Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Mulheres ao volante

Já lá vai o tempo em que se dizia: "mulheres ao volante perigo constante", hoje elas não têm medo, são destemidas e segundo as estatísticas são causadoras de menor número de acidentes do que os homens.

O tempo em que nós mulheres éramos insultadas pelos homens ao menor deslize, já passou.

Sempre achei uma falta de respeito, educação e abuso quando algum "chico esperto", abria o vidro e soltava impropérios contra a nossa maneira de conduzir.

Hoje tudo se alterou, mas infelizmente muitas mulheres, ainda bem que não todas, estão a adoptar a mesma postura que o sexo oposto teve em tempos.

Vem isto a propósito de uma situação que vivi este fim de semana em Lisboa.

Considero-me uma pessoa com facilidade de conduzir, mas , não sei porquê, tenho uma espécie de fobia ao fazê-lo em Lisboa. Vou para outras cidades, inclusive o Porto, que é acusada de ter um trânsito caótico, mas nem mesmo  aí tenho problemas.

Ia na faixa da direita , numa rua com dois sentidos e precisei  mudar para a esquerda. Abri o pisca e convencida que o podia fazer em segurança, avancei, contudo fui surpreendida por uma valente buzinadela. Dizem que há uma altura em que por breves momentos deixamos de ver, apesar de olharmos para o espelho, o carro que nos vai a ultrapassar, pois foi isso que aconteceu. Imediatamente levantei a mão pedindo desculpa, mas não foi suficiente.

Assim que puderam ultrapassar, três meninas fizeram questão de afrouxar ao meu lado, gritar uma série de asneiras acompanhadas de gestos muito pouco correctos..

Fiquei sem palavras, de boca aberta e chocada com semelhante atitude.

Espero que um dia, as mulheres que têm comportamentos destes , parem e pensem que não é desta forma que se dignifica e promove uma boa conduta na estrada, nem será assim que provaremos aos homens que em matéria de condução somos bem melhores que eles.

Afinal, o que é a pobreza?

No início de Outubro fiquei a saber que o meu filho iria estar longe de mim até 4 de Janeiro.

Já estou habituada ás suas ausências, mas esta seria a mais longa. Pensei no Natal, na passagem do ano, embora há muito esta época tenha deixado de ter o significado de outrora.

O destino levou-o até Kalicut na India e Jedah na Arábia Saudita.

As mensagens, os telefonemas e as fotos , iam minimizando a saudade.

Fui surpreendida com a notícia de que a empresa lhe tinha dado dez dias de férias.

Apesar do cansaço devido ás muitas horas de voo, tivemos de pôr a conversa em dia. Eu falei da minha viagem e ele das dele.

Da mala saiu um lindo Sari, onde me embrulhou entre risos e falta de jeito para pôr a preceito o fato que usam as mulheres indianas.

Como sempre houve muitas gargalhadas enquanto mostrávamos um ao outro as fotos e filmes que tínhamos trazido das nossas viagens.

As conversas que temos, além da alegria dos reencontros terminam sempre com uma parte séria e alguma reflexão. Falámos de pobreza... mas afinal o que é a verdadeira pobreza?

 

- Mãe, toda a gente sorri, todos são simpáticos, o funcionário do hotel com quem mais convivo, ganha 50 euros por mês, descansa apenas 3 dias e ainda nos convida para ir a casa dele beber um copo.

Nunca tive de abrir uma porta, não porque ser alguém especial, fazem isso a todos. O trânsito é um caos, (mostrou-me um filme que comprova isso mesmo), anda -se pela esquerda, pela direita, pela berma, não gritam, não barafustam, não dizem palavrões... e lá vão andando.

Entro num bar, peço uma cerveja, o copo é passado por água, não há detergente...é um luxo, se quero uma chamuça para acompanhar, vou ao carrinho de rua mais perto, e é-me dada uma com a mão, não há guardanapos, nem tenazes... a princípio pode parecer estranho, mas não estou ali para mudar hábitos, ou me adapto ou desisto, o certo é que continuo de boa saúde.

-Um dia resolvi sair sozinho até uma aldeia próxima... esgotos a céu aberto, as vacas que passeiam na rua e meninos...muitos meninos e meninas que assim que me viram, vieram ter comigo e me perguntaram de onde era. Quando lhes disse que era português , imediatamente me falaram do Ronaldo. Os sorrisos e brincadeiras continuaram, sem brigas nem agressividade.

 

- Filho...tal como tu e apesar de ter estado noutro continente, vi também gente descalça, mal vestida ( o que será andar bem vestido?), gente que andava sem pressa pela rua, que acenava de sorriso nos lábios á nossa passagem, que nos pegava na mão quando precisávamos, que nos ajudava, talvez com a esperança de receberem uns míseros schillings, mas que era isso para nós...comparado com a alegria e felicidade que víamos estampadas naqueles rostos?!

