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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

O silêncio das palavras.

Fogem as palavras para lugares recônditos, escondem-se de mim, fingem ser o que não são e dizem aquilo que não quero.

Passeiam-se aos ziguezagues diante dos meus olhos. Corro atrás sem conseguir apanhar aquelas que escolho para cada dia, para cada emoção, para cada sorriso. Troçam da minha incapacidade de as saber escolher e amontoam-se, misturam-se, mudam de cor, refugiam-se em corredores escuros e estreitos onde não se vislumbra um fio de luz. Tacteio desesperada sem as encontrar... alegria, brilho, saudade ...que ilusoriamente vislumbro numa fresta por entre reticências. Procuro a exclamação, interrogo-me...onde estará esse ponto das perguntas, que me deixa sem respostas?

Abandonado a um canto. o único que ficou talvez por pena de mim e deixou que o agarrasse...coloquei-o aqui, mesmo no fim.

Saí devagarinho...ficou apenas o silêncio das palavras.

 

   

Adopção - 2 anos depois

Há uns tempo escrevi aqui e aqui   o percurso de um casal amigo, que reside na Suiça, na tentativa de conseguirem ter um filho.

Foram dez anos de muita luta, muito sofrimento, muitos esforços gorados e muita desilusão. Foram dez anos de esperança que  iam acalentando por cada novo tratamento que experimentavam...tudo em vão.

Um dia já sem forças e com danos de saúde física e emocional, resolveram partir para a adopção. Fizeram-no primeiro em Portugal, mas dado os enormes entraves que lhes eram colocados, passaram para a adopção internacional.

Através de amigos ficaram a saber que na Etiópia o processo de adopção estava muito facilitado, era célere e o sistema funcionava muito bem.

No dia 23  de Agosto de 2008 receberam a primeira foto da M. com três meses. Aceitaram-na de imediato.

Viajaram até á Etiópia, comoveram-se com a precariedade das condições dos orfanatos, mas também com o enorme carinho e cuidados com que eram tratadas todas as crianças, apesar da falta de meios humanos e materiais.

A 22 de Novembro a M. passou a ter uma família. Fez em Junho dois anos e veio há dias passar com os pais um mês a Portugal.

Fiquei espantada com a maneira como se tem desenvolvido...pula, canta, fala umas quantas coisas em português e já vai dizendo outras em alemão. A mãe resolveu pô-la na escolinha alemã dois dias por semana, porque, pensa ela, que uma boa integração num país estrangeiro passa pela aprendizagem da língua, apesar disso não abdica da filha durante o resto da semana, para poder assistir ao crescimento da sua bebé e ao mesmo tempo não perder nenhuma das suas pequenas conquistas. 

Esta é a prova que sempre que se está no caminho certo vale a pena lutar sem desistir dos objectivos para que um dia os sonhos se tornem realidade.

Nem sempre estive desperta para os problemas que têm os pais que querem um filho, mas vivi de perto toda a história e a pouco e pouco através deste blog   fui-me apercebendo das dificuldades por que passam as pessoas que se candidatam a uma adopção e todo o processo burocrático a que estão sujeitas.

Neste mundo conturbado é bom saber que ainda se encontram pessoas de coragem, com um enorme altruísmo e de entrega total a uma causa nem sempre fácil.

 

 

"A força não provém de uma capacidade física e sim de uma vontade indomável." (Mahatma Gandhi)

Crescer a trabalhar

Pensava eu que ia escrever sobre um assunto que já tinha em rascunho, mas de repente ao ler o post do Jorge lembrei-me também eu, da minha infância e do quanto trabalhei.

Era a mais velha de quatro irmãos e a única rapariga, o que á partida era uma desvantagem porque tudo me caía em cima, até á altura em que eles puderam começar a fazer alguma coisa. Não tive de ir trabalhar para ganhar dinheiro, mas para que os meus pais o pudessem fazer, tinha de lavar as fraldas do mais novo, naquela altura não haviam as descartáveis, nem máquinas, casa arrumada e varrida, de aspirador nem se falava e o pó, que eu detestava limpar, era o meu calcanhar de aquiles e como a mãe sabia disso, tinha inspecção minuciosa e voltava a fazer de novo, sempre a resmungar, como era meu hábito.

Com algum sacríficio e pensando eles que era para meu bem, tive de ir para um colégio de freiras onde fiquei interna até ao 5º ano(9º de hoje).

E se pensam que me livrei do trabalho, estão enganados, acho que duplicou.

Todas tinham tarefas, excepto as meninas mais ricas que pagavam mensalidades mais altas.

