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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Vamos Adson....

"- Mas, mestre por que me fazes perguntas sobre as quais já sabes as respostas?"

 

Esta foi uma das frases que retive e que foi feita por um jovem de grande talento que faz parte do elenco do grupo Fatias de Cá, na peça " O Nome da Rosa" a que fui assistir este fim de semana no Convento de Cristo em Tomar.

Em duas semanas assisti a três peças deste grupo que tem uma maneira especial e diferente de fazer tatro. Fiquei fã.

Já começo a conhecer algumas caras que antes e depois de cada espectáculo se misturam com o público, sem vedetismos e que respondem a tudo o que quisermos perguntar.

Somos recebidos sempre com enorme simpatia, este fim de semana não foi excepção. Cada vez sei mais sobre como tudo funciona e fiquei boquiaberta quando um dos elementos  me contou que teve de decorar 26 páginas de texto em A4. 

Não conhecia o convento de Cristo, li o livro e vi o filme e pude agora ver de uma forma completamente diferente a representação desta obra magnífica de Humberto Eco.

 Percorri corredores e entrei em salas onde habitualmente os visitantes não têm acesso.

Íamos seguindo os actores, pelos claustros, cozinha, biblioteca, subindo e descendo escadas estreitas e em caracol e sete vezes nos sentámos no refeitório, em todas elas nos era oferecido algo para comer e beber,(muito comiam aqueles abades e nós também), começámos com nozes e passas, mais tarde um canja bem quentinha, enfim, sete iguarias todas diferentes, tantas como as mortes que iam misteriosamente acontecendo nesse convento sempre com os mesmos sintomas, língua e pontas dos dedos escuros.

É chamado ao convento um abade que ficou encarregue da investigação que era ajudado pelo noviço Adson. O suspense manteve-se sempre com diálogos por vezes bem humorados que quebravam o dramatismo da peça.

Finalmente o abade descobre que é Jorge o autor dos crimes e que colocou veneno num livro escrito em grego que defendia teorias que queria manter em segredo por pensar que as ideias defendidas por Aristóteles podiam alterar profundamente conceitos religiosos, como a noção de bem e mal, certo e errado... e nos derradeiros momentos Jorge, o abade assassino, diz no auge do seu desespero que se aquele livro fosse dado a conhecer deixava de haver medo, e passariam a existir sorrisos e que esses poderiam ser motivo para acabar com a fé.

Sou uma mulher de fé e não pude deixar de sorrir quando o ouvi.

Depois de tudo desvendado assistimos a um final apoteótico com os monges entoando um cântico ao redor do claustro. Foi difícil acabarem porque os aplausos pareciam não ter fim.

Foram mais de cinco horas bem passadas que culminaram com um cafezinho e uma fatia de Tomar, onde actores e espectadores se misturavam mais uma vez

E venham mais Fatias de Cá que comemoram no próximo dia 8 de Outubro duzentas apresentações.

 

Quando as palavras deixam de se ouvir

Saudade

 

Saudade é solidão acompanhada

é quando o amor ainda não foi embora

mas o amado já.

 

Saudade é amar um passado que ainda não passou,

é recusar um presente que ainda nos machuca

é não ver um futuro que nos convida

 

Saudade é sentir que existe o que não existe mais

 

Saudade é o inferno dos que perderam

é a dor dos que ficaram para trás

é o gosto de morte dos que ainda continuam

 

Só uma pessoa no mundo gosta de sentir saudade

Aquela que nunca amou

 

E esse é o maior dos sofrimentos

não ter por quem sentir saudades

passar pela vida e não viver

 

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido

 

Pablo Neruda

"Sonhos de uma noite de Verão" e sonhos de todos os dias

A semana passada ao ler o post do Jorge sobre Fatias de cá: Viriato no castelo de Almourol, fiquei em pulgas, fui logo ver o programa deste grupo de teatro que o faz de uma maneira totalmente diferente do que é convencional.

Inscrevi-me logo e resolvi ir até á Figueira da Foz ver a peça "T de Lempicka" que se desenrola num palácio muito bem conservado e que reúne as condições ideais para este género de representação.

Se pensam que estive sentadinha o tempo todo a ver a representação, desenganem-se. As cenas iam-se desenrolando nos vários compartimentos do palácio e éramos nós que íamos escolhendo e seguindo o actor ou actores, fossem eles para onde fossem. Fartei-me de subir e descer escadas, ora ia para a cozinha ou para o quarto, salão, corredor, enfim , um corrupio que nos animava e aguçava a curiosidade.

Cada grupo escolhia o actor e a cena que queria seguir e havia uma interligação que ao invés de nos deixar sem perceber o enredo da história, nos fazia sentir como fazendo parte dela. Claro que no início nos foi oferecido um pequeno folheto com a descrição das personagens e o resumo da história.