 

Esta tarde aproveitou para resolver alguns assuntos.

Entrou numa loja de uma operadora de telemóveis, tirou a senha, três funcionários... uma cliente a ser atendida... ninguém deu por ele, nem olharam sequer; passados alguns instantes um deles, sem levantar os olhos chamou...:-"22", como se a sala estivesse cheia de clientes.

Horas depois foi marcar uma consulta de oftalmologia, a funcionária que estava ao telefone a contar a alguém o que tinha feito no fim de semana, afastou ligeiramnete o auscultador e lá perguntou o que queria.

Consulta marcada para as dezasseis horas, chegou quinze minutos antes, foi chamado ás dezassete e trinta, isto numa clínica privada.

Mais tarde falávamos na falta de empenho, de entusiamo, de simpatia de pessoas, que apesar da crise de emprego que vivemos, parecem nem dar valor á sorte que têm por ainda terem onde trabalhar.

Não podemos deixar de comparar a realidade que se vive entre países que consideramos pobres e outro que não é rico, mas que teima em fingir que é.

Afinal, onde está a pobreza? Quem é mais pobre?

 

 

África Minha / Na Rota das Especiarias

Cravinho, baunilha, canela, noz moscada...especiarias que só tinha visto e sentido na minha cozinha, estavam agora ali, ao meu redor, disfarçadas, desafiando-me, como que a dizerem:

-Vá descobre-me...quem sou eu?

Toquei nas folhas, cheirei...algumas acertei, mas aquela árvore de tronco esguio..ah essa...não consegui, só quando uma fina lasca foi cortada e me foi dada a cheirar é que descobri. Que aroma!!!...Era a canela!

Mais á frente um coqueiro, outro e mais outro... de repente alguém, com uma agilidade impressionate começou a subir a um deles, cantando...Hakuna Matata

 

Éramos seguidos por meninos e meninas que nos observavam cheios de curiosidade, tentando estudar-nos. Iam arrancando folhas compridas e afiadas e com destreza de verdadeiros artesãos iam saindo daquelas mãos de dedos finos e ágeis, peças surpreendentes.

Um deles, a medo, pegou-me na mão e delicadamente enfiou no meu dedo um lindo anel verde em forma de estrela. Fiquei sem saber o que dizer, não conseguia entender aquele gesto  tão simples e natural para uma criança, mas tão comovente e inesperado para mim. Esbocei um sorriso, agradeci, mas tive a sensação que o meu agradecimento não era suficiente...aqueles olhos pediam algo mais e eu não estava a perceber o quê.

Continuei a visita...provei frutos desconhecidos até então, mas o olhar daquela criança continuava a intrigar-me.

Pequenas casas de telhado de colmo iam surgindo e por detrás das janelas , olhos curiosos espreitavam , fazendo um enorme esforço para se manterem quietas.

Peguei na máquina fotográfica e pedi a um deles: -May I ?

Quando acabei de fotografar fui surpreendida com um pequeno gesto do indicador e polegar acompanhado de uma palavra..."Propina"... fez-se luz! Rapidamente abri o porta moedas e distribui alguns shillings...os rostos dos meninos iluminaram-se, sorriram, agradeceram e aos pulos correram a contar aos mais velhos. Tinha sido desvendado o significado de um olhar, o meu anel continuou durante todo o dia no dedo e um sorriso de criança gravado no meu coração.

África Minha/ A Primeira Noite

 

 

Há a noite em que pela primeira vez adormecemos ao lado de alguém, outra em estendemos o braço e sentimos a ausência de quem partiu, a noite em que pela primeira vez embalámos um filho, ou ainda aquela em dançámos até amanhecer e há...a minha primeira noite em África.

 

Cheguei aqui a 3 de Novembro. Fui invadida por sensações novas... o cheiro, o calor húmido, o trinado de aves que nunca tinha escutado, a noite que apareceu de repente, a escuridão que não deixava descobrir o que ladeava o caminho ao longo de uma estrada iluminada apenas pelos faróis do jipe que nos levou até ao nosso destino.

Envolto em espesso arvoredo, de arquitectura colonial, surgiu  o hotel onde iria passar a primeira noite em África. Apesar de já ter visitado Cabo Verde e Marrocos, senti que esta viagem iria ser diferente, iria conhecer um continente que conhecia apenas dos bancos da escola primária...palavras como : savana, selva, animais selvagens...iriam deixar de fazer parte do meu imaginário e tornar-se realidade.

