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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Vagueando

 

Deixo que me leve o vento

ora forte, ora calmo.

Em dias de turbulência,

redemoinho num vaivém de atribulações que invento .

Descanso exausta

num lugar que imagino ser de sonho.

Ouço o sussurro de palavras que me chegam de longe.

Chega a noite... 

vislumbro a Lua que aparece e desaparece

num jogo de esconde esconde

com uma nuvem de matizes cinza e branco.

Entretenho-me a olhá-la,

descubro figuras que vai desenhando,

tento perceber o que esconde.

Penso que por detrás, bem escondido,

há um anjo, vigiando atento esta alma,

que vagueia em  fantasias e lembranças de outrora.

Deixo que  brilhe o sol,

promete aquecer o meu corpo dormente, gelado...

O mar traz-me em dias de maré alta

notícias de quem há muito partiu

e em tardes silenciosas leva para longe a saudade. 

Por aqui me arrasto ao sabor do vento e ao calor do sol. 

Deixo que todos os meus dias sejam diferentes

que  os meus devaneios me levem

para um mundo  que não este

para uma realidade que não é minha

para um destino que não foi traçado,

talvez por esquecimento...

ficou em rascunho o coitado,

ou mal feito... ou borrado...

à espera que um dia alguém,

pegasse neste bocado de gente

e rabiscasse num pouco de céu

o cenário desta vida

que nunca me pertenceu.

 

A minha Pátria é a Língua Portuguesa


  
De fato, este meu ato refere-se à não aceitação deste pato com vista a assassinar a Língua Portuguesa.

Por isso ... por não aceitar este pato ... também não vou aceitar ir a esse almoço para comer um arroz de pato ...

A esta ora está úmido lá fora ... por isso , de fato lá terei hoje de vestir um fato ...

 

 

E tu aceitas este pacto? Ou será pato?

ELA

Nasceu numa aldeia.

Filha de pais humildes, teve a sorte de ser rodeada de todo o carinho e atenções.

A madrinha escolhida, vivia no Porto, senhora viúva sem filhos, que logo a encheu de mimos e a cobriu de prendas diferentes e nunca vistas na pequena aldeia.

Tinha os vestidos mais bonitos, bonecas de todos os tamanhos, brinquedos variados entre eles tachinhos , formas,  panelinhas, bolas, jogos...

Um dia lembrou-se de fazer o seu primeiro bolo. Farinha ,ovos , açúcar...misturou tudo , como via a mãe fazer e colocou numa forma de plástico; acendeu o forno e esperou.

Em vez do cheiro agradável natural de um bolo que ganha forma, sentiu o odor nauseabundo de plástico derretido, ficou desolada, talvez por isso nunca mais gostou de os fazer.

O tempo foi passando. A menina começou a descobrir coisas novas. Era muito teimosa, sempre que a mãe lhe mandava fazer alguma coisa , imediatamente dizia: "-Não faço...", " _não vou...", mas ainda estava a dizer isto e já estava a fazer.

Sempre aos pulos, a cantar em altos berros, a trautear as canções do momento apesar da mãe e avó lhe pedirem que se calásse um bocadinho.

Nunca foi de fazer perguntas, aninhava-se a um canto, tentando passar despercebida , mas atenta a todas as conversa dos adultos. A pouco e pouco todas as respostas que precisava apareciam.

Foram nascendo os irmãos, três rapazes. As bonecas foram postas de lado e começou a empoleirar-se nas árvores, a brincar com carrinhos de rolamentos. O que mais gostava era de ir ao ribeiro que corria perto e tentar apanhar peixes com um passador de rede. Morria de medo das sanguessugas, pensava que se alguma se colásse às pernas lhe iriam sugar o sangue, mesmo assim nunca desistiu de passar belas tardes com os manos, a brincar com a água donde saiam todos encharcados.

Cedo percebeu que aquele mundo era demasiado pequeno. Tinha a percepção que lá longe havia outras formas de pensar e de viver.

