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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Relacionamentos

Relacionamentos

 

 

 

Tenho andado um pouco indecisa na escolha dos temas que gostava de escrever . Tinha seleccionado três e não havia forma de me decidir.

De repente e por coincidência veio a resposta, quando li aqui algo que veio ajudar a escolha..."Relacionamentos". Não venho acrescentar nada de novo ao que já se sabe, nem dar uma receita milagrosa para acabar com as dificuldades que hoje se nos deparam, quando se parte para uma relação a dois.

 

Penso que cada vez é mais difícil  equilibrar a forma como nos relacionamos e diminuir o constante e já habitual junta/separa.

É verdade que há uma grande confusão, homens e mulheres andam assustados.

A ausência de valores, ou talvez o meu modo retrógrado de interpretar as coisas (pensarão alguns), faz-me reflectir que ou estou a viver noutro mundo, ou então a palavra relação foi adulterada e que antes aquilo a que chamávamos de amor, cumplicidade, respeito, companheirismo...deixou de fazer sentido.

 

As pessoas têm medo de se comprometer, de viver com...e pensam que a sua liberdade será cerceada, se houver compromisso.

 

Por outros lado há uma avidez de experimentar coisas novas, sensações diferentes, mas o resultado será sempre igual... e cito a autora do artigo..."Tudo começa normalmente com o chamado "boy meets girl". No início ela é gira, divertida e torna-se a mulher da sua vida. Passam imenso tempo juntos, enviam emails, mensagens, telefonam a toda a hora só para mandar beijinhos e saem mais cedo do trabalho só para terem sexo" e tudo termina um dia  "Até que a Maria começa a queixar-se que ele agora lhe liga menos, ele começa a substituir as tardes com ela por mais trabalho e ambos passam a fazer menos sexo (pelo menos um com o outro). Um dia discutem porque ela convida-o para ir jantar a casa dos pais dela, ele recusa, e acabam a relação".

 

 

Eu sei que é preciso engenho e arte para manter uma relação, sei que não é fácil, as pessoas não querem sofrer, muitas estão magoadas e quando partem para um novo relacionamento vão, ou para tentar ultrapassar dores antigas e fechadas para uma verdadeira entrega, ou procurando no outro aquilo que só poderão encontrar dentro delas próprias.

 

Não é fácil partilhar o dia a dia com alguém e se acrescentarmos os problemas que advêm com o nascimento dos filhos e com o stress no trabalho, mais difícil será.

Deixa de haver tempo e disposição para surpreender, para jantares românticos, para uma noite de sexo diferente, para um presente sem data marcada.

Não há tempo para diálogo, para namorar, para enviar a mensagem a meio da manhã.

O tempo é de rotinas.

 

E de repente o perigo espreita, qual manjar divinal, que surge do nada e que aparece como solução para todos os problemas , ou para esquecer os que temos.

Ele/ela, seduz, atrai, há como que um íman que os liga quando se olham pela primeira vez...  não há problemas para resolver, nem contas para pagar, não há discussões... há entusiasmo, há alegria, há vontade de agradar, de surpreender, há conquista...e inicia-se uma relação fora da relação  e tudo se repete...à euforia inicial segue mais tarde ou mais cedo, o desinteresse e afastamento, para já não falar de mais um casamento/relação desfeitos na maioria dos casos; tudo não passou de uma miragem. Não sei se o crime compensa.

 

Nesta época  tão conturbada socialmente, de tantas alterações rápidas de comportamentos, dou por mim a perguntar, quem terá inventado a monogamia...será que andamos a contrariar desde os primórdios, uma coisa que é inata, que alguém se lembrou de regular e que na verdade, nascemos para ser poligâmicos?

Será que pouco e pouco a ideia  de família, de relacionamento se está a alterar e estes tempos não são mais que o ruir de conceitos ancestrais que parecem não fazer sentido nos dias de hoje?

Será que o amor é uma palavra demodé? Ou será que queremos construir uma outra forma de nos relacionarmos e que para isso temos que errar, atingir o caos, mergulhar num processo de auto destruição, de conflitos emocionais, para que um dia possamos renascer e aprender que:

 

Para conseguir amar alguém, é preciso amar-se a si próprio.