Levantar ás sete e meia da manhã, missa, arrumar o dormitório, lavar casas de banho e a seguir o pequeno almoço.

Parte do dia era passado em aulas, horas de estudo, algum recreio, quando não estava de castigo por causa da refilice, mas a louça das refeições era lavada por nós e já no final da tarde um grupo era colocado em frente a uma ou duas sacas de batatas que tinha que ser descascadas para que no dia seguinte fossem cozinhadas. Claro que o olhar atento das freiras não deixava escapar o truque da casca grossa, para a saca despejar mais rápido. O bom disto tudo eram as histórias que se iam contando, e as anedotas de algumas bem humoradas, mas se havia asneira um dos castigos era o silêncio e tudo tinha de entrar mudo e sair calado.

Durante muito tempo pensei que esta rigidez, esta forma de ter de trabalhar e estudar, não era justa, vendo eu que muita gente tinha o previlégio de não fazer nada.

Os anos foram passando e concluo que o que então me causava uma certa revolta, fez com que ao longo da minha vida, me tenha apercebido que cresci da melhor forma, que aprendi muito antes do tempo que era normal, a desenvencilhar-me, a ser independente, autónoma e a saber resolver de forma rápida qualquer imprevisto.

Vivi o que tinha de viver, mas confesso que fui uma mãe que não fez ao filho metade do que me obrigaram a fazer. Penso que lhe forneci as ferramentas necessárias para que pudesse saber um dia usá-las quando necessitasse.

Não sou apologista do trabalho árduo e penoso para as nossas crianças, mas também me constrange ver que há adolescentes cujos pais, de tão preocupados que estão em proporcionarem uma vida melhor do que a que eles tiveram, não deixam que os meninos aprendam o mínimo para que um dia possam pelo menos tomar conta deles próprios. Felizmente há excepções e conheço muitas, acima de tudo há que saber encontrar o caminho do equilíbrio para que um dia  possam encarar sem medos as primeiras dificuldades da vida. 

Ah! Querem que eu dê aulas!...

Há algum tempo que acabaram as aulas e durante uma época gerou-se na sociedade a ideia de que os professores tinham férias a mais, sem haver a preocupação de ver o que se passava para além do tempo lectivo. Importava acabar com essa ideia e vai daí inventaram-se mil e uma actividades para ocupar os senhores professores que tinham uma vidinha boa, esquecendo toda a burocracia a que estão sujeitos depois do tempo lectivo.
Hoje o panorama é caricato e desinamador e os professores viram o seu papel de formadores relegado para segundo plano, caindo-lhes em cima uma avalanche de trabalhos que nada têm a ver com o que mais gostam de fazer que é ensinar.
A mensagem enviada para o facebook por uma professora, ilustra de forma perfeita o abuso e a falta de bom senso por parte de quem manda (ministério e direcções de escola) quando se inventam todos os dias novas formas de gastar tempo dinheiro e esgotarem a paciência de todos os envolvidos.
  
E a mensagem reza assim:
 
 
Faço projectos, planos, planificações;
Sou membro de assembleias, conselhos, reuniões;
Escrevo actas, relatórios e relações;
Faço inventários, requerimentos e requisições;
Escrevo actas, faço contactos e comunicações;
Consulto ordens de serviço, circulares, normativos e legislações;
Preencho impressos, grelhas, fichas e observações;
Faço regimentos, regulamentos, projectos, planos, planificações;
Faço cópias de tudo, dossiers, arquivos e encadernações;
Participo em actividades, eventos, festividades e acções;
Faço balanços, balancetes e tiro conclusões;
Apresento, relato, critico e envolvo-me em auto-avaliações;
Defino estratégias, critérios, objectivos e consecuções;
Leio, corrijo, aprovo, releio múltiplas redacções;
Informo-me, investigo, estudo, frequento formações;
Redijo ordens, participações e autorizações;
Lavro actas, escrevo, participo em reuniões;
E mais actas, planos, projectos e avaliações;
E reuniões e reuniões e mais reuniões!...

E depois ouço,
alunos, pais, coordenadores, directores, inspectores,
observadores, secretários de estado, a ministra
e, como se não bastasse, outros professores,
e a ministra!...

Elaboro, verifico, analiso, avalio, aprovo;
Assino, rubrico, sumario, sintetizo, informo;
Averiguo, estudo, consulto, concluo,
Coisas curriculares, disciplinares, departamentais,
Educativas, pedagógicas, comportamentais,
De comunidade, de grupo, de turma, individuais,
Particulares, sigilosas, públicas, gerais,
Internas, externas, locais, nacionais,
Anuais, mensais, semanais, diárias e ainda querem mais?
...
Ah!
Querem que eu dê aulas!...

