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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

O Deus que inventei

 

Contaram-me tudo sobre Ele quando era mais nova.

Foram anos de histórias lidas sobre alguém que eu não conhecia, mas era tamanho o fervor com que se dissertava sobre o seu poder, a magnificência, a infinita bondade, como criou o mundo, como podia penalizar quem não cumprisse as leis que proclamava, sobre a eterna disponibilidade de ajudar e proteger nos momentos difíceis...que...qual criança curiosa e minimamente obediente, segui durante anos a fio os ensinamentos e cultos que me vi obrigada a cumprir

A rotina instalou-se...Ele fazia parte do meu dia a dia...catequese, missas, cânticos, colégio de freiras onde de manhã o despertar era um estridente bater de palmas e meia estremunhada , lá ia rezando as três avé-marias e onde missa diária era obrigatória.

Curiosamente sempre aceitei estas práticas e sem custo lá ia vivendo as rotinas religiosas, sem questionar, sem barafustar mesmo quando tinha de andar dois quilómetros para ir á missa, ou quando a minha mãe se lembrava de pegar nos filhos e ir a Fátima a pé...treze quilómetros bem sofridos.

Hoje penso que o exagero desta religiosidade era prenúncio de que mais tarde, por motivo de trabalho não voltaria a pôr os pés numa igreja. Habituei-me nestes anos de ausência a agradecer-lhe todas as noites o facto de estar viva e perguntei-lhe se por acaso Ele sabia se eu aguentaria a vida atribulada que me tinha destinado. Um dia pareceu-me ouvi-Lo dizer que a vida que tinha era fruto das minhas escolhas. Pelo menos não se zangou nem cobrou por eu não o visitar tanto como devia.

Muitos anos passaram, fiz uma criteriosa selecção daquilo que me ensinaram sobre Ele e aproveitei o que achava que podia seguir para me poder transformar numa pessoa mais equilibrada, sem recorrer a beatices nem a práticas obrigatórias.

Continuo a acreditar que Ele é autor de todas as maravilhas que me rodeiam, continuo a agradecer o Sol, a Lua, as Estrelas...o Universo. Disseram que lhe devia chamar Deus, o nome pouco importa.

O Deus que inventei não me castiga, não resolve os meus problemas, não enxuga as minhas lágrimas, não me acompanha em momentos de solidão, não me revela os números do euromilhões, não impede que as minhas rugas apareçam a uma velocidade incontrolável , nem que deixe de gastar rios de dinheiro em tinta para esconder os meus cabelos brancos.

O Deus que eu inventei, está ali naquela flor, naquele amanhecer, nos pássaros que alegram o meu acordar, nas noites estreladas, nos dias de tempestade, no pôr do sol, nos campos repletos de flores silvestres e nas pessoas que me amam.

O Deus que inventei, não sei como provar que existe,  Ele é tudo o que gostaria que fosse, apesar de não o conhecer.

publicado às 12:56

Caminhos Cruzados

(Um rabisco meu)

Há muito que te cruzaste no meu caminho...ensinaste-me a andar, a falar, a sorrir, a ser!

 

E tu? Tu também passaste por mim, julguei que irias ficar, que me acompanharias, que partilharíamos muitos momentos de alegria, mas não...foi com uma enorme tristeza que me apercebi que não te tinha mais a meu lado. Contigo aprendi a ser forte e lutadora, hoje percebi que só  partiste, quando percebeste que eu tinha aprendido aquilo a que te propuseste.

 

Também tu passaste quase sem ninguém dar conta, mas eu, só eu notei a força da tua mão, quando de dedos entrelaçados, me  impediste de cair e me seguraste na altura certa. Pensei... oh como desejei que nunca mais, nem num só instante que a tua a mão se soltasse da minha...mas quase tão suavemente como chegaste...a tua presença se diluiu numa noite triste de Março.

 

 Há quem me tenha ensinado a suportar a dor,  a aceitar  desafios, a tolerar as injustiças, consciente de que só assim poderia evitar que um dia cometesse as mesmas loucuras a que fui sujeita e prometi que jamais infligiria a ninguém a dor que tive que suportar: Permanecemos demasiado tempo na mesma rua  e quando eu tentava, desejava, lutava com todas as minhas forças seguir outro percurso que não fosse o teu, tu...forte, agressivo, prepotente, seguravas-me... e um dia, fui eu, sim só eu, que num relampejo de coragem que eu julgava não possuir...corri, passei para o outro lado...pude finalmente partir.

