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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Adopção - 2 anos depois

Há uns tempo escrevi aqui e aqui   o percurso de um casal amigo, que reside na Suiça, na tentativa de conseguirem ter um filho.

Foram dez anos de muita luta, muito sofrimento, muitos esforços gorados e muita desilusão. Foram dez anos de esperança que  iam acalentando por cada novo tratamento que experimentavam...tudo em vão.

Um dia já sem forças e com danos de saúde física e emocional, resolveram partir para a adopção. Fizeram-no primeiro em Portugal, mas dado os enormes entraves que lhes eram colocados, passaram para a adopção internacional.

Através de amigos ficaram a saber que na Etiópia o processo de adopção estava muito facilitado, era célere e o sistema funcionava muito bem.

No dia 23  de Agosto de 2008 receberam a primeira foto da M. com três meses. Aceitaram-na de imediato.

Viajaram até á Etiópia, comoveram-se com a precariedade das condições dos orfanatos, mas também com o enorme carinho e cuidados com que eram tratadas todas as crianças, apesar da falta de meios humanos e materiais.

A 22 de Novembro a M. passou a ter uma família. Fez em Junho dois anos e veio há dias passar com os pais um mês a Portugal.

Fiquei espantada com a maneira como se tem desenvolvido...pula, canta, fala umas quantas coisas em português e já vai dizendo outras em alemão. A mãe resolveu pô-la na escolinha alemã dois dias por semana, porque, pensa ela, que uma boa integração num país estrangeiro passa pela aprendizagem da língua, apesar disso não abdica da filha durante o resto da semana, para poder assistir ao crescimento da sua bebé e ao mesmo tempo não perder nenhuma das suas pequenas conquistas. 

Esta é a prova que sempre que se está no caminho certo vale a pena lutar sem desistir dos objectivos para que um dia os sonhos se tornem realidade.

Nem sempre estive desperta para os problemas que têm os pais que querem um filho, mas vivi de perto toda a história e a pouco e pouco através deste blog   fui-me apercebendo das dificuldades por que passam as pessoas que se candidatam a uma adopção e todo o processo burocrático a que estão sujeitas.

Neste mundo conturbado é bom saber que ainda se encontram pessoas de coragem, com um enorme altruísmo e de entrega total a uma causa nem sempre fácil.

 

 

"A força não provém de uma capacidade física e sim de uma vontade indomável." (Mahatma Gandhi)

publicado às 19:39

3 comentários

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    Jorge Soares 21.07.2010 00:18

    Fátima, como pai adoptivo, como membro de uma associação que luta pelas crianças institucionalizadas, como pessoa que se preocupa pelo estado da adopção em Portugal, este seu comentário deixou-me com os cabelos em pé.

    O que é ser quase adoptado?.. seria capaz de apostar que o que conta não foi um processo normal... nos processo normais não há experimentar... não há crianças que vem aos fins de semana para ver se gostam.

    A verdade é que os candidatos se queixam das burocracias e das avaliações, mas este seu comentário deixou transparecer o como elas são importantes.. num processo de avaliação de candidatos normal, este casal nunca seria aprovado... não haveria experimentar..e esta criança nunca teria passado por isto.

    Gostaria que lesse este meu post: http://oqueeojantar.blogs.sapo.pt/79832.html e este outro : http://oqueeojantar.blogs.sapo.pt/81953.html

    Jorge Soares
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    FatimaSoares 21.07.2010 17:50

    Li os seus posts como me aconselhou mas o que aqui disse é verdade e peço desculpa Jorge nem tudo é tão cor-de-rosa e linear como parece. Na minha família ou na do meu marido tenho casos, de sucesso e de desmoralização e aquele que já sabe que me arrepia tantos os cabelos ou mais que a si pois assisti a ele e acho inominável isto, mas que sucedeu, sucedeu... e digo-lhe que está longe de funcionar tudo tão bem. Talvez que o senhor seja um bom elemento e zele pelo interesse das crianças e dos pais uma vez que sabe e é um exemplo da adopção, mas infelizmente há muitas pessoas que olham as crianças como um estorvo. Quanto a mim uns pais adoptivos em condições não olham a raça, estatuto, idade, defeitos e por aí... DEVEM OLHAR a que é um ser humano carente de afecto e isso é o que importa. Mas quando se impõe características e imposições simplesmente não lhes devia ser atribuída uma criança. Nã o são cães nem gatos e até esses são seres viventes dignos de respeito e carinho. Infelizmente o mundo é podre e as instituições nem todas tem um director como o Refúgio Aboim Ascensão... peço desculpa à Manu de estar a usar o blog dela para isto mas é uma das coisas que me choca e me indigna e ver o que eu vi e ainda hoje sinto é indescritível...mas foi real.
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