Atendimento cinco estrelas

Há algum tempo que ando a redecorar uma casa que costumo alugar. Já tem uns bons anitos e precisava de uma reforma no interior.

Meti mãos á obra e passado pouco tempo já estava arrependida de o ter feito, mas já tinha começado , não havia volta a dar. E como sempre á boa maneira portuguesa, ninguém cumpre prazos, ou então dizem que vêm num dia e aparecem dois dias depois.

Tem sido um teste á minha paciência, mas á medida que as coisas vão tomando forma, fico contente por ver que tudo está a ficar como idealizei.

Tenho andado num corrupio; para além de ter de comprar, cortinados, mesas, cadeiras, candeeiros, tapetes  e sei lá que mais, há ainda a preocupação em escolher o mais barato e bonito, duas coisas que são difíceis de conciliar.

Claro que nestas minhas andanças já fui algumas vezes ao Ikea e de todas elas venho com o carro a abarrotar. Para economizar mais uns euros não requisitei os serviços de montagem que esta empresa fornece, porque havia gente habilidosa que o podia fazer...e assim aconteceu.

Na a altura de montar uma mesa de jantar, qual não foi o meu espanto, quando descobri que tinha trazido o tampo de uma cor e as pernas de outra. Lá tive de voltar de novo ao Ikea, um pouco aflita e apreensiva, porque ia sozinha e não sabia se encontraria alguém para me ajudar a descarregar aquele peso enorme.

Dirigi-me ao serviço de apoio a clientes, contei o que se passava e da minha incapacidade de descarregar as tábuas sem ajuda de alguém. Fez um ar de espanto a menina que me atendeu, mas pensou uns segundos e apesar de não ser hábito os funcionários fazerem essa tarefa ofereceu-se para ajudar. Uma batalha estava ganha, respirei aliviada. E carregar? Teria a mesma sorte? Sim, é verdade tive muita sorte, a mesma funcionária, mandou-me sentar e disse-me que ia falar com o colega que me traria tudo sem ser preciso eu mexer uma palha. Esperei alguns minutos e tudo apareceu. Não foi necessário eu pedir ajuda de novo, ela avisou as colegas do que ia fazer e as duas lá fomos carregar a bendita mesa.

Desfiz-me em agradecimentos, louvei a sua prestabilidade e pensei cá para os meus botões que se todas as empresas tivessem empregados assim, teriam mais sucesso, venderiam mais, e não teríamos tantas vezes a desagradável sensação que alguém esteve a fazer um enorme frete em vender-nos alguma coisa.

 

 

Há festa no reino

Vieram de todo o lado... príncipes, princesas,  nobres, damas, cavaleiros e pajens. Chegaram também os mendigos, saltimbancos, guerreiros, bobos e adivinhos.

Ergueram as tendas, acenderam o lume, afiaram as espadas, deram de comer aos cavalos, sentaram-se em volta das fogueiras e esperaram  que a lua aparecesse naquela noite de céu claro.

Falaram das novas de reinos distantes enquanto bebericavam  e comiam as carnes que no espeto rodavam lentamente.

No castelo altaneiro tremeluziam as luzes dos archotes que iluminavam os aposentos do alcaide-mor e das suas aias.

Esperavam-se dias de festa, de combates amistosos, de acrobacias audazes, de malabarismos, de magia, de dança, de desfiles ao cair da tarde.

Engalanaram-se as ruas...bandeiras de várias cores pendiam nas varandas.

Ouviam-se pregões, vendiam-se cestas, mezinhas, chás, armas, tapetes, potes, e amuletos.

Esqueceram-se guerras antigas, os soldados abraçaram-se e cortejaram-se as damas.

 

Durante alguns dias vão esquecer o aumento do IVA, o desemprego, a inflação, o futebol, o PEC, o pagamento das SCUTS, as injustiças sociais, a corrupção, os negócios de milhões e as falcatruas dos burlões.

Durante alguns dias queremos esquecer e brincar ao faz de conta aqui, onde a magia acontece.

 

MAGIA ENTRE AMIGOS...Estão prontos?
A minha varinha mágica acabou de me dizer que dia 17 vai estar um dia excelente...que tal pegares na tua vassoura e vires até cá passar o dia com os teus amigos virtuais?! Almoço na esplanada da Lagoa de Óbidos (foto aqui) e (aqui) pela tarde um cheirinho a Feira Medieval...que te parece?...anda daí, só preciso de saber quantos são.

 

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