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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Relacionamentos

Relacionamentos

 

 

 

Tenho andado um pouco indecisa na escolha dos temas que gostava de escrever . Tinha seleccionado três e não havia forma de me decidir.

De repente e por coincidência veio a resposta, quando li aqui algo que veio ajudar a escolha..."Relacionamentos". Não venho acrescentar nada de novo ao que já se sabe, nem dar uma receita milagrosa para acabar com as dificuldades que hoje se nos deparam, quando se parte para uma relação a dois.

 

Penso que cada vez é mais difícil  equilibrar a forma como nos relacionamos e diminuir o constante e já habitual junta/separa.

É verdade que há uma grande confusão, homens e mulheres andam assustados.

A ausência de valores, ou talvez o meu modo retrógrado de interpretar as coisas (pensarão alguns), faz-me reflectir que ou estou a viver noutro mundo, ou então a palavra relação foi adulterada e que antes aquilo a que chamávamos de amor, cumplicidade, respeito, companheirismo...deixou de fazer sentido.

 

As pessoas têm medo de se comprometer, de viver com...e pensam que a sua liberdade será cerceada, se houver compromisso.

 

Por outros lado há uma avidez de experimentar coisas novas, sensações diferentes, mas o resultado será sempre igual... e cito a autora do artigo..."Tudo começa normalmente com o chamado "boy meets girl". No início ela é gira, divertida e torna-se a mulher da sua vida. Passam imenso tempo juntos, enviam emails, mensagens, telefonam a toda a hora só para mandar beijinhos e saem mais cedo do trabalho só para terem sexo" e tudo termina um dia  "Até que a Maria começa a queixar-se que ele agora lhe liga menos, ele começa a substituir as tardes com ela por mais trabalho e ambos passam a fazer menos sexo (pelo menos um com o outro). Um dia discutem porque ela convida-o para ir jantar a casa dos pais dela, ele recusa, e acabam a relação".

 

 

Eu sei que é preciso engenho e arte para manter uma relação, sei que não é fácil, as pessoas não querem sofrer, muitas estão magoadas e quando partem para um novo relacionamento vão, ou para tentar ultrapassar dores antigas e fechadas para uma verdadeira entrega, ou procurando no outro aquilo que só poderão encontrar dentro delas próprias.

 

Não é fácil partilhar o dia a dia com alguém e se acrescentarmos os problemas que advêm com o nascimento dos filhos e com o stress no trabalho, mais difícil será.

Deixa de haver tempo e disposição para surpreender, para jantares românticos, para uma noite de sexo diferente, para um presente sem data marcada.

Não há tempo para diálogo, para namorar, para enviar a mensagem a meio da manhã.

O tempo é de rotinas.

 

E de repente o perigo espreita, qual manjar divinal, que surge do nada e que aparece como solução para todos os problemas , ou para esquecer os que temos.

Ele/ela, seduz, atrai, há como que um íman que os liga quando se olham pela primeira vez...  não há problemas para resolver, nem contas para pagar, não há discussões... há entusiasmo, há alegria, há vontade de agradar, de surpreender, há conquista...e inicia-se uma relação fora da relação  e tudo se repete...à euforia inicial segue mais tarde ou mais cedo, o desinteresse e afastamento, para já não falar de mais um casamento/relação desfeitos na maioria dos casos; tudo não passou de uma miragem. Não sei se o crime compensa.

 

Nesta época  tão conturbada socialmente, de tantas alterações rápidas de comportamentos, dou por mim a perguntar, quem terá inventado a monogamia...será que andamos a contrariar desde os primórdios, uma coisa que é inata, que alguém se lembrou de regular e que na verdade, nascemos para ser poligâmicos?

Será que pouco e pouco a ideia  de família, de relacionamento se está a alterar e estes tempos não são mais que o ruir de conceitos ancestrais que parecem não fazer sentido nos dias de hoje?

Será que o amor é uma palavra demodé? Ou será que queremos construir uma outra forma de nos relacionarmos e que para isso temos que errar, atingir o caos, mergulhar num processo de auto destruição, de conflitos emocionais, para que um dia possamos renascer e aprender que:

 

Para conseguir amar alguém, é preciso amar-se a si próprio.

Que ninguém se deve anular em nome do amor

Que amar não é criar apegos

Que amar não é caminhar nem atrás nem á frente, mas sim lado a lado, para podermos estender a mão e apoiar.

Que a espontaneidade  e a capacidade de surpreender são a melhor forma de sedimentar uma relação.

Que não se pode usar o amor para curar feridas, ou esquecer outro amor.

Que uma relação passa pela prática do amor incondicional... amar é querer que o outro esteja feliz.

Que haverá sempre discussões, zangas, mas se houver amor e respeito, servirão para estreitar laços.

 

Amar não é fácil e nem sempre o amor dura uma vida, mas enquanto durar, que seja a demonstração do que mais genuíno e puro podemos dar e receber.

 

Felizmente nem tudo é mau e aqui e ali, vão surgindo casos de pessoas que conseguem manter uma relação equilibrada, reiinventando o amor todos os dias.

VICKY CRISTINA BARCELONA

                                              

Vicky  Cristina Barcelona é uma comédia dramática, rodada grande parte em Barcelona, cidade que tive oportunidade de visitar.

Foi agradável rever alguns lugares que visitei nomeadamente a Catedral da Sagrada Família ,bem como grande parte da obra de Gaudi e Miró.

Comecei a ver este filme para passar tempo e nem criei grandes expectativas ácerca do conteúdo.

Fiquei surpreendida e voltei a vê-lo de novo com mais calma e reflectindo sobre algumas questões que têm a ver com os relacionamentos , o amor  as paixões, o casamento...

Resumidamente o filme relata-nos a história de duas jovens americanas que vão passar os meses de Julho e Agosto a Barcelona acabando por envolver-se com um pintor extravagante e com a sua ex- mulher (Penélope Cruz), uma pessoa neurótica e emocionalmente instável.

Deixo aqui algumas afirmações que vi neste filme e me deixaram a pensar e algumas questões que deixo no ar.

 

...só o amor incompleto pode ser romântico...

O que será um amor incompleto?

...o nosso amor é eterno , mas não dá certo...

Será que não dá certo por ser eterno ou porque não é amor?

...o amor é tão difícil de definir...

Quando se ama alguém procuram-se definições?

...andamos á procura de uma definição mágica , que não a realista...

Será o amor uma realidade definível, objectiva, capaz de ser provado , como se de uma ciência se tratásse?

 

Na música-tema "Barcelona" de Giulia & los Tellarini a dada altura pergunta-se:

"por que tanto perder-se/ tanto buscar-se/ sem encontrar-se?"

 

Gostei do filme e recomendo.

 

 

 

 

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