 

E num Inverno gélido, quando eu pensava  que a solidão era minha companheira de estrada, reparei que alguém me fazia companhia, alguém que pensava estar tão só quanto eu...caminhámos em silêncio... para quê palavras? Tudo o que disséssemos não seria diferente do que já sabíamos. Mais tarde quando o frio se foi e o sol brilhou, ambos percebemos que talvez num outro Inverno nos voltaríamos a encontrar. 

Contigo aprendi que nunca ninguém está verdadeiramente sozinho.

 

Mas tu...sim tu meu amigo, tu que  meteste conversa comigo quando parámos naquela rua, tu disseste-me o que eu nunca queria ouvir, falaste das minhas manias, dos meus medos, apontaste os meus defeitos, olhaste-me com ar carrancudo e mostraste-me sem dó, aquilo que eu tanto desejava esconder. Ah meu amigo...eu sei que antes de atravessares para o outro lado, também sorriste comigo, e me ensinaste coisas que desconhecia até então...companheirismo, cumplicidade, respeito, lealdade. Quando te foste , fiquei a saber avaliar o valor da verdadeira amizade.

 

E quando caminhei naquela rua ladeada de árvores frondosas e de grossos troncos, onde pássaros cantavam,  apareceste tu...tive a ilusão que desta vez alguém me seguiria, que caminharias a meu lado, não haveriam desvios, não vi cruzamentos, a estrada era a perder de vista, não existiam saídas nem atalhos e quis, mesmo sabendo que me estava a enganar, que nunca, mas nunca mais, iriam existir caminhos cruzados.

 

 

publicado às 22:53

Amar será sofrer?

Ele viu-a pela primeira vez e o coração bateu mais forte.

Ela reparou que ele a olhava de maneira diferente, talvez com carinho, seria só isso?

Os olhos dele brilharam mais quando conversaram como se já se conhecessem há muito.

Ficou surpreendido quando recebeu a primeira mensagem dela.

Ela corou quando ele lhe disse que estava muito bonita.

 

Sinais...vão surgindo cada dia mais sinais, criam-se expectativas...será que ele está apaixonado por mim? Será que ela gosta mesmo de mim, ou trata toda a gente com a mesma simpatia?

 

Encontros e desencontros, dúvidas...querem-se certezas, reclamam-se definições, sonha-se todas as noites com o encontro do dia seguinte , com a troca de olhares , procurando cumplicidades, algo que demonstre que foram feitos um para o outro, que têm objectivos em comum, que os dois têm tudo para construir um relacionamento perfeito.

 

Mas...os dias sucedem-se, a incerteza instala-se, um deles começa a amar, a pensar que esta/este é o homem/ mulher da sua vida.

A pouco e pouco assiste-se a um crescendo no desequilíbrio entre afectos que deveriam ser recíprocos e que lentamente se vão tornando prova irrefutável de que afinal  as afinidades não eram assim tantas, que um deles não correspondia aos sinais inicialmente enviados... o que parecia ser um grande  amor, não passou de uma quimera.

Eis que se instala o sofrimento!

Naquele dia não houve encontro, os telefonemas passaram a ser mais espaçados, pequenos gestos de carinho, algumas atenções, surpresas agradáveis, o convite para  jantar que ficou no ar, há muito deixaram de acontecer.

Começam as lágrimas silenciosas em noites que se desejavam cheias de amor.

Começam as esperas infinitas, o coração inventa desculpas para a lucidez que se amaldiçoa quando baixinho ela nos diz:- Não te iludas, não sofras, amar não é sofrer, foge, esquece...

Queremos a tudo o custo calar a voz da razão  que corrói a nossa alma,  como se se tratasse de um demónio que avesso ao amor, nos impede de ser felizes.

 

Tantos lamentos, tanta dor, tantos desabafos, tanta esperança que se vai desvanecendo.

 

Um dia escrevi aqui sobre amor incondicional, esse amor que nada pede em troca, que quer que o outro seja feliz, mesmo que não seja ao nosso lado...amor que só com muita prática e entrega, desapego e compaixão se consegue praticar.

 

Hoje deixo aqui parte de uma oração celta que talvez ajude a minimizar o sofrimento de todos os que amam e não são amados.

 

"Jamais permitas que o teu coração sofra em nome do amor.

Amar é um acto de felicidade, por quê sofrer?

Jamais permitas que os teus olhos derramem lágrimas por alguém que nunca te fará sorrir.

Jamais permitas ficar horas á espera de alguém, que nunca virá mesmo tendo prometido.

Jamais permitas que o teu tempo seja desperdiçado com alguém que nunca terá tempo para ti.

Jamais permitas que paixões desenfreadas te levem para um mundo que nunca existiu.

Jamais permitas que os sonhos dos outros se misturem com os teus, tornando-os um grande pesadelo.

Jamais  permitas viver na dependência de alguém com se fosse inválido(a)

Jamais permitas que teus pés caminhem em direcção de alguém, que só vive fugindo de ti.

