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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

A despedida

Antes de partir subiu à varanda do primeiro andar.

O mar estava estranhamente calmo; as ondas que se espraiavam sem força no areal, pareciam perceber a tristeza de alguém que se despedia, de quem tinha sido fiel companheira nas tardes  de todas as estações.

Madalena inspirou o cheiro da maresia, ia sentir falta das manhãs em que abria a cortina do quarto para saber o tempo que ia fazer, que roupa devia vestir. Se a barra no horizonte longínquo aparecia cinzenta , mesmo que o resto do céu fosse azul, ela sabia que no final da tarde tudo se cobriria de nuvens escuras, a não ser que uma nortada surgindo não se sabe de onde, afastasse para bem longe o negrume das nuvens encasteladas.

Naquela manhã de Abril  já se notava o cheiro a Primavera, os sons eram outros... pássaros cruzavam-se em voos rasantes mesmo em frente dela, soltando chilreios, denotando uma azáfama de quem tinha que procurar, uns comida para os filhotes já nascidos, outros dando os últimos retoques nos ninhos com restos de galhos que transportavam nos bicos.

No jardim começavam a nascer as primeiras flores que ela tinha plantado. Aquele cantinho do lado esquerdo era só dela. Tinha emoldurado com pedras o canteiro dos jacintos, frésias, amores perfeitos, dálias, petúnias e prímulas. Mais atrás os arbustos  maiores já há muito tinham colorido aquele espaço...malmequeres de várias cores, alfazema e as folhas verdes e brilhantes das hortenses, prometiam cobrir-se de flores azuis um pouco mais tarde. Muitos bolbos estavam ainda escondidos e floresceriam algum tempo depois da sua partida.

O cão preto, um rafeiro de nome pomposo " Prestige" , que constrastava com o aspecto magricela, dormitava estendido na tijoleira que o sol já tinha aquecido.

Preparava-se para se despojar de grande parte da sua vida, ia trocar o certo pelo incerto, a estabilidade fictícia pela incerteza do futuro que desejava ser melhor. Tinha consciência e lucidez suficiente para perceber os riscos que ia correr, mas percebeu que um ciclo tinha chegado ao fim e sentiu-o  com tanta força que em tempo algum duvidou que estava a tomar a melhor decisão.

Olhou pela última vez á sua volta, fechou a porta da varanda, desceu as escadas.

Na mala ainda aberta colocou  uns livros, algumas fotos e a música que não iria dispensar  nas noites silenciosas de um futuro que se adivinhava bem diferente.

 ....E partiu...

 

publicado às 08:38

Caminhos cruzados

 

imagem retirada da net

 

Sentou-se na esplanada em frente ao mar, pediu um café e por ali ficou imersa em pensamentos.

Não tinha de ir para lado nenhum, ninguém a esperava, o tempo estava por sua conta.

Sabia-lhe bem passear o olhar por quem passava e por quem estava. Era comum nela, como se de passatempo se tratasse, tentar adivinhar os estados de alma das pessoas que por ali andavam.

Nada confirmava se as suas conjecturas silenciosas estavam certas ou erradas, mas também isso não era importante, nada alteraria o rumo natural dos acontecimentos.

Enquanto se perdia em divagações, pensou nas pessoas que se tinham cruzado no seu caminho... todas tão diferentes! Era essa diversidade que fazia com muitas vezes se interrogasse sobre a razão da passagem de algumas  na sua vida. A umas o tempo já tinha dado reposta, outras, apesar de muito tentar, continuava a ser uma incógnita o porquê da partida, da permanência ou da chegada.

Lembrou-se das que partiram e que deixaram saudades, algumas delas não voltariam mais. Aprendeu que nada nesta vida é permanente e guardava-as com carinho no coração, era o único consolo que sentia quando desejava ardentemente que nunca tivessem saído da sua vida.

Lembrou-se daquelas que tinham aparecido como relâmpagos que por breves momentos iluminaram o seu caminho, deixando-a a seguir mergulhada numa escuridão que julgou ser eterna.

Ah...e aquelas que deixaram marcas, que, mesmo sendo  dolorosas,  a transformaram na pessoa forte, tolerante e lutadora que hoje se orgulhava de ser... pelo menos sabia o que não queria, mesmo que voltassem a cruzar-se de novo, limitar-se-ia apenas a sorrir e sabia exactamente onde ficava o próximo desvio. 

