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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Gosto...

 

Gosto de passear descalça na areia

de escalar montanhas

da chuva fora de tempo

do cheiro da relva acabada de cortar

de olhar as estrela e escolher uma que me proteja todos os dias.

Gosto de estar sozinha sem sentir  a solidão

das noites de Inverno á lareira

do pôr do sol, do mar, gaivotas e veleiros

de conversar com gente que sabe mais do que eu

do riso das crianças.

Gosto de aprender sempre coisas novas

de ler, pintar, de boa música e viajar,

viajar, viajar...

Gosto de viver intensamente

de sorrir

dos meus amigos

da minha família

e acima de tudo gosto...

a sério que gosto,

gosto muito de sonhar!

 

 

publicado às 23:33

A luta por um filho-II

 

Hoje recebi o relato do final da odisseia da C. e do E. sobre a dura luta que travaram para ter uma criança.

Ela diz assim:

"Dezembro de 2002- o meu corpo e a minha alma, precisaram de um ano para se recomporem do choque sofrido com a perda do nosso bebé.

Como já tinha sofrido tanto , comecei a habituar-me á ideia de não poder ter filhos. Eu e o meu marido optámos por ver o lado positivo...tínhamos uma vida sem grandes encargos, uma bela casa, íamos de férias para onde nos apetecia, jantares e festas com amigos, comprar o que nos apetecesse...mas nos momentos em que percebíamos que tínhamos tudo, sentíamos que nos faltava o mais importante: UM FILHO.

Começámos a pensar na adopção.

Uma das vezes em que fui de férias a Portugal, informei-me onde e como poderia fazê-lo.

Fiquei desiludida , quando me disseram, que como era emigrante não me poderia inscrever na lista de espera portuguesa, só na internacional. Disseram-me até para desistir, mas quando regressei á Suiça, pedi o contacto da direcção geral de adopções, iniciei o processo, e passei a ser contactada por uma assistente social suiça, que veio várias vezes a minha casa. Compareci a todas as entrevistas e reuni uma montanha de papéis. Quando acharam que o dossier estava completo, enviaram-no para Portugal.

Pedimos uma criança de zero a três anos, foi-nos dito que isso era impossível, só se tivesse problemas de saúde. Respondi que aceitaria desde que o problema não impedisse que a criança no futuro tivesse de depender de alguém. Reconhecia os meus limites e sabia que não teria condições para adoptar uma criança com deficiência mental profunda.

A primeira proposta chegou. Um menino de quatro anos com síndrome alcoólico profundo. Sabia o que isso implicava, escola especial, acompanhamento médico constante e uma dedicação total da minha parte. Mais uma desilusão, tive de recusar,  ainda hoje penso no que terá sido feito daquela criança.

No dossier enviado para Portugal, ia a autorização para adopção de apenas uma criança, mesmo assim recebi mais duas propostas: a primeira dois irmãos e a segunda três, todos com mais de cinco anos.

Estava a ficar zangada com o mundo, sem perceber porque estava a ter de passar por tudo isto. Sabia que em Portugal existiam instituições que acolhem  crianças e que só as dão para adopção quando chega a idade escolar, porque a partir daí deixam de ter apoio do estado.

Entretanto conheci uma família Suíça que tinham um filho, mas como não podiam ter mais, adoptaram duas meninas etíopes, uma de três meses e outra de seis anos. Contaram-nos a sua experiência e decidimos tentar.

Estávamos em 2006. Contactámos a Prokind (associação Suiça que trata das adopções na Etiópia).

Começámos tudo de novo.

No dia 23 de Agosto de 2008 recebemos a notícia que poderíamos ser pais  de uma menina de três meses, 53cm, 3.900Kg. Mesmo sem a conhecermos dissemos logo que sim. Passados uns dias recebemos a primeira foto...era lindíssima a nossa menina!

A 22 de Novembro apertei-a pela primeira vez contra o meu peito.

Estivemos oito dias na Etiópia, chorei todos os dias. O meu marido dizia:

- Não chores...eu respondia:

- Tantas vezes chorei de tristeza, deixa-me agora chorar de alegria.

Adorámos a Etiópia, as paisagens , a gentes, o acolhimento, os sorrisos.

O regresso correu muito bem; mais tarde queremos voltar para mostrar á nossa filha o país onde nasceu.

Enquanto escrevo ela dorme...de vez em quando olho-a e penso que tudo é um sonho.