Houve um intervalo  e serviram-nos uma refeição e no final os actores já despidos das suas fatiotas, misturam-se connosco e partilharam as suas experiências e responderam a todas as nossas perguntas com uma simpatia enorme.

Fiquei de tal maneira fascinada que no dia a seguir, Domingo, fui para Tomar ver mais uma peça "Sonho de uma noite de Verão", que se desenrolou  numa mata lindíssima, contígua ao convento de Cristo. Foram-nos dados uns bonés com uma luzinha na ponta para que pudéssemos ver o caminho algo tortuoso e ladeado por densa vegetação e ainda uns banquinhos desmontáveis para quando nos tínhamos de sentar, já que  a peça se prolongou noite dentro.

Enquanto a peça de Sábado era um drama a de Domingo arrancou-nos enormes gargalhadas.

No final, como é hábito foi servido o jantar numa clareira e o mais curioso e que admirei é que nenhum dos participantes é mais ou menos que o outro, porque pessoas que tinha visto a representar no dia anterior , estavam hoje, vestidos de mordomos a servir o jantar.`

É um grupo polivalente com cerca de setenta elementos sem a pretensão de ficarem ricos ou famosos, mas que que nos dão uma enorme lição de humildade e  sem elitismos provam que a cultura teatral está disponível para todos.

Se tudo correr bem, irei concerteza no Domingo ver no Convento de Cristo a peça " O Nome da Rosa" que promete esgotar rapidamente.

São cinco horas a percorrer este convento em que a representação será feita apenas por homens.

Apesar do Outono andar por aí, recuso-me a deixar de viver sempre que poder os meus sonhos de todos os dias e de todas as estações e de vez em quando deixar-me levar pela fantasia, imaginação e alegria que têm o condão de dar algum colorido á minha vida.

 

 

 

Carta de uma amiga

Este não foi um Verão fácil para mim, felizmente ele está a chegar ao fim, e em termos de saúde deixou muito a desejar, mas a falta dela tem como causas problemas que vamos somatizando e em que a nossa mente por vezes tão poluída arranja um escape e é no corpo que se vão reflectindo os nossos estados de alma, alertando-nos para que limpemos o velho para dar lugar ao novo, é  um tempo de renovação que passa por um processo doloroso , mas que urge ser  feito.

É nestas alturas que damos verdadeira importância aos amigos e que tomamos consciência da sua presença.

Num desses momentos menos bons e apesar de ser uma amiga distante, escreveu-me uma carta que há muito desejava publicar.

Vem aí o Outono, as tardes calmas , o cair das folhas velhas as tardes tranquilas, o tempo em que tudo parece desaparecer para voltar a renascer.

Achei ser este o momento oportuno para agradecer e reconhecer que os verdadeiros amigos se fazem presentes quando mais precisamos.

Hoje e como me sinto renovada, em que muitas folhas caíram, em que deixei para trás mágoas, apegos e ressentimentos, achei que seria o momento de publicar esta carta.

Dizia assim:

 

Amiga

Sei que algo te desanima, que estás triste, sei que andas a pensar demasiado na vida, sei que este período de Verão, é aquele que nos leva a sonhar, a desejar coisas, que nos olhamos mais no espelho, que prestamos mais atenção em nós, que nos expomos mais, que nos libertamos, que nos entregamos, mas que a rotina se instala e nada muda. Sei que te sentes só, apesar de tantos amigos á tua volta e pessoas que te adoram, sei que precisas de algo mais, para te sentires completa, sei que temos quase tudo, mas falta-nos o essencial. Sei que há momentos mais fortes que nós e desabamos. Sei que precisas desse tempo para dares a volta por cima e sei que vais conseguir sair desse sufoco...sabes porquê? Porque também sou mulher, porque também tenho desses dias, porque o Verão é apelativo e aviva memórias, porque apesar de feitios diferentes , de vidas diferentes, aspectos diferentes, nessa hora somos todas iguais, mas ainda bem que assim é, sinto orgulho em ser mulher e sinto-me privilegiada em ter essa força e por pertencer a esse grupo de pessoas, que escondem uma força bruta tão subtil. Conseguimos renascer das cinzas e continuar a labutar com um sorriso encantador. Conseguimos com um smples Click, acordar e olhar em volta, perceber o quanto a Natureza é bela...aquela flor tão perdida parece pequena, mas está lá, marcando presença imponente e bela no seu pequeno espaço, vivendo e usufruindo, daquele sol lindo, que a aquece naqueles finais de tarde.