Lembrou-se dos caminhos que trouxeram até ela, pessoas que a ensinaram a acreditar, a sorrir, a amar, a lutar, a perseguir os seus sonhos, a nunca desistir...dos que lhe pegaram na mão e que durante algum tempo caminharam lado a lado...chegou a pensar até, e de tão bem que a fizeram sentir, que seguiriam sempre com ela, que não haveriam desvios, que estariam sempre juntos...mas...como se enganou!

 

O homem sentado na cadeira ao lado continuava a ler o jornal, o casal  mais ao fundo, parecia esquecer que se conheciam há anos, os diálogos tinham-se esgotado... o grupo de raparigas, com risos estridentes, falavam do colega que todas desejavam conquistar, mas que ali em grupo não o queriam admitir, disfarçando com palavras  mais ou menos desdenhosas, alguns atributos que exageradamente substimavam.Mesmo ao lado dela um casal de namorados, de mãos entrelaçadas, olhavam-se... não eram necessárias palavras, os olhos eram o espelho da grande paixão que viviam...

Continuou durante muito tempo, sem saber quanto,  a vaguear com o pensamento, a tentar descobrir  porque estava ali, porque se cruzou com aquela gente.

No final do dia todos seguiriam  rumos bem diferentes, uns carregando o peso de uma vida sem sentido, outros sonhando com o amor eterno embriagados numa paixão que desejavam não tivesse fim.

 

Lentamente levantou-se... lançou o último olhar ao sol que no horizonte, embrulhado com algumas nuvens, se preparava para seguir a eterna e bem definida trajectória, de um percurso, esse sim sem desvios...também ele se tinha cruzado com ela naquela tarde.

 

 

publicado às 01:27

A resposta que dá que pensar.

Recebi este e-mail a 18 de Janeiro de 2005, nunca tive coragem de o apagar.

A mensagem é forte  e mais uma vez somos levados a reflectir sobre o que é realmente importante neste mundo em que vivemos.

Continua actual  a resposta dada pelo então ministro da educação brasileiro Cristovam Buarque durante um debate numa universidade americana.

 

"Cristovam Buarque foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia ( ideia que surge frequentemente nalguns sectores da sociedade americana e que naturalmente incomoda os brasileiros)

Um jovem americano fez a pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro.

 

Esta foi a resposta do ministro:

 

De facto como brasileiro  eu sempre falaria  contra a internacionalização da Amazónia. Por mais que os nossos governos não tenham tido cuidado com esse património, ele é nosso. Como humanista sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

Se a Amazónia, sob a ética humanista deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas petrolíferas do mundo inteiro...o petróleo é tão importante para o bem estar da humanidade, quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso os donos das reservas, sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo  e subir ou não o seu preço.

Da mesma forma o capital financeiro dos países ricos, devia ser internacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos, não devia ser queimada pela vontade de um dono ou de um país. Queimar a Amazónia é tão grave como o desemprego provocado por decisões arbitrárias dos especuladores globais.

Não podemos deixar que as reservas financeiras, sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazónia eu gostaria de ver internacionalizados, todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas á França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar que esse património cultural seja manipulado e destruído por um proprietário, ou por um país.

Não faz muito tempo um milionário japonês, decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre; antes disso aquele quadro devia ser internacionalizado.

Durante este encontro os Estados Unidos estão a realizar o Fórum Milénio, mas alguns presidentes de países, tiveram dificuldade em comparecer, por constrangimentos na fronteira dos Estados Unidos. Por isso acho que Nova Iorque como sede das Nações Unidas devia ser internacionalizada. Pelo menos Manhattam, Paris, Veneza, Londres, Rio de Janeiro, Brasília Recife...cada cidade com a sua beleza específica, com a sua história devia pertencer ao mundo inteiro.

Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos também os arsenais nucleares dos EUA, até porque eles já demonstraram que são capazes de usar armas, provocando uma destruição milhares de vezes superior que as queimadas da Amazónia.

Nos seus debates os candidatos á presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas naturais do mundo em troca da dívida. Comecemos por utilizar essa dívida, para garantir que cada criança tenha possibilidade de comer e de ir á escola.

Internacionalizemos as crianças, tratando-as todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro, ainda mais do que merece a Amazónia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um património da humanidade eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.

Como humanista aceito defender a internacionalização do mundo, mas enquanto o mundo me tratar como um brasileiro lutarei para que a Amazónia seja só nossa. Só nossa!"