Beijos da C+E+M"

 

Muito mais haveria a acrescentar, mas penso que o essencial foi descrito.

Para os muitos casais que estão em situações idênticas, espero que este testemunho de coragem e persistência, possa servir de encorajamento para continuarem a vossa luta. Há tantas crianças que precisam de nós! Não fosse a burocracia, tudo seria mais fácil.

Por ser um país pobre e com muitas crianças que são abandonadas á beira da estrada ou entregues a orfanatos, os processos de adopção são mais rápidos e bem organizados.

 

Durante o Verão pude partilhar momentos lindíssimos com esta família.

Há poucos dias dizia-me a C. ...a minha menina já anda...

Muito obrigada pela vossa disponibilidade e pelo vosso testemunho.

Beijos

Manu

 

 

publicado às 17:21

A luta por um filho

 

A C. e o E. um casal amigo a viverem há uns anos na Suiça, descobriram depois de estarem casados há alguns anos que não conseguiam ter filhos.

Depois de falar com eles, permitiram que contasse aqui o longo caminho que percorreram na tentativa de realizaram o seu sonho...TER UM FILHO:

A narrativa foi-me enviada pela C.

" A Natureza dá, a natureza tira."...foi com esta frase que um jovem médico, no início de carreira, me informou, após muitos exames, a razão porque não conseguia engravidar.

Bom, pelo menos ficámos a saber o motivo, o problema era do marido, os espermatozóides não tinham força suficiente para fertilizar o óvulo.

O mundo caiu-me aos pés, não conseguia imaginar-me sem filhos...nesse dia chorei até as lágrimas secarem.

Havia uma esperança, a inseminação artificial.

Começámos, ou melhor o meu marido começou, a tomar uns comprimidos ( cada frasco custava cento e cinquenta euros e durava um mês), durante seis meses. Esta quantia foi insignificante comparada com o que viemos a gastar a seguir. 

Não surtiu efeito e desconhecia-se outra terapia para homens.

Passámos para a fase seguinte...ter relações obedecendo a um calendário, medir a temperatura e era nesse momento que forçosamente tínhamos de tentar.

Com o tempo , ficar grávida passou a ser uma obsessão. Passaram  meses, a frustração era enorme.

Comecei a tomar hormonas para estimular os ovários e fazer inseminação artificial...isso significava que quando o óvulo estava maduro, o esperma era injectado directamente no útero...uma sensação horrível...esperava e rezava para que tudo desse certo.

Depois de tentar seis vezes e de ter de pagar na totalidade todos os tratamentos, já que a infertilidade não é considerada doença, desistimos.

O desespero era visível na minha cara, o meu corpo estava diferente, dez quilos a mais e um enorme cansaço... estava sem forças para iniciar a próxima batalha. 

Este processo  teve início em 96 e durou até Maio de 2000, porque nem todos os ciclos davam para fazer os tratamentos, os horários de trabalho nem sempre coincidiam com as consultas e parar de trabalhar estava fora de questão, já que os custos eram enormes.

Em Maio inscrevi-me num hospital de Zurique e em Novembro iniciei a fertilização In Vitro.

Várias vezes fui tirar sangue e eu própria injectei 20 injecções, para estimular os ovários e se produzissem folículos que permitissem o tratamento, mas o meu corpo  já não reagia e os médicos optaram pelo IJC (injecção directa de um só espermatozóide num óvulo), só se devem fazer quatro tentativas, eu fiz sete.

Fiquei grávida. No dia 24 de Dezembro e ao fim de sete semanas abortei.

Um sonho desfeito na véspera de Natal.

 

(Continua)

 

 

publicado às 00:16

Uma folha de Outono

Há dias em que nem o sol, o mar, um livro, um filme...enfim aquelas coisas que em dias normais me arrancariam um sorriso... nada, mas mesmo nada, me consegue arrancar desta apatia, imobilidade e  letargia.

Não estou triste, amargurada ou com algum problema daqueles que nos deixam deprimidas...não...talvez o meu estado se deva àquela folha  que há pouco caiu devagarinho na minha varanda.

publicado às 10:11

Praga de Kafka

 

Mal cheguei estatelei-me a todo o comprimento. Uma camada de gelo disfarçada com alguma neve apanhou-me desprevenida.

Quinze graus negativos, não há quem aguente, bem... nós aguentámos, mas foi difícil.