Que ninguém se deve anular em nome do amor

Que amar não é criar apegos

Que amar não é caminhar nem atrás nem á frente, mas sim lado a lado, para podermos estender a mão e apoiar.

Que a espontaneidade  e a capacidade de surpreender são a melhor forma de sedimentar uma relação.

Que não se pode usar o amor para curar feridas, ou esquecer outro amor.

Que uma relação passa pela prática do amor incondicional... amar é querer que o outro esteja feliz.

Que haverá sempre discussões, zangas, mas se houver amor e respeito, servirão para estreitar laços.

 

Amar não é fácil e nem sempre o amor dura uma vida, mas enquanto durar, que seja a demonstração do que mais genuíno e puro podemos dar e receber.

 

Felizmente nem tudo é mau e aqui e ali, vão surgindo casos de pessoas que conseguem manter uma relação equilibrada, reiinventando o amor todos os dias.

publicado às 18:31

Cirurgia estética

Muito se fala de métodos para rejuvenescer, para apagar sinais que o tempo foi deixando, marcas de sorrisos, lágrimas, preocupações, alegrias e vitórias.

Inventam-se novas formas  para disfarçar o tempo que passou, como se isso fosse um remédio para curar e disfarçar um passado que não se quer aceitar.

Andei á procura e encontrei, não um creme, não uma cirurgia, peeling ou botox, descobri num texto que li, o remédio para rejuvenescer e para eliminar de uma vez por todas,  os efeitos de um tempo que foi.

 

Cirurgia interior

 

Uma cirurgia para o nariz empinado pelo orgulho e pela soberba.

Outra na correção da língua venenosa e ardilosa.

Drenagem linfática para retirar o orgulho, a inveja e a ingratidão

Diversos peelings profundos na culpa e no remorso.

Uma dermo esfoliação nas cicatrizes deixadas pela  falta de perdão e pelo ódio, assim como no rancor envelhecido.

Uma máscara facial para retirar as expressões de mágoas e ressentimentos, igualmente nas asperezas da insensibilidade no trato com as pessoas.

Depois completar com uma hidratação de sorriso e alegria; não esquecer de hidratar as mãos todos os dias com a prática da solidariedade e da caridade.

Colocar lentes coloridas da misericórdia e da paciência, para iluminar o olhar.

Realizar um implante de entusiasmo e atitude positiva e melhorar a humildade e o desinteresse por questões materiais.

Aplicar botox para esticar a esperança e a fé.

Realçar o cabelo com luzes da consciência tranquila e da paz de espírito.

Finalizar com uma hidromassagem, usando sais de generosidade e pétalas de tolerância.

 

Estes ingredientes não se encontram nas melhores lojas do ramo.

Estão dentro de si!

publicado às 22:03

Arrivederci Roma

Geralmente costumo deixar no meu canto a descrição das minhas viagens... o que senti, o que aprendi e uma ou outra peripécia que acho mais engraçada.

 

Nunca falei na minha viagem a Roma, mas quando li aqui um artigo que achei interessante, não sobre a cidade em si, mas sobre a apreciação bem humorada de alguns belos exemplares que se passeiam no Vaticano, veio-me à memória os cinco dias que passei por terras de Sua Santidade.

 

Depois de ler o artigo penso que se lá voltasse, iria estar mais atenta e iria concerteza  fazer uma apreciação mais apurada e minuciosa, não com intenção de cobiçar ou desejar o fruto proibido, mas compararia as belas estátuas de mármore com outras figuras bem carnais e vivas, apenas como se fossem mais uma obra de arte.

 

Não sou púdica, não sou melhor nem pior que as outras, divirto-me imenso a ler  as opiniões mais calorosas e bem humoradas sobre os machos que por aí andam, mas sou mais do género...não é para ti, portanto nada de cobiçar, ou então faço como a raposa e digo...-estão verdes, não prestam...

 

Claro que não me passou despercebido o ar limpo, leve, fashion, cool, elegante, glamouroso, dos ragazzos italianos, para não falar da barba de três dias, que os tornam mais sexys e sensuais.

Não me foi indiferente o olhar, o trato , a gentileza, a simpatia, o modo como se movem, como se estendem languidamente nas belas esplanadas de Roma...

