino"

O autor da frase é o Dalai-Lama."

 

Agora Rolando, deixa que me zangue um bocadinho contigo:

 

Nunca é tarde para te ler, mas é muito cedo para te recordar..não achas que partiste demasiado cedo?

Até sempre meu amigo, um dia quem sabe, voltaremos a rever-nos num local onde as estrelas brilharão e onde não haverá violência nem injustiça.

ELA

Nasceu numa aldeia.

Filha de pais humildes, teve a sorte de ser rodeada de todo o carinho e atenções.

A madrinha escolhida, vivia no Porto, senhora viúva sem filhos, que logo a encheu de mimos e a cobriu de prendas diferentes e nunca vistas na pequena aldeia.

Tinha os vestidos mais bonitos, bonecas de todos os tamanhos, brinquedos variados entre eles tachinhos , formas,  panelinhas, bolas, jogos...

Um dia lembrou-se de fazer o seu primeiro bolo. Farinha ,ovos , açúcar...misturou tudo , como via a mãe fazer e colocou numa forma de plástico; acendeu o forno e esperou.

Em vez do cheiro agradável natural de um bolo que ganha forma, sentiu o odor nauseabundo de plástico derretido, ficou desolada, talvez por isso nunca mais gostou de os fazer.

O tempo foi passando. A menina começou a descobrir coisas novas. Era muito teimosa, sempre que a mãe lhe mandava fazer alguma coisa , imediatamente dizia: "-Não faço...", " _não vou...", mas ainda estava a dizer isto e já estava a fazer.

Sempre aos pulos, a cantar em altos berros, a trautear as canções do momento apesar da mãe e avó lhe pedirem que se calásse um bocadinho.

Nunca foi de fazer perguntas, aninhava-se a um canto, tentando passar despercebida , mas atenta a todas as conversa dos adultos. A pouco e pouco todas as respostas que precisava apareciam.

Foram nascendo os irmãos, três rapazes. As bonecas foram postas de lado e começou a empoleirar-se nas árvores, a brincar com carrinhos de rolamentos. O que mais gostava era de ir ao ribeiro que corria perto e tentar apanhar peixes com um passador de rede. Morria de medo das sanguessugas, pensava que se alguma se colásse às pernas lhe iriam sugar o sangue, mesmo assim nunca desistiu de passar belas tardes com os manos, a brincar com a água donde saiam todos encharcados.

Cedo percebeu que aquele mundo era demasiado pequeno. Tinha a percepção que lá longe havia outras formas de pensar e de viver.

A vontade de saber mais e mais era muito forte. Apesar do amor que todos lhe dedicavam, soube sempre que mesmo longe teria ali o seu porto de abrigo, onde sempre se poderia  refugiar .

Um mundo novo estava à sua espera!

...E um dia partiu!....

 

 

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