Não fosse a beleza da cidade e tínhamos desanimado. Na altura escolhíamos a época baixa para podermos fazer umas viagenzitas mais em conta.

O frio era tanto que de vez em quando éramos obrigadas a entrar nas lojas, sempre bem aquecidas. Éramos alvo de alguma desconfiança, pudera...quatro mulheres na risota a esfregarem as mãos e o nariz e sem comprarem nada, era para duvidar. Mais tarde viemos a saber que era rara a loja que não tinha uma pessoa a vigiar quem entrava e a ver se alguém metia ao bolso uma daquelas marionetas lindíssimas que cobriam as paredes. A única malandrice que fizemos foi num dia ou noutro viajarmos no autocarro que nos levava ao centro da cidade com o mesmo bilhete, isto depois de nos apercebermos que não havia controlo, bom..tivemos sorte, não fomos apanhadas.

Ficámos especadas de cabeça no ar á espera do desfile dos apóstolos, do cantar do galo e das badaladas do relógio astronómico.

Sabíamos que ao meio dia  havia o render da guarda junto do castelo de Praga, o maior monumento medieval do mundo e o mais visitado da república checa, era um momento a não perder. Ao som da fanfarra assistimos ao desfilar dos soldados e a Júlia ainda arriscou uma piscadela de olho a um deles, mas apenas nos conseguiu fazer rir a nós.

Passeámos numa das pontes mais bonitas do mundo, a ponte D. Carlos (Karlův most), cheia de pintores, músicos , mimos e vagabundos  nesse dia mais quatro veranearam por ali.

A nosso lado religioso levou-nos a apreciar a bela imagem do Menino Jesus de Praga, (Pražské Jezulátko)  dizem que faz milagres, pensámos que talvez pudesse dar algum juízo a quatro raparigas que por alguma razão se perderam por ali.

Prasná braná, Sternberský, Rudolfinum, Petrin, Jubilejní synagoga,  Palácové zahrady...( fácil a tradução) ...pouco ficou por visitar.

Por último fomos até ao Beco do Ouro uma rua estreita lateral ao castelo onde até á II Guerra Mundial, viviam os serventes da corte.em casas minúsculas, hoje transformadas em lojas, galerias e exposições.

No número 22 da pequena rua, Franz Kafka teve o seu escritório. Em jeito de despedida deixo uma frase dele que gosto muito:

 

 "Deixem dormir o futuro como merece, se o acordarem antes do tempo, teremos um presente sonolento"

 

publicado às 00:40

Danças?

-Danças?

Olhou-o surpreendida, não estava á espera de um convite tão rápido.

O baile tinha começado há pouco. Ficaram admiradas por ter sido ela a primeira a ser convidada, não era a mais bonita, nem a mais bem vestida...tinha  sim qualquer coisa especial, inexplicável, uma energia e um sorriso que marcavam a diferença.

O salão de festas estava apinhado.

Rapazes e raparigas olhavam -se  veladamente, disfarçando a timidez, ganhando fôlego para convidar a miúda que mais os cativava.

Ele era alto, magro, olhos pretos, um bigode que lhe dava um ar mais velho, respeitável. maduro, muito diferente dos outros com figuras mais acriançadas.

-Que sorte tiveste...tão giro!- diziam as amigas com uma pontinha de inveja.

Sorriu, encolheu os ombros e não deu importância.

Com tanta rapariga bonita no salão, não esperava que ele a convidasse de novo. Enganou-se, voltaram a dançar, uma e outra e outra vez.

Tinha de regressar, marcaram-lhe hora para chegar a casa. Já sabiam os nomes um do outro e na despedida ele perguntou:

- Posso ir buscar-te quarta feira à escola?

Os dias passaram lentos, mais do que  era costume...

- Será que ele aparece?- pensava... duvidando.

Passearam pelas ruas da cidade. entraram numa pastelaria e lancharam... a conversa continuou. De início banalidades , ambos á procura de um ponto em comum...de algo que pudesse dar continuidade áquele encontro.

E todas as quartas feiras ali estava ele, ali estava ela, sem definirem trajectos, sem programarem nada.

Ele mais velho , falava de assuntos que ela não dominava, ouvia-o atenta, fixava o nome de autores que citava. Corria para a biblioteca e depressa devorou Nietzsche, Sartre, Bertrand Russel...e tantos, tantos outros.