Não faço aqui distinção de classes sociais, não sei se é pela língua, que exerce em mim um enorme fascínio , mas foi impossível ficar indiferente ao "Ciao Bella!" do taxista, quando saí do carro.

 

Fui com uma amiga e fiquei hospedada numa casa, uma bela mansão por sinal, de um amigo dela.  Um português, homem culto´e inteligentíssimo. Os defeitos do senhor suplantavam de longe os seus dotes e a sua cultura. O típico macho latino, a antítese do vulgar italiano de rua. Irreverente, abusador, com ares de galã sem nível. De comum só tinha o ar impecável com que se vestia, porque o cargo que tinha assim o exigia, mas nem a figura ajudava; baixo e anafado, costuma dizer-se que homem pequenino ...ou velhaco ou dançarino...não sei se dançava bem, porque o que mais queria era chegar ao fim do dia e ir para o quarto, mas, velhaco, gabarolas, prepotente, isso era.

Não gosto de dizer mal, de encher de defeitos as pessoas, quando não me agradam esqueço, mas o artigo acima veio lembrar-me de tudo isto.

 

Não quero passar a ideia que os italianos são mais bonitos, mais bem educados que os portugueses, mas, que é bem melhor ouvir um "ciao bella!" do que.."é gaja boa!". ai lá isso é!

 

 

Felizmente há muitas excepções em terras lusas.

 

publicado às 10:48

Fim do Mundo? Quando?

 

Já andava a preparar-me para o fim do mundo em 21-12-2012.

Tinha pensado numa série de coisas que gostaria de fazer antes que isso acontecesse, quando li aqui, que afinal vão dar-nos mais uns anitos de vida. Fiquei aliviada, respirei fundo, mas ao mesmo tempo fiquei desanimada...todas as viagens programadas, todas as festas que quero fazer, todas as boas intenções que me levaram a prometer ser uma pessoa melhor, foram por água abaixo. Afinal posso continuar a fazer os mesmos disparates de sempre porque o prazo de validade deste planeta foi prolongado. Possivelmente ainda volto a reencarnar e isto ainda não acabou.

Se alguma coisa de útil têm estes prognósticos, é o facto de se poder ganhar muito dinheiro com todas estas especulações, repare-se no filme 2012, que rendeu uns bons milhões e esta senhora vai andar entretida, ganhando uns tostões a fazer investigações e a alimentar as mentes mais ávidas de notícias empolgantes e bem mais interessantes que as que ouvimos sobre agressões, fraudes, política e futebol...

Eu tenho esperança que um dia destes  ela  chegue á conclusão que afinal é em 2012 que vamos desta para melhor e aí vou continuar a aproveitar cada minuto da minha vida e a viver intensamente.

Nasa também já veio desmentir, e garante que 2012, é só e apenas mais  um ano dos muitos que ainda temos pela frente, mas pelo sim pelo não, já há uma dispensa,  onde estão guardadas todas as espécies necessárias para a dar continuidade ao planeta, caso haja uma catástrofe.

 

Ao longo da história  astrólogos, profetas, videntes... fizeram previsões do fim do mundo, lembro da célebre frase: a dois mil chegarás de dois mil não passarás, ficou muita gente aliviada quando acabaram as doze badaladas e nada aconteceu, agora fala-se no calendário Maia, como sendo o mais fiável no que diz respeito a 2012 e pasme-se depois de tanto se especular, de tanto se escrever, vem agora a Sabrina alterar esta data

Já não sei em quem acreditar!

 

O meu escrever irónico sobre o tema, foi só e apenas o prelúdio para falar de coisas, que considero mais interessantes e que me levam a pensar que o fim do mundo acontece todos os dias.

O fim do mundo é para todos os que desistiram de viver, que perderam a esperança, que deixaram de sonhar e de acreditar.

Cada dia morre um pouco do nosso mundo, quando se atenta contra a natureza, contra a preservação das espécies, se promovem guerras, se desperdiçam recursos para garantir uma boa qualidade de vida.

Fim do mundo é quando se especula sobre o amanhã e nos esquecemos de viver agora.

Fim do mundo é quando não damos valor a todos os que sofrem, que precisam de nós e nem damos por eles.