Jamais permitas que a DOR, a TRISTEZA, a SOLIDÃO, o ÓDIO, o RESSENTIMENTO; o CIÚME, o REMORSO e tudo o que possa tirar o brilho dos teus olhos, te DOMINEM, fazendo arrefecer a força que existe dentro de ti.

E sobretudo jamais permitas perder a dignidade de SER"

publicado às 13:12

Um ano depois...

 

Passou um ano, parece que foi ontem. Estava sozinha no meu canto quando a minha amiguinha Di me sugeriu que criasse um blog. Nunca tal me tinha passado pela cabeça, nem fazia a mínima ideia como o devia fazer. Passo a passo lá me foi ensinando a preencher tudo o que era necessário  para dar vida ao Cantinho da Manu, o nome também foi ela que sugeriu e aceitei porque era uma das duas únicas pessoas que me chamavam Manu.

 

Sempre sonhei escrever um diário, nunca o fiz,  porque sempre tive medo que alguém descobrisse o que eu tão ciosamente pretendia esconder e agora ironia das ironias , eis-me aqui, publicamente, desnudando-me, expondo-me, abrindo  o meu coração, contando retalhos da minha vida, partilhando alegrias, tristezas, amores e desamores, pensamentos, enfim tudo o que me vai na alma.

 

Não estou arrependida e hoje penso que se tivesse optado pelo diário as folhas amareleceriam e alguém um dia apenas teria o trabalho de colocar mais uma velharia no caixote do lixo.Também aprendi a partilhar, ensinaram-me que os outros são o espelho de nós próprios e que o que gostamos ou não gostamos, reflecte o que queremos manter escondido e que dificilmente ousamos admitir como defeitos que não queremos aceitar.

 

Por vezes penso que deveria dar outra imagem, falar de assuntos mais objectivos, que reflectissem o que penso da sociedade, do mundo, das pessoas, talvez fazer críticas construtivas aos acontecimentos que se vão desenrolando neste nosso pequeno mundo, mas confesso que, por enquanto, não sou capaz e há gente que o faz na perfeição.

Vou continuar a falar de mim, do que penso, da minha vida, do que aprendi, do que de bom e mau fez de mim a pessoa que hoje sou.

 

Quero aprender a aceitar-me, trabalho árduo, eu sei, mas por ser difícil e por gostar de desafios aqui vou deixando um pouco de mim, sem pensar se é bom e se parece bem.

 

Continuo sem me arrepender da frase de Budha que escolhi " Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um, quando partilham ideias cada uma volta com duas" , porque neste meu blog a partilha tem sido uma constante.

 

Para além dos comentários dos amigos e amigas que me visitam e tão carinhosamente me tratam, quero agradecer a foto da mão que o meu amigo Rolando me ofereceu, para além da mão , têm-me oferecido um apoio incondicional, ao Jorge Soares que me sugeriu a criação de um blog de fotos e com uma enorme paciência me ensinou tudo o que existe no meu olhar e como se isso não bastasse convidou-me a participar no Clube da Leitura. Ao Lovenox que me levou para a  esplanada mais famosa de Portugal e para a minha sobrinha com quem tiro dúvidas e peço opinião sobre alguns posts que pretendo publicar, porque sei que ela é sincera e se não gosta diz abertamente e com toda a franqueza o que pensa.

 

Meus amigos, minhas amigas, adorava colocar aqui todos os vossos nomes, acreditem, mas isso seria uma tarefa demasiado árdua, não ficam aqui escritos , mas estão sempre gravados no meu coração com muita amizade e debroados com um enorme sorriso.

Não costumo publicar aqui os selinhos que tão carinhosamente me oferecem , mas hoje não resisto a mostrar um que me foi enviado pelas minhas queridas amigas Libel e Onix.

 O meu blog não é de ouro , os meus amigos esses sim são de ouro.

 

Estive ausente nesta época de Natal e Ano Novo, ainda não visitei ninguém , é o que vou fazer já, já... aproveito para desejar a todos um óptimo 2010.

 

Há um ano atrás estava no meu canto, estes dias...IMAGINEM...estive em Toronto, nas cataratas de Niagara e em Nova Iorque onde fui uma entre um milhão de pessoas em Time Square a dar as boas vindas ao novo ano.

Amanhã, depois, ou daqui a um ano , não sei se estarei por aqui, a vida é sempre imprevisível, apenas hoje, só hoje e neste momento agradeço  e tal como dizia John Lennon:

 

 

"You may say,
I'm a dreamer
But I'm not the only one
I hope some day
You'll join us
And the world will be as one"
 

 

publicado às 22:58

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