Nas ruas da cidade, no banco do jardim, na mesa do café,  olhares mais atentos, poderiam descobrir dois jovens , que discutiam e comparavam acerrimamente, ideias, comportamentos, tendências...alheios a tudo, apenas embrenhados em temas que os uniam, que os mantinham presos e que lhes garantiam o próximo encontro de quarta feira. 

Pouco sabiam um do outro, era um pormenor sem importância.

Muitos encontros aconteceram, á mesma hora, no mesmo dia, em diferentes locais.

Passaram meses...ela foi de férias, quando regressou, os encontros  continuaram .

Aproximava-se o final do ano, daí a pouco tempo tinha de regressar, nunca lhe tinha passado pela cabeça  que um dia se teriam de  despedir...mal ela imaginava que isso nunca iria acontecer.

Naquela quarta feira no sítio do costume esperou por ele. Costumavam ser sempre pontuais. Passaram quinze minutos...vinte...meia hora...nada... olhou para outras esquinas, espreitou nas ruas vizinhas, inventou desculpas para o atraso, talvez tivesse perdido o autocarro...ou estaria doente? Sem um contacto, sem uma morada, sem nada onde pudesse agarrar-se para minimizar a angústia da espera, ali continuou...não soube por quanto tempo.

Naquele dia regressou a casa cabisbaixa, triste, amargurada, pior que a despedida era não saber o porquê da ausência, nunca o chegou a saber. 

Só muito tempo depois percebeu que ele nunca partiu. Passou a ser óptima aluna a Psicologia e Filosofia. De cada vez que expunha as suas ideias , que escrevia sobre sentimentos, emoções e comportamentos lembrava as quartas feiras de um ano qualquer e da despedida que nunca aconteceu, porque compreendia agora que nem sempre o " Adeus" era necessário, sobretudo para quem nunca tinha partido.

 

publicado às 19:00

Make Up

Elegante, esguia, de saia bem justa ligeiramente abaixo do joelho,  blusa de cor suave, saltos altos , uma boa postura, mãos tratadas com dedos esguios, unhas pintadas de cor discreta, um perfume leve que pairava o dia todo á sua volta. Nos olhos uma sombra  esbatida , arrematada com risco preto,  dava-lhe um olhar profundo e ainda mais meigo. O pó de arroz que cobria a sua face fazia com que  parecesse uma frágil peça de porcelana...era esta a imagem da minha primeira professora, a D. Fernanda

Sempre que podia ia para junto dela, inventava uma dúvida só para apreciar em pormenor as cores que lhe cobriam a cara. Pensava que um dia, quando ganhasse o meu primeiro dinheiro, também eu iria comprar tudo para poder pintar-me como ela.

Esse dia chegou. Sentava-me á noite em frente ao espelho e pintava os olhos... ora de azul, ora verde, ora castanho...batons de várias cores completavam o meu estojo. e no final empoeirava-me com pó de arroz. Não saía á rua assim, fazia-o por prazer, uma brincadeira...

Os anos passaram, hoje há o ritual de todas as manhãs...limpeza, tonificação, hidratação, rímel,  baton e sei lá que mais.

De vez em quando sorrio para o espelho e lembro-me daquela anedota do alentejano que pergunta á sua mulher:

-Maria, por que te estás pintando?

-Ora, homem...é pra ficar mais bonita.

-Atão mulher ...e por que é que na ficas?

 

E lá continuo na difícil tarefa de tentar disfarçar os estragos que fez o tempo... base aqui, anti - olheiras, rouge, enfim...

Entretanto espreitam mais umas rugas ao redor dos olhos, essas nunca me impedirão de sorrir, passem os anos que passarem

 

 

 

publicado às 20:37

Querida Professora

  

Querida professora

 

Hoje começas uma nova etapa da tua vida, digo nova, porque cada ano que começa é sempre  diferente para ti... novas estratégias, novos sonhos, projectos diferentes , mas sempre o mesmo objectivo: fazer de nós cidadãos reponsáveis , incutindo-nos valores que servirão para nos tornarmos  pessoas justas, honestos e coerentes.

Cada um de nós é único e tu sabes fazer essa distinção melhor que ninguém. Não falas para uma audiência, falas para mim, para o meu colega...para cada um..adaptando sempre as tuas estratégias conforme as nossas necessidades, fazendo-nos sentir especiais.

Tenho a certeza que nos vais dar o melhor de ti, apesar de nem sempre ser reconhecido o valor que tens na construção de um país do qual nos possamos orgulhar.