Damos valor ás pequenas coisas, vimos beleza nas coisas simples, encontramos delicadeza nas coisas desalinhadas...estamos atentas aos pormenores, esses fazem pequenos momentos nascer, essas são as nossas vitórias, as nossas vivências, mesmo pequenas ou passageiras, são a NOSSA VIDA, aquela a que nos agarramos e naquela onde encontramos sempre motivos para sorrir, por isso amiga, fica atenta aos pormenores, eles estão lá, apenas tens que fazer CLICK.

 

O Click aconteceu amiga, foi a tua carta, a força dos meus amigos, aquela vontade férrea de não me deixar vencer pelo desânimo e ainda a força indomável que só nós mulheres possuímos.

Estou viva, o sol brilha de novo no horizonte, as ondas do meu mar continuam incansáveis a espreguiçar-se na areia e as noites de luar continuam a iluminar o que dantes parecia tão escuro.

 

Muito obrigada Isabel!

Paris ontem e hoje

Há cerca de vinte anos, eu e uma colega, resolvemos visitar Paris. Para nós era uma aventura , porque nunca tínhamos saído sozinhas para um país que nos era totalmente desconhecido.

Planeámos tudo até ao mais ínfimo pormenor. Falaram-nos o quanto era difícil viajar no metro e entendermos aquela profusão de linhas que perfuram a cidade. Fiz questão de o estudar minuciosamente e não nos saímos mal. Queríamos que fosse uma viagem cultural e durante quatro dias não parámos.

Sabíamos o quanto é caro comer em Paris, mas como o pequeno almoço do hotel era farto, arranjámos maneira de á socapa fazermos umas sandes com que nos deliciávamos sentadas num banco de um jardim qualquer. Lembro-me de arriscar comer um cachorro que comprámos num daqueles carrinhos de rua e que nos custou a módica quantia de 500 escudos,  e para cúmulo era horrível, metade foi para o lixo.

Como muita pena nossa nunca nos aventurámos a sair á noite, duas mulheres sozinhas nas ruas de Paris não era aconselhável.

Há dias regressei de novo á "Cidade Luz", desta vez acompanhada de duas francesas(mãe e filha) que quiseram visitar a família e amigos e que tiveram a gentileza de me convidar.

Foi uma visita completamente diferente da anterior, não foi melhor nem pior, foi apenas diferente.

Desta vez alugámos um apartamento que ficou muito mais barato que um hotel e fizémo-lo porque as casas dos familiares são tão minúsculas que seria de todo impossível albergar mais três pessoas. Conclusão, poupámos na comida e no alojamento e foi raro o dia em que não houve convites para jantar.

Foi enriquecedor porque as conversas permitiram-me ver o que há para além da grandiosidade dos monumentos. Abordaram-se muitos temas interessantes com a natural simpatia e bom humor dos franceses.

Pude conhecer um pouco da noite parisiense e aperceber-me da parte mais negra e sombria da noite, principalmente quando se tem de viajar de metro.

Foi obrigatório e delicioso fazer a viagem ao longo do Sena e como nunca tinha subido á torre Eiffel desta vez lá fui. Não fiquei particularmente encantada com o amontoado de ferro e das intermináveis filas para entrar, valeu a paisagem e as fotos que tive oportunidade de tirar. Para mim, visitas a torres acabaram, agora subir, só se for o Evereste.

No final dei por mim a pensar, na necessidade de alterar rotinas, tive a estranha e saudável sensação que bem lá no fundo uma viagem não transmite só conhecimento, tem ainda a particularidade de podermos ver o mundo e as pessoas de uma outra forma que inevitavelmente vão alterar o nosso dia a dia e a postura perante certas situações da vida. O cenário foi o mesmo, mas a forma como o interpretei foi diferente e acordou em mim certas memórias e hábitos que deixam de fazer sentido.

Na Cidade Luz para mim, fez-se Luz, e se me perguntarem porquê eu não sei responder, apenas sinto e não há lógica para o sentir apenas "é"

Os Peter Pans que andam por aí

 

Li o livro "Histórias Sem Aquele Era Uma Vez" e quem quiser saber um pouco mais sobre ele basta ir aqui e descobrir que se trata de um conjunto de histórias baseadas em contos que lemos na infância, mas que foram adequadas aos tempos modernos.

Uma das que mais me fascinou pelo realismo e lucidez foi a que escreveu Ana Paula Almeida, " Para Sempre Peter Pan" em que descreve o comportamento de meninos crescidos que continuam atemorizados e submissos em relação aos pais, por vezes sofrendo de um feroz complexo de Édipo e vivendo uma realidade fictícia enganando  e enganando-se, seguindo o que os seus progenitores projectaram nele para que alcance o que eles nunca conseguiram.

 

"É um metro e noventa, moreno, com ar atrevido e olhar profundo. Um menino grande.

Trocou a companhia da adorável Sininho com que todos sonham por um contrato vitalício com os pais, que defendem de quem quiser raptar este Peter dessa Nuncolândia, mal assumida. Contam-se pelos dedos as namoradas que teve.......