A vontade de saber mais e mais era muito forte. Apesar do amor que todos lhe dedicavam, soube sempre que mesmo longe teria ali o seu porto de abrigo, onde sempre se poderia  refugiar .

Um mundo novo estava à sua espera!

...E um dia partiu!....

 

 

Amar incondicionalmente

Há uns tempos atrás assisti a uma palestra dada por um monge budista e a certa altura ele perguntou:

"-O que é para vocês o amor?"

Ficámos a olhar uns para os outros, sem saber o que responder, apesar da resposta ser aparentemente fácil.

Alguns responderam, mas sentimos que todas as opiniões ficaram aquém do verdadeiro significado desta palavra que todos usamos tão frequentemente, que corremos o risco da banalizar.

Em vez de nos dar uma definição usou um exemplo.

Disse ele:

-Imaginem que namoravam e que uma das pessoas um dia chegava junto da outra e dizia:

- Encontrei uma pessoa por quem me apaixonei...

Há duas reacções possíveis: a primeira e mais comum, é chorar, gritar, implorar, ficar com raiva, cobrar,ameaçar, dizer que não se merecia uma coisa daquelas, etc.

A segunda e a mais difícil de pôr em prática é:

_ Eu amo-te tanto que quero ver-te bem, se encontráste alguém que te faz mais feliz , vai.

Segundo ele, "Amor" não é apego , nem posse, o verdadeiro amor é querer que a outra pessoa seja muito feliz, mesmo afastada.

Houve um profundo silêncio e concluímos que amar incondicionalmente é  o desafio mais árduo das nossas vidas.

 

Dá que pensar....

Tarde demais

Perdemos tanto tempo a preocuparmo-nos com coisas mesquinhas que por vezes nos esquecemos de dar importância aos pequenos momentos:

Um sorriso

Uma palavra amiga que chegou na hora certa

Um telefonema inesperado

Uma mensagem que se adequa ao momento que estamos a viver

Um abraço sincero

Um elogio feito por quem nós menos esperamos

Um agradecimento por algo que fizemos desinteressadamente

Um convite para uma festa quando pensávamos que estávamos sozinhos

Um olhar de apreço

Um segredo partilhado...

Desgastamo-nos a lembrar aquele momento de outrora, a recordar histórias de um passado que já era, a chorar por um amor que aconteceu...ou então inventamos um amanhã que gostávamos que acontecesse, diferente da realidade que hoje temos.

Pensamos sempre que o futuro será melhor que o presente.

Futuro? Que futuro? Sei lá se estou cá amanhã, ou depois, ou daqui a um ano ou dois...

Adiamos constantemente aquele projecto que gostaríamos de realizar, a viagem de sonho, a reconciliação com o amigo que machucámos, inventando desculpas, ou porque não temos dinheiro , ou tempo, ou  são os filhos que precisam de nós, ou é o trabalho que nos absorve por completo.

E um dia, quando inesperadamente vemos partir amigos que não tinham tempo para dizer o quanto eram amigos, porque estavam absorvidos no seu trabalho, caiem para o lado e passam a ter todo o tempo do mundo, mas numa outra dimensão, num outro espaço, numa outra realidade que desconhecemos.

Sinto-me mal porque não tive tempo de lhes dizer o quanto a amizade deles era importante para mim e porque passei por eles e nem sequer lhes sorri. 

Hoje tarde demais.

 

Em Helsínquia

Em 2005 tive oportunidade de  participar durante uma semana numa visita de estudo que decorreu em Helsínquia no âmbito do programa Sócrates ( filósofo... não confundir com o nosso engenheiro).

Eu e outros participantes de vários países da Europa tomámos conhecimento sobre  alguns dos aspectos mais relevantes do sistema educativo deste país.

Trabalhámos arduamente durante toda a estadia. Não foi fácil , mas foi sem dúvida umas das melhores experiências a nível profissional que tive.

Não vou aqui falar do sistema educativo, da economia, da história...da Finlândia, mas quero deixar aqui alguns dos factos que mais me impressionaram durante a visita.