O mundo termina, quando se promove o suborno, a fraude, a mentira, a deslealdade, quando se passam por cima de valores que são o alicerce mais valioso, para a edificação de um ser humano mais equilibrado.

O mundo termina, quando eu me esqueço do idoso que vive na maior solidão, o jovem que eu deixo ser escorraçado, a criança que foi abandonada a mulher ou homem que foram traídos e que eu não tive tempo de ouvir o seu desabafo.

 

Quero que o mundo não acabe aqui, quero que perdurem as boas acções, e que o AMOR seja a palavra de ordem para acabar com todas as desordens.

 

 

 

 

publicado às 12:10

Desabafo de uma professora

 

Deixo um desabafo, a propósito dos últimos acontecimentos  dos quais tanto se tem falado e escrito... Bullying e suicídio de um professor.

Daqui a pouco tempo, talvez tudo tenha caído no esquecimento. Outras notícias de catástrofes apagarão o que hoje se vive. Á nossa volta tudo gira tão rápido, que depressa se deitam para trás acontecimentos que nos marcam, que nos deixam abismados e a pensar que as nossas prioridades mudam de uma hora para a outra, mas os problemas, esses , ficam lá, esperando que alguém os resolva, ou que se esqueçam de uma vez por todas assuntos que incomodam.

 

Lembro-me como se fosse hoje do primeiro tabefe que dei a uma aluna minha. Era o meu primeiro ano de trabalho. Tive tanto azar (e ela também), que a menina ficou a sangrar pelo nariz, eu quase desmaiei. Vim a saber que era muito sensível e que facilmente isso acontecia. Fiquei mais traumatizada que a minha aluna. Hoje é uma das minhas melhores amigas e fui eu que um dia, já crescida, lhe relembrei o que se passou. Ela esqueceu e não foi por isso que não deixou de fazer ou ter uma vida normal, com sucesso e sem traumas. Prometi a mim própria nunca mais tocar numa criança, optei por outras formas de castigo que se revelaram, mais eficazes, de forma a que nem professora nem alunos ficassem traumatizados,  explicando-lhes a razão das minhas atitudes, que quando entendidas eram aceites.

Hoje confesso que com o actual estado de coisas e palavras como  assertividade,  compreensão,  carinho, ou o recurso aos melhores manuais de psicologia ou pedagogia, não serão suficientes para  acabar com o caos que se instalou.

 

Que fazer quando um menino de 7 anos, recusa apanhar as cascas de laranja que deitou para o chão e diz á funcionária que o chamou á atenção , para as apanhar ela, que é para isso que é paga?!

Que fazer ao menino de 6 anos que bate na professora e a seguir salta pela janela?

 

Em surdina, muitos professores se vão queixando da desautorização de que foram alvo nos últimos anos.

Em surdina se lamentam do desgaste a que estão sujeitos quando a todo o momento são vítimas da insubmissão, falta de respeito, agressões verbais e por vezes físicas a que estão sujeitos.

Em surdina comentam com tristeza a atitude de certos pais que assistem indiferentes ao mau comportamento dos filhos e que continuam a ficar aliviados quando têm no tempo que eles passam na escola, uma altura em que estão descansados e não os têm de aturar.

Em surdina, interrogam-se como será a sociedade daqui a uns anos?

Em surdina fazem os piores prognósticos sobre o futuro das gerações vindouras.

Em surdina lamentam o dia em que resolveram ser professores, depois de terem de participar em tantas  reuniões, formações, burocracia que se vêem obrigados a cumprir, roubando-lhes tempo e energia para fazer aquilo que mais gostam... Ensinar.

Em surdina falam da acusação que têm sofrido, quando há bem poucos anos começou por aí a ouvir-se que trabalham poucas horas.

 

Assiste-se a um progressivo aumento da banalização da formação e educação das crianças.

Valores e ética são assuntos que estão definitivamente a desaparecer da nossa sociedade.

A permissividade a tolerância, a indiferença, são hoje uma constante á qual não há ninguém que tenha coragem de pôr termo.