Cada quarto era uma cabana de telhados de colmo, pareciam  casinhas de bonecas cuidadosamente alinhadas ao longo de um corredor empedrado, enfeitado de flores e de bananeiras donde pendiam cachos amarelos de frutos já maduros. Em frente, crescia imponente uma enorme árvore de tronco recortado e de folhagem frondosa, que amenizava com a sua sombra o calor abrasador que se fazia sentir em tardes ardentes... era  acolhedor o meu quarto... camas protegidas com rede mosquiteira,  impediam que fosse atacada por insectos, embora saiba que nem mesmo esses bichinhos querem nada comigo e ao longo da viagem, apesar de ter sido avisada e aconselhada a barrar-me com repelente, nunca nenhum se atreveu a atacar-me.

Estava estoirada, depressa adormeci. Acordei já o sol ia alto...pensava que era tardíssimo. Olhei para a cama do lado e vi que ainda dormia.

Levantei-me pé ante pé, vesti um roupão branco, peguei na máquina fotográfica e bem devagar abri a porta.

Respirei profundamento aquele ar diferente, não queria desperdiçar aquele momento, apurei todos os sentidos. Passei suavemente as mãos pelo tronco das árvores , debrucei-me sobre plantas e flores que nunca tinha visto.

O chilrear das aves era ensurdecedor, sem ser incómodo. Registei tudo o que não queria perder e o clique da máquina era o único som que destoava no ambiente que me rodeava.

Que estranho terá parecido a dois funcionários que passaram, ver a minha figura a nadar dentro de um roupão enorme, vagueando por ali áquela hora da manhã... nem sabia que horas eram, fiz questão de não levar relógio.

A certa altura comecei a achar estranho não ouvir qualquer sinal de acordar dos meus vizinhos. O silêncio continuava. Resolvi entrar no quarto...muito devagar...apesar de todo o cuidado, não pude evitar tropeçar numa mala, logo á entrada.

-Que andas a fazer?

-Fui á rua, já deve ser tarde, não te levantas?

-Sabes que horas são?

-Não faço ideia, mas deve ser tardíssimo.

-Disparate, não sabes que aqui amanhece cedo? São seis e meia. Dorme...

Eu não sabia, claro que não, era a primeira noite na Tanzânia.

Deitei-me novamente e esperei ansiosa pelo despertar de quem dormia, de todos os que nem sonhavam que estavam a perder o espectáculo fantástico daquele amanhecer em África.

 

Ps: Quem quiser pode ir vendo em http://existeumolhar.blogs.sapo.pt/  fotos que vou colocando sobre esta viagem.

Até logo!

 

 

 

 

A mala está aberta no meio do quarto... em cima da cama montinhos de roupa; sapatos, chinelos, as sapatilhas, os chapéus...tudo está espalhado. pelo chão...é a confusão geral!

Surgem sempre as mesmas dúvidas quando vou viajar...será que levo roupa a mais?...ai, não, melhor sobrar que faltar...e o peso? E se vier uma noite mais fresquinha...melhor levar um casaco...ah... aquele vestido ali ...fica-me tão bem...e não pesa muito... não me posso esquecer dos chapéus...ocupam tanto espaço, mas vou precisar deles, calor não vai faltar.

Revejo pela vigésima vez a lista de coisas que não posso esquecer, entretanto acrescento mais algumas...pequenas coisas que as mulheres gostam, mesmo que nem cheguem a precisar delas...a bijouterie, os cremes, os lenços, perfume...enfim...amanhã voltarei a pôr e a tirar e só quando não poder adiar por mais tempo, aí sim...fecho a mala.

Uma coisa muito importante não quis deixar de fazer...justificar a minha ausência.

Durante alguns dias e com muita pena minha, não poderei estar por aqui...talvez uma escapadela de vez em quando me permita pelo menos ler o que escrevem e continuar a saber um pouco de vós. Nunca imaginei que ter um blog fosse uma forma de estar perto, de comunicar, de aprender, de criar elos, de desabafar, de rir...uma partilha constante de emoções e conhecimentos! Esta para mim é uma enorme família  que gosto de visitar, de sentir, de prescutar o que de mais profundo vai no coração de cada um, uma família unida pelas palavras, palavras que tantas e tantas vezes, como que por magia surgem na hora certa, que são conforto, ânimo, incentivo, coragem... e que muitas vezes, são  a única coisa bonita no dia de alguém.

Vou ter muitassssssss saudades!

 

 

 

Ah...não posso esquecer o meu caderninho, quero registar os momentos mais importantes...depois conto a minha aventura na selva.

Até logo.

Mais sobre mim

imagem de perfil

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D