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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Ausência

 

Hoje quero passar ao de leve pela vida, duvidar do meu eu, não ter consciência do momento e fugir da minha realidade. Quero vegetar irracionalmente e que as emoções me passem ao lado como se fosse uma brisa inofensiva que não deixa rasto.

Não quero lágrimas nem risos, nem sentidos despertos.

Quero que os olhos vejam sem olharem, quero semicerrá-los e não definir traços, contornos, cores...

Os ouvidos ficarão imunes ao som da música , do canto dos pássaros ou do barulho do mar.

Os meus braços desajeitados, flutuarão à deriva pelo meu corpo, sem encontrarem a solidez de um apoio, contorcer-se-ão, rodarão em movimentos desconexos e involuntários.

Quero planar acima da realidade,  que o corpo deixe de  ser. 

Quero ser embalada por uma lucidez irracional, ser envolvida, por um estado de semi inconsciência, um torpor e uma percepção indefinível de uma realidade recusada.

.Seduz-me esta fuga do real.

Os olhos que antes brilhavam com o nascer do sol, com o riso da criança, com a pequena flor que nasceu no meio do mato, a lua na noite calma, o mar em dias ensolarados, a pintura que está ali...deixaram de cumprir a missão de janelas para o mundo.

O conforto da ausência de emoções  é um estado ilusório de bem estar e de impunidade .

Observo lá do alto, alheia, imperturbável, intocável, saindo incólume de todas as agressões, gozando uma fuga que me atrai e que se confunde com a realidade. 

publicado às 11:02

2 comentários

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    Existe um Olhar 01.09.2009 00:02

    Ai Rolando
    Fiquei comovida com a justificação que deste para o teu comentário anormalmente lacónico.
    Espantou-me também que apesar de não nos conhecermos, irmos percebendo que há momentos em que ideias e emoções convergem.
    Sem nada saberes de mim , descobriste que estou aqui porque gosto, indiferente ao número de comentários que recebo, e sabes porquê? Porque quero ser apenas eu, tal como tu um dia também quiseste , trilhando caminhos paralelos e não cruzados.
    Costumo dizer que tenho uma idade que me permite dizer o que me apetece e que isso não me importe.
    Mais um segredo que quero revelar.
    Sabes porque criei este blog?
    Desde miúda ambicionava ter um diário, mas sempre tive medo que mo lessem, que descobrissem os meus segredos.
    Chegou a altura de vencer esse receio e avançar para este palco, expor sentimentos, recordações de alegrias e tristezas e deixar de uma vez por todas de me importar com a opinião alheia...enfim, ser EU.
    Muito obrigada pelas palavras sempre simpáticas que vais deixando no meu canto.
    Vamos planando então por aqui, aprendendo a voar tal como a gaivota de um dos teus contos e"... entre o Aqui e o Agora encontramo-nos de vez em quando..." escreveu Richard Bach.
    Ui...os meus dois deditos também já dóiem.
    Beijos
    Manu

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