Será preciso arrojo e audácia por parte dos governantes para colocar um fim no actual estado de coisas e enquanto ela falta, vai-se tapando o sol com a peneira, pedindo relatórios, enviando-se apoio psicológico e tentando descobrir os culpados. 

Sei que há pais preocupados e que se fazem presentes na educação e formação dos seus filhos, outros há que ainda acham que á escola compete educar e formar.

Sei que há e sempre haverá professores incompetentes assim como há médicos, advogados, pedreiros, polícias, ou outros profissionais.

Sei que não é fácil encontrar o equilíbrio. Sei que é difícil legislar.

Não sou adepta do retorno á reguada ou orelhas de burro em frente á janela, não sou adepta da violência, da humilhação, ou outra prática que não seja pautada pela respeito por todos os indivíduos.

Reconheço que se por acaso alguém permitisse o regresso dos castigos físicos, cair-se -iam em exageros; definitivamente penso que a solução não passará por aí, violência gera violência.

E pergunto:

-Que soluções?

-Que estratégias?

-Vamos continuar a permitir que morram inocentes e esquecer todos estes dramas?

 

Quando Isabel Alçada deixar o Ministério da Educação, terá assunto para mais uns quantos volumes da sua colecção " Uma Aventura".

 

publicado às 15:42

Amar a Ocidente e a Oriente

Há dias, num daqueles Domingos chuvosos, em que o tédio era uma realidade, fazia zapping, procurando um canal onde me pudesse fixar. Parei no "RealityZone" onde entrevistavam um senhor, não sei a propósito de quê. A determinada altura ele diz: -os ocidentais amam com romantismo, dão muito valor a isso, já os orientais, baseiam este sentimento no respeito.

O tema não era este, gostava que fosse e que a entrevistadora tivesse desenvolvido, mas percebi que esse não era  o objectivo.

O  certo é que fiquei a pensar.

Qual das duas vertentes é a mais correcta? Poderá dissociar-se romantismo e respeito quando se ama?

Se se for romântico pode abolir-se o respeito e vice-versa?

Por mim, não concebo o Amor sem respeito aliado a uma grande dose de romantismo.

Os meus pensamentos prolongaram-se um pouco mais e pensei que talvez romantismo se use quando se quer conquistar alguém.  Depois disso faltará o respeito?

Ou respeito, é apenas uma forma de estar, de se acomodarem numa determinada relação, cumprindo parâmetros previamente ditados pela sociedade ou pela consciência de não permitir interferências numa relação, mesmo que hajam tentações?

Não consigo perceber nem concordar com este rótulo, amor oriental, versus amor ocidental.

A existir eu desejo que algures no meio do mar haja uma ilha sem latitude nem longitude onde respeito e romantismo coabitem pacificamente.

E nestas conjecturas tontas me perdi, enquanto por aqui ardiam incensos e velinhas, a música tocava baixinho e a lareira acesa aquecia , enquanto lá fora a chuva caía.

publicado às 23:21

Comer Orar Amar

Um dos livros que mais gostei de ler nos últimos tempos foi Comer Orar Amar.

Apareceu no momento certo e há partes do livro que assinalei, uma delas deixo aqui hoje.

 

"Se amar uma pessoa, carregarei toda a dor por ela, assumirei todas as suas dívidas(em todos os sentidos da palavra), protegê-la-ei da sua própria insegurança, projectarei nela todo o tipo de boas qualidades que nunca cultivou em si mesma e comprarei presentes de Natal para toda a sua família. Dar-lhe-ei o sol e a chuva e, se não estiverem disponíveis, dar-lhe-ei um cheque de sol e outro de chuva. Dar-lhe-ei tudo isto até ficar cansada e esgotada que a única forma de recuperar a minha energia é apaixonar-me por outra pessoa."

 

É um pouco assim que concebo o amor tirando aquela parte em compraria presentes de Natal para toda a família

 

publicado às 22:16

Momento de mudança

Tinha preparado para hoje um post bem diferente.

Há muito que andava à procura de um momento oportuno para deixar aqui a imagem que simpaticamente me foi oferecida pelo ENTREMARES que traduz na perfeição a forma como ele viu o meu canto... pois esse momento chegou!