 

Desconheço se ainda haverá alguns americanos a querer internacionalizar a Amazónia, devíamos sim abraçar todas as crianças que passam fome e são maltratadas independentemente da raça, da cor, do credo religioso ou do país.

 

Ps. Este discurso foi censurado e não foi divulgado.

 

 

publicado às 23:21

Amor é....

 

 

 

 

A Libel http://libel.blogs.sapo.pt/   lançou-me um desafio inesperado, fiquei um pouco atrapalhada, mas o pior foi dar-me um certificado de melhor aluna , mesmo antes de mostrar o trabalho de casa... grande responsabilidade!

Vem isto a propósito de um comentário que lhe enviei e ela respondeu:

Disse ela:

TPC`s para casa: descrever o Amor em cinco palavras começadas por "A"....conta 20% para avaliação.....preparada???...lol..
 

De início pensei pregar-lhe uma partida e responder:

As cinco palavras começadas por "A" para descrever o Amor são:

Amor
Amor
Amor

Amor

Amor

Porque amor não se descreve, sente-se e vive-se.

Como sou uma aluna cumpridora, apesar de não ter as melhores notas, não vou esquivar-me ao desafio proposto.

 

Amor-Alegria de viver, de ser, de estar junto, de partilhar.

 

Amor- Alento nas horas difíceis, uma mão sempre estendida um ombro onde podemos apoiar-nos.

 

Amor-Amizade porque o amor ficará mais forte se houver cumplicidade, diferença de ideias e objectivos em comum, independentemente da atracção sexual.

 

Amor-Afirmação do direito integral e único do ser humano.

 

Amor-Aprender a ser, a transformar, a tolerar, a aceitar, a ouvir , a calar, a compreender, a respeitar, a dar, a receber, a cuidar e a proteger.

 

Se alguém quiser acrescentar mais alguma coisa, estejam á vontade, pode começar por qualquer letra.

 

publicado às 21:39

Parabéns 100jeito!!!

Hoje é uma data especial para mim e para alguém responsável pela minha presença na blogosfera...falo da minha amiga...100jeito....Faz hoje um ano que começou a escrever, contrariamente ao nome do blog, coisas com jeito, de uma forma clara, genuína e muito sincera...retalhos do dia a dia de uma jovem que como tantas, ri, canta, dança, chora, ama e vive a vida com um entusiasmo salutar.

Foi ela que um dia me encorajou para que também eu criasse este canto. Pacientemente e através do msn. foi-me dando todas as instruções para que aqui houvesse luz...lembro-me como se fosse hoje ...dizia ela :

- Vá agora ali...faça guardar alterações...passamos para onde diz ...número de posts...etc...etc...etc...

Para ti amiguinha, que tanto me ensinaste, desejo que continues a ser Tu e ñunca o que os outros querem que tu sejas, sabes porque digo isto não sabes?

Muito obrigada pela tua presença.

Daqui a um ano quero bisar este post...não esqueças.

Muitos beijinhos

Manu

.
publicado às 11:59

Silêncio

Lá fora ficaram as montras, os devaneios, os sorrisos, a vaidade...banalidades que me acompanharam sem certezas de verdades.

Lá fora quem fui?... Menina?... Mulher?... Mentira?... Ou apenas um pouco de nada?

Agora cá dentro, quero desafiar o tempo, passar-lhe á frente, ignorá-lo, como se o tempo que tenho, não fosse aquilo que  resta.

Ficou  a noite... o despir de tudo o que fui.

Ficou o silêncio de um quarto, de um sonho desfeito, de um presente, de um momento, de um olhar, de suspiros, de saudade...

 

 

publicado às 07:40

Coisas Banais

A dona deste canto também gosta de coisas que não lhe dão que pensar, sabiam?

Ela medita, analisa, faz perguntas, reflete, lê... não preciso dizer muito mais, vocês lêem o que ela vai escrevinhando por aqui.

Há dias resolvi segui-la sem ela dar por isso ,  nem imaginam o que eu descobri...

Entrou em tudo quanto é loja, experimentou uns quantos pares de sapatos, mas acho que não comprou nenhuns...hum...pareceu-me esquisita quando se trata de calçado... depois foram vestidos, saias, casacos de vários tamanhos e cores, ouviu a opinião da  vendedora, pavoneou-se em frente ao espelho, rodopiou, vestiu, despiu... só de estar a olhar fiquei farta...bom, mas sempre comprou alguma coisita, penso que um vestido...ouvi-a dizer que adora vestidos.