Vê em cada mulher um protótipo da Sininho que deseja.....

O pior é que antes mesmo de qualquer menina conseguir ir ao reino da fantasia já estão a ser avaliadas pelo Capitão Gancho. Um trauma para este Peter que conhece as princesas dos seus sonhos de noite, em bares e discotecas da moda, quando não é de dia pela Internet, qual predador em busca de presa. Tarefa fácil, sendo culto, distinto, um poliglota distinto e envolvente.

Geralmente cansa-se da carne antes mesmo de lhe tomar o gosto.

Não é tanto para saciar, antes pelo prazer da caça, o reforço do instinto "animal cavalheiresco".

Este namoradeiro corteja as mulheres que interessam, por e-mail, sms, mms, que telefonar sai caro e ir cansa. Para um flirt irrepreensível, manda flores com tiradas poéticas muitas vezes copiadas. Imita o que os outros conquistadores já fizeram e em momentos de crise de identidade imagina como seria chegar aos quarenta com a vida arrumada. Casa, carreira, amor e filhos, o pacote completo. Depois geralmente acorda. Poucos gostam de viver monotorizados, controlados, sem espaço, em permanente intersecção de afecto, asfixia amorosa.

Este Peter até sonha experimentar voar, mas o Capitão lá de casa cortou-lhe as asas, influenciado pela mulher, Pirata de outros ofícios, que sente ciúme de qualquer uma que seduza ou arrebata o que considera ser seu.

 

Sininho bate-lhe sorrateiramente à janela ou à porta de vez em quando.

De todas é o maior amor e há muito que leva este "Peter Pendente" ás costas para viagens longínquas, de outra forma ele só viajaria em pensamentos e através da literatura, da televisão e do cinema.

Juntos passeiam na praia, fazem jantares ao luar e riem, devolvendo-o ela á procedência antes que o Capitão e Pirata se apercebam que mesmo sem asas o amor poderá sempre voar muito alto e muito longe.

 

Peter gosta mesmo é de Sininho, um amor recíproco, que procura em todas as outras, a prestações. No fundo tem medos e inseguranças, fantasmas. Mas ainda acha que pode agir assim sempre que quiser. Que consegue dar e tirar sem se apaixonar. Até um dia.

 

Na vida real a sua Sininho também não é fada nenhuma, é de pele e osso, sete anos mais velha, embrenhada em dificuldades com duas crianças a tiracolo, a quem ela lê a verdadeira história do Peter Pan antes de adormecerem, para que possam sonhar com magias e brincadeiras de meninos que não querem crescer.

 

A ela falta-lhe a nobreza de um título, o estado civil imaculado, a conta bancária choruda e que os filhos ainda estivessem nos ovários, para que pudesse casar e viver feliz para sempre na Nuncolândia em que nasceu este Peter Pendente. Tão parecido com tantos outros, que deixam as Sininhos desta vida a suspirar de amor, quando se apercebem que nunca serão perfeitas para os que não querem ser homens. Homens que, sem darem conta, pensam que são o último oásis do deserto mas que estão sempre em saldos."

 

E mais á frente pode ler-se:

 

"Formosíssimos, parecem muitas vezes genuinamente enamorados  (mas não conseguem soltar um Amo-te, com medo que nisso se leia um compromisso, que horror).

 

Dos Pedros que por aí andam e se parecem com este "Peter Pendente", suspensos em si mesmos, não reza a história; só se atrevem a magoar uma ou outra pessoa até ao dia em que o sentimento lhes ferra, mas não é fácil que isso aconteça porque por essa altura já têm o coração deformado."

 

E a autora termina dizendo:

 

"Tudo é preferível a acreditar que ainda há pozinhos de perlimpimpim que mudam a vida a alguém de um dia para o outro, ou que se consegue transformar um Peter Pan que não esteja sempre a voltar atrás para ir buscar a própria sombra.

Aqui na Terra como no Céu os homens não mudam. As mulheres também não.

A perfeição não existe mas o Amor insiste."

 

Aqui fica apenas uma parte da história, o suficiente para que se possa avaliar os Peters que andam por aí.

Penso que nalgum momento das nossas vidas conhecemos ou ouvimos os desabafos angustiados de gente que teve o azar de ser Sininho para um Peter que julgaram ser genuíno, que amava, que era divertido e que em vez de se deixar levar era ele que transportava feliz a sua Sininho que amava sem medo do Capitão Gancho.

Quem nunca conheceu nenhum, fica o perfil dos Peters e se tiverem o azar de algum se aproximar com as características atrás descritas, fujam antes que se vejam enjauladas nos truques de um amor que nunca o será.

 

Aqui  encontra informação completa sobre o síndrome Peter Pan

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