Quero dizer-te que tudo farei para que nunca te arrependas de passar muitos serões a trabalhar, muitas horas que roubarás aos teus filhos e á tua família para que agarremos com alegria , ânimo e vontade tudo o que nos queres ensinar.

Precisamos da tua energia, força, coragem, entusiasmo e determinação para que te possamos seguir sem medos e seres amanhã um ponto de referência nas nossas vidas, principalmente quando nos sentirmos perdidos.

Sei que muitas vezes sentirás vontade de largar tudo, sim...porque   o teu trabalho não se limita  apenas ás horas que passas connosco, (embora haja muita gente que não o saiba), são inúmeras as reuniões em que tens de participar, papéis que tens de preencher, actas, planificações, horários disto e daquilo,  enfim...burocracia, que dispensarias e que se pudesses escolher, preferirias estar a fazer aquilo que escolheste e que mais gostas: ensinar.

Para terminar, prometo-te que tudo farei para que um dia quando me encontrares, possas orgulhar-te do teu trabalho , esforço e dedicação e dizer: VALEU A PENA! 

 

 

 

publicado às 11:51

Pesadelo

 

Hoje acordei cedo, tive um sono agitado e alguns pesadelos, penso que foi por ter visto  o debate político na Tv, eu que me recuso a ver filmes de terror, ontem não resisti e aguentei, com algum esforço, o drama de duas pessoas que lutam até á exaustão, para ver qual dos dois será o próximo a fazer da vida dos outros uma tragédia.

Quando criei este blog, prometi a mim mesma nunca falar de política e confesso que não estou nada arrependida por ter tomado esta decisão, se dúvidas tinha, desfizeram-se todas a noite passada.

Mal ou bem, vou continuar a deixar por aqui as minhas histórias, os meus desabafos, as minhas alegrias e tristezas, a música e sabe-se lá o que virá a seguir...política?...não...dispenso.

 

publicado às 09:30

Kridaaaaaaaa???!!!

Margarida esperou que a última nesga de sol desaparecesse no horizonte, um momento que lhe provocava alguma nostalgia, sempre conviveu mal com as despedidas e ausências apesar desta ser bem diferente. Sabia que bastava esperar por um novo amanhecer que ele voltava e pensou quão curiosa é a natureza, que assume compromissos de regresso em troca de nada ; as flores reaparecem todas as Primaveras, as estrelas fazem-se presentes todas as noites, ininterruptamente e em ciclos perfeitos  a terra oferece-nos, em sítios aparentemente sem vida e após um Inverno desconfortável, a alegria e o cheiro de campos inundados de cor.

Embrenhada que estava nos seus pensamentos ,  quase se estava a esquecer de comer, não fosse uma dor fininha no estômago.

Um pouco mais atrás, uma esplanada, música e o burburinho de pessoas , fê-la pensar que ali podia estar o sítio ideal para comer qualquer coisa e terminar o seu dia da melhor forma.

Quando se aproximou, viu com algum desânimo que a esplanada estava cheia, no entanto por detrás havia uma sala enorme completamente vazia. Na porta que dividia estes dois espaços, três funcionários conversavam animados, tudo estava controlado, os clientes todos servidos.

-Por favor, posso jantar? - perguntou.

-Só se esperar, estamos a servir este grupo, talvez daqui a três quartos de hora estejam despachados - disse um deles com ar de satisfação, daqueles que adoram dizer que não.

-Mas a sala está vazia, eu não me importo de comer ali dentro.

-Ai kridaaaaaaa, não pode não, não temos quem a sirva.

Margarida , não queria acreditar...Kridaaaaa?! Ele disse Kridaaa, mas que é isto?!!! Desde quando se tratam as pessoas assim? Detestava que certos termos que deveriam ser utilizados em contextos apropriados, fossem profanados e banalizados daquela forma.

Semicerrou os olhos, fitou-o com algum desdém e antes de virar costas respondeu.

-Espanta-me não haver ninguém para servir, afinal o que está o senhor aqui a fazer? (acentoou bem a palavra senhor).

Margarida nem chegou a ver a reacção dele, mas isso já não tinha importância. Será que tinha sido suficientemente clara para que ele entendesse a incorrecção do tratamento?

No dia a seguir voltou ao bar, felizmente o "Krido" não estava lá.

publicado às 21:16

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