Paragem seguinte...perfumaria...ui... risco e sombras nos olhos, blush, deliniadores de lábios, batons... a páginas tantas de tanto limpar, parecia uma pele vermelha...intervalou com uma investida nos perfumes...borrifa aqui, borrifa ali, ora no papelito, ora nos punhos, tanta coisa para no fim se decidir por um creme de corpo.

Pensam que acabou a peregrinação pelas lojas?...nãooooooooo...

E os óculos de sol? Pois... os que tinha usado no Verão estavam todos riscados de andarem misturados com a areia...vá lá...fiquei admirada porque parecia que sabia bem o que queria e comprou uns que nem lhe ficam nada mal.

Pareceu-me cansada de tanto entrar e sair, de vestir e despir...e sabem onde se foi meter? Imaginem...cabeleireiro...isso mesmo. Tinta para cima, acho que fez bem, os cabelos brancos já teimavam em espreitar e não gosto nada de a ver assim.

Pegou numa revista daquelas que falam de quem namora com quem, quem se separou, as plásticas que fizeram...

A avaliar pela velocidade com que mudava de página pareceu-me  que estava farta daquilo. A certa altura notei que estava muito concentrada a ler qualquer coisa...fui espreitar...tinha que ser, porque é que já não me surpreendo?!

Consegui ler isto:

 

" Somos um meio de transporte. De folhas secas, de barcos, de ideias. Que as nossas águas sejam sempre generosas, que possamos sempre levar adiante todas as coisas ou pessoas que precisarem da nossa ajuda."....e mais..."Estamos sempre diante da primeira vez. Enquanto nos movimentamos entre a nossa nascente (o nascimento) e o nosso destino( a morte), as paisagens serão sempre novas. Devemos encarar todas estas novidades com alegria, e não com medo, porque é inútil temer o que não se pode evitar. Um rio não deixa de correr jamais" .

 

O autor era Paulo Coelho,  não admira que estivesse assim tão concentrada, ela já leu quase tudo dele e penso que gosta.

 

Foi um dia cansativo... finalmente resolveu regressar ao seu canto, pelo caminho ia-se mirando nos vidros das montras...que vaidosa que ela é!!!

publicado às 00:08

Comentário aos comentários

Caros amigos e amigas

 

A propósito do último post "Ser Transparente",  em vez de responder individualmente a cada um que teve a gentileza de expor a sua opinião, resolvi fazer um agradecimento único e muito sincero, a todos vós.

O que me levou a tomar tal atitude, foi a excelência do que  escreveram,  qualquer que fosse a minha resposta ficaria muito aquém do que realmente sinto.

Confesso que ainda não consigo ser suficientemente transparente, para deixar aqui  o que me vai na alma, mas acreditem que ando a tentar. Munida de uma enorme broca que perfura lentamente a carapaça que criei ao longo dos anos, espero um dia poder vislumbrar um raiozinho de sol e ser capaz de pôr em prática o que li na mensagem enviada por uma amiga.

Quero:

Chorar sem ter medo que vejam que estou triste.

Ter a humildade suficiente para pedir ajuda.

Falar do que me faz sofrer.

Partilhar os meus medos.

Mostrar as minhas fragilidades sem receio de ser julgada.

Deixar de uma vez por todas de sorrir quando o que me apetece é gritar.

 

Erradamente pensei que ninguém tem obrigação de carregar os meus problemas, as minhas mágoas, as lágrimas, os contratempos, os enganos, e todas as minhas dores.

De sorriso fácil e sincero, acreditem, criei a imagem de uma pessoa isenta de complicações e situações  difíceis. Nunca mais esqueço o a pergunta que um dia alguém me fez:

- ...mas... tu não tens problemas?

Lembro-me que respondi:

-Claro que tenho, mas se tos contasse, além dos teus, passarias a carregar com os meus e isso não é justo.

Hoje conclui que a minha capa de mulher forte impede que todos os que partilham a minha vida, possam  demonstrar o quanto se preocupam comigo e de me apoiarem quando mais preciso, porque eu, um pouco inconscientemente, lhes devolvi apenas sorrisos.

 

Muito obrigada:

Cuidando de mim...

onix

 libel

entremares

Marta M

...e a todos quantos me leram e não deixaram comentário

 

Sou uma pessoa com sorte...obrigada por estarem aqui.

 

 

 

 

publicado às 19:03

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