 

Cheguei ao hotel; informaram-me que teria de ir à estação de metro mais próxima e comprar um passe que me iria permitir deslocar durante a estadia. ( Pensei que haveria um autocarro para nos transportar ).

 

No dia a seguir, ás 8h e 30m estávamos na recepção onde uma senhora nos recebeu e nos deu as boas vindas. Aviso: (- Os horários terão de ser cumpridos, sei que alguns de vós vêm de países do sul da Europa e não estão habituados ao cumprimento de horários). Fiquei de boca aberta

 

Durante uma manhã ouvimos o ministro da justiça que se deslocou à escola onde estávamos a trabalhar. Nada de aparato, nem seguranças nem carros especiais. (Cá vão em carros topos de gama)

 

Uma grande parte dos impostos cobrados pelo estado é para a educação, tudo é gratuito e os livros passam de uns alunos para os outros.( Em Portugal também é assim)

 

Fomos recebidos pelo equivalente a um secretário de estado português, que teve a gentileza de nos oferecer um jantar num restaurante panorâmico lindíssimo. Fomos todos a pé, conversámos animadamente, nada de tratamento especiais. ( Em Portugal também é assim).

 

Os professores são a seguir aos polícias os mais valorizados, têm o reconhecimento público, bons salários, são constantemente treinados, actualizados e avaliados.

( Cá também)

 

O ensino é gratuito  durante 9 anos,( aqui íden)

 

Os finlandeses são leitores compulsivos, têm uma extensa rede de bibliotecas. A média de leitura anual é de 21 livros por pessoa, (se fossem telenovelas...agora livros...)

 

Apesar de ser um país cujo desenvolvimento tecnológico é notável principalmente a nível das telecomunicações, raramente vi alguém a falar ao telemóvel, ( se calhar não têm dinheiro para comprar um)

 

 Para ajudar a economia deste país pobrezito, vou comprar um N. , o meu deu o berro.

 

 

 

 

 

 

 

Em Londres

Há uns anos atrás, não muitos, eu e três amigas resolvemos visitar Londres.

Fomos no Inverno. Não podemos ver os jardins floridos e bem cuidados, mas em contrapartida admirámos toda a monumentalidade de uma cidade magnífica arquitectonicamente falando.

Gente de todas as raças deambula pela cidade.

Para além dos célebres autocarros vermelhos de dois andares, um dos meios de transporte que mais utilizámos foi o metro. Disseram-nos que anda mais gente no subsolo do que em cima; há um sem número de galerias, autêntico labirinto.

Num dos dias fomos jantar a um pequeno restaurante com meia dúzia de mesas. Escolhemos o que queríamos, e de repente, sem aviso prévio, desmaiei e a minha cabeça mergulhou em cima do prato que felizmente ainda estava vazio.

Quando voltei a mim, vi com algum espanto que toda a gente estava  sossegada, nada de alaridos, tudo como  nada se tivesse passado. As minhas amigas , bastante escandalizadas disseram-me que ninguém , nem mesmo o empregado, perguntou se era preciso alguma coisa.

Não deixámos de comparar o comportamento entre portugueses e londrinos em situação idêntica.

Não posso louvar a frieza e a indiferença.

É nestas alturas que admiro o espírito solidário dos portugueses, um povo que por vezes apelidamos de "atrasado" e "rude" , mas com um coração enorme.

 

Vou embora que se faz tarde!

 

 

 

Não entendo tudo...pena!

Há coisas que não percebo. Será que tenho que entender tudo? Se calhar não.

Se há coisa que me deixa desnorteada é não entender certas atitudes que não têm explicação.

Pergunto a mim própria:

_ Disse algo que não devia?

_ Será que magoei?

_ Que fiz eu de errado?

Não consigo que as minhas palavras ou acções tenham um segundo significado ou prever as consequências delas. 

O que digo ou faço não precisa  tradução, nada está escondido, nem há nada na manga.

 Hoje apeteceu-me deixar um desabafo e demonstrar que uma vez por outra também me sinto fragilizada.

 

                             

 

 

 

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