Pausa para reflectir, para me questionar, para transformar, porque a vida é uma constante mudança. Círculos perfeitos fazem-nos crer que tudo gira, nada é permanente e que tentar equilibrar-me para que novas iniciativas e novas ideias florescem é e será sempre a minha prioridade.

Existirão na vida de todos nós, mãos que estarão sempre prontas  a apoiar-nos , a segurar-nos quando se aproximarem momentos menos bons ou a congratularem-se quando experimentamos outros de alegria e felicidade, é o que espero que aconteça por aqui e o que tentarei retribuir a todos com amizade e dedicação.

Tudo isto para dizer, que estou cansada de mim, estou cansada do que escrevo, das minhas histórias de vida, da minha vida e das minhas reflexões.

Quero mudar, não vou deixar de ser eu, mas há uma vontade de ser mais objectiva e de deixar aqui não as minhas experiências, mas algo mais ligeiro, talvez mais alegre, música, poemas, pequenos textos de autores que me têm impressionado, ou algo que surja na altura e que agora nem eu própria sei, enfim algo dos outros visto com os meus olhos.

Nem sempre é fácil mudar, mas pior que isso é sentir que chegou a altura de o fazer e continuar acomodada.

Coragem precisa-se!

publicado às 22:15

O ano do tigre

Enquanto por cá se festejava o Carnaval e o dia dos namorados,  em Hong Kong o início do ano do Tigre, comemorava-se com muita pompa, alegria e cor.

A noite estava fria, mas não o suficiente para demover milhares de pessoas que em duas avenidas assistiam ao desfilar de representações de várias comunidades estrangeiras residentes, de escolas e de algumas instituições. Eu estava lá.

Nos dias que se seguiram e já em Macau , os festejos continuaram durante uma semana.

Praças enfeitadas com motivos alusivos, um deles o equivalente á nossa árvore de Natal, só que em vez de pinheiro, bolinhas e fitas , eram tangerineiras cobertinhas de tangerinas, cada prédio, cada estabelecimento, cada praça exibia a sua árvore alanrajada.

Mas uma surpresa me esperava...um dia á noite em que regressava de mais uma jantarada, estranhei ver quatro polícias á entrada do prédio, disseram-me que nesta altura do ano era normal haver mais vigilância e policiamento. Fiquei mais descansada. O meu descanso não durou muito...logo ao amanhecer ouvi um estrondo horrível, parecia uma metralhadora. Tudo me passou pela cabeça...um atentado, alguém teria morrido? Levantei-me assustada e perguntei o que se passava...com um sorriso divertido a D. explicou que eram apenas "panchões", uma espécie de foguetes que os comerciantes utilizavam , para dar as boas vindas ao novo ano, acreditam que dá sorte  e afasta as más energias. Durante uma semana habituei-me a ouvir aquele barulho horroroso.

Dias mais tarde tive oportunidade de falar com o F. jornalista e grande amante da astrologia oriental e ocidental, tendo já lançado um livro sobre este tema e no final do ano sairá o segundo.

Conversámos imenso, este é um tema que sempre me interessou e perguntei-lhe logo que tal iria ser o ano para o Macaco...um ano com muito movimento, muita acção desenvolvimentos rápidos e alguma convulsão, muitas transformações e mudanças. Para o Porco um ano excelente em todos os aspectos, os Cabra continuarão sem grandes alterações nas suas vidas e para a Serpente um ano de muita luta, tudo o que conseguirem será com muito esforço.

Fiquei convencida e com a certeza que as minhas macaquices irão continuar, saltitando de ramo em ramo, quando um for menos seguro que o outro, lá estarei, pronta a mudar e a não deixar que fragilidades me impeçam de caminhar.

E para satisfazer a curiosidade de todos os que gostam destas coisas, deixo as previsões que tirei da net.

 

 

 Feliz ano do tigre para todos

 

Ano do Tigre

Este é definitivamente um ano explosivo. Começa geralmente com um estrondo e acaba com um choramingo. Um ano dado para a guerra, o desacordo e desastres de todo os tipo. Nada será feito numa escala pequena, ou tímida. Tudo, bom e mau, pode e será levado aos extremos. As fortunas podem ser feitas e perdidas. Se você tiver uma possibilidade poderá agarrá-la mas nunca esqueça que tem grandes obstáculos pela frente.

As pessoas farão coisas drásticas no mesmo momento. Os temperamentos subirão ao seu redor, será uma época de testar a sua diplomacia. Como o tigre, nós tenderemos a agir sem pensar e a terminar lamentando-nos pela pressa que tivemos.

As amizades, os riscos comuns e os negócios que requerem a confiança mútua e a cooperação feitas neste tempo são frágeis e serão quebrados facilmente. Entretanto, o ano forte e vigoroso do tigre pode também ser usado para injectar a vida e a vitalidade em  causas perdidas, em riscos, em indústrias que se afundam, e/ou falhando. Será do mesmo modo um momento para a mudança maciça, para a introdução de ideias novas e marcantes, especialmente controversas.

O calor impetuoso do ano do tigre, apesar de seus aspectos negativos, devemos dizer que poderia ter um efeito de limpeza e purificação em todos nós. Tal como o calor intenso é necessário para extrair metais preciosos de seus minérios, assim também o ano do tigre pode trazer para fora o melhor que existe em nós.

Apenas um breve conselho para este ano imprevisível - agarre-se ao seu sentido de humor e deixe a má cara enterrada ou escondida durante este ano.

publicado às 01:21

Partidas e chegadas

Ainda não consegui avaliar o que me dá mais prazer, se o entusiasmo que sinto quando parto ou a alegria do regresso, penso que em ambos os momentos há sentimentos e sensações que se misturam, que se completam e me deixam eufórica por conhecer outros mundos e feliz por poder rever de novo os amigos, por poder partilhar tudo o que vi, por minimizar a saudade que sinto na ausência e poder agradecer o carinho de todos os que por aqui me vão deixando palavras que me fazem perceber o quanto é importante a amizade que me devotam e á qual tento retribuir.

Desta vez a minha viagem prolongou-se um pouco mais, nunca estive tanto tempo longe e surpreendentemente, eu que sou por norma desprendida, apercebi-me que afinal o meu desprendimento não é assim tanto como julgava.

O que vi, o que aprendi, o que experienciei em Hong Kong, Macau e China, foi demasiado marcante e surpreendente.

Depois de há um mês atrás ter visitado, Nova Iorque, Toronto e Niagara, pensei que não haveria mais nada que me surpreendesse tanto... como me enganei!

A Oriente tudo é inexplicavelmente diferente, a cultura, o luxo de hotéis e casinos, a ordem, a falta de preconceitos, o sentir que o que importa somos nós e não o que os outros pensam. Há ordem na desordem, há liberdade nas atitudes, há respeito nas condutas.

Macau é o luxo asiático, hotéis de sonho onde as salas de jogo estão apinhadas de gente, cá fora as casas de penhores sempre abertas, a luz inunda a noite, a segurança é inquestionável.

Hong kong é monumental, um misto de Nova Iorque e Rio de Janeiro, com baías lindíssimas onde infelizmente o nevoeiro foi constante. As melhores lojas do mundo estão ali, bem na frente dos meus olhos, mas inacessíveis á minha carteira.

Cantão, na China, uma cidade com cerca de doze milhões de habitantes que coabitam ordeiramente nas ruas, não há lixo, não há engarrafamentos. Vendem-se  espetadas de carne e de ananás, castanhas assadas, batata doce, milho, tudo aromas que se misturam e que abrem o apetite aos mais esfomeados, que passeiam pelas ruas. Trabalha-se, não há intervalo para almoço e enquanto se esperam novos clientes aproveita-se para comer com destreza o  que trouxeram de casa. Promovem o que têm para vender, chamam-nos, incitam-nos ao consumo. Tudo é escandalosamente barato. No fim de semana os jardins enchem-se de gente que pratica Tai Chi, que jogam Mahjong, que simplesmente conversam, ou meditam.

Apesar de tudo e depois do que escrevi, não penso que tudo é perfeito, há muitos aspectos que não se coadunam com a minha maneira de ser e de estar e aos quais farei referência em novos posts.

Duma coisa tenho a certeza, não há céu mais azul que o nosso, nem o cheiro a maresia ou o mar que nos embala é tão intenso como o que experimentamos neste nosso cantinho.

 

publicado às 01:17

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