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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Um estendal nas muralhas!?

Óbidos, é conhecida por manter a sua traça e há normas que todos os moradores devem seguir:

Telhas de canudo nos telhados, casas pintadas de branco, ruas calcetadas, o trânsito só acontece na maior parte das ruas para moradores e com dístico dado pelo município e na maioria delas os visitantes percorrem-nas a pé tendo sido criados parques de estacionamento no exterior para que os milhares de turistas qua ali passam possam passear descansados e usufruir das maravilhas desta vila.

Qual não foi o meu espanto, quando ia a sair vi mesmo junto às muralhas um estendal que desfigurava a imagem desta vila medieval.

Será que neste dia quem fiscaliza estava de folga?
Uma imagem que gostaria que desparecesse nesta terra que tanto amo!

 

 

publicado às 13:33

Um fim de semana para recordar

 

Durante parte da semana andei agarrada á História, desfolhei manuais, consultei a net e os meus apontamentos de há uns anos atrás em que ensinei a muitos meninos de todo o país um pouco do passado da vila de Óbidos.

 

Fui surpreendida com um pedido para fazer este Domingo uma visita guiada, não a crianças, mas a cerca de quarenta adultos ligados a algumas corporações de bombeiros de diferentes partes do país.

Apesar de ficar atrapalhada, não tive coragem para negar o pedido e hoje lá fui, confesso um pouco a medo de confundir séculos, rainhas, arquitectura, nomes de monumentos e todas as histórias a eles associados.

 

Cheguei um pouco antes e dei uma última vista de olhos nas notas que levava na carteira.

 

Reuni toda a gente num local sem grande movimento e onde houvesse alguma concentração, não com o objectivo de conseguir que as pessoas ficassem a saber tudo, mas apenas para testar a minha capacidade de captar a atenção dos ilustres visitantes.

 

Gente simpática afinal, alguns com formação em História e ao longo do percurso fomos entrecortando a informação com assuntos de cariz pessoal.

 

Senti que ficaram satisfeitos e eu radiante por saber que não tinha perdido o treino.

Tiraram-se muitas fotos e no final foi obrigatório beber uma ginjinha em copo de chocolate.

Para acabar em beleza convidaram-me para almoçar  um belo cozido á portuguesa do qual já tinha saudades.

 

Amanhã tenho que dar o dobro das braçadas na piscina porque as calorias aumentaram já que no Sábado á noite fui a um aniversário e empanturrei-me com bolo de chocolate, para além de outras coisas, tudo bem regado, claro.

 

Há fins de semana entediantes , mas deste não me posso queixar.

 

publicado às 22:09

Há festa no reino

Vieram de todo o lado... príncipes, princesas,  nobres, damas, cavaleiros e pajens. Chegaram também os mendigos, saltimbancos, guerreiros, bobos e adivinhos.

Ergueram as tendas, acenderam o lume, afiaram as espadas, deram de comer aos cavalos, sentaram-se em volta das fogueiras e esperaram  que a lua aparecesse naquela noite de céu claro.

Falaram das novas de reinos distantes enquanto bebericavam  e comiam as carnes que no espeto rodavam lentamente.

No castelo altaneiro tremeluziam as luzes dos archotes que iluminavam os aposentos do alcaide-mor e das suas aias.

Esperavam-se dias de festa, de combates amistosos, de acrobacias audazes, de malabarismos, de magia, de dança, de desfiles ao cair da tarde.

Engalanaram-se as ruas...bandeiras de várias cores pendiam nas varandas.

Ouviam-se pregões, vendiam-se cestas, mezinhas, chás, armas, tapetes, potes, e amuletos.

Esqueceram-se guerras antigas, os soldados abraçaram-se e cortejaram-se as damas.

 

Durante alguns dias vão esquecer o aumento do IVA, o desemprego, a inflação, o futebol, o PEC, o pagamento das SCUTS, as injustiças sociais, a corrupção, os negócios de milhões e as falcatruas dos burlões.

Durante alguns dias queremos esquecer e brincar ao faz de conta aqui, onde a magia acontece.

 

MAGIA ENTRE AMIGOS...Estão prontos?
A minha varinha mágica acabou de me dizer que dia 17 vai estar um dia excelente...que tal pegares na tua vassoura e vires até cá passar o dia com os teus amigos virtuais?! Almoço na esplanada da Lagoa de Óbidos (foto aqui) e (aqui) pela tarde um cheirinho a Feira Medieval...que te parece?...anda daí, só preciso de saber quantos são.

 

publicado às 19:47

Casa de rainhas

                        Leonor                                    Isabel                    Catarina

-Óbidos foi casa de rainhas- dizia a tia Matilde, que resolveu levar os sobrinhos até Óbidos e contar-lhes algumas das "estórias" que ela conhecia tão bem.

- Casa de rainhas? Que quer dizer isso?- perguntava a Mónica, sempre curiosa, atenta e cheia de vontade de saber um pouco mais sobre a História de Portugal.

-Os reis quando casavam ofereciam às esposas esta terra como prenda de casamento..

- Ai, quem me dera ser rainha! -Suspirava a  Mariana, com aquele ar sonhador que lhe era tão peculiar.

- Pois, mas se fosse eu- dizia o Pedro com um ar reguila,  - se fosse rei, não dava esta terra tão bonita a ninguém, era o que faltava... ficava aqui no castelo com as aias e dava bons passeios pelas muralhas e jardins.

- Não penses que as rainhas não faziam nada, todas elas se preocuparam em transformar Óbidos numa terra onde as pessoas pudessem viver em boas condições- respondia pacientemente a tia Matilde.

- Ora tia...mulheres... o que é que elas podiam fazer?- retorquia o Pedro

- Tanta coisa...nem imaginas! Não posso falar-vos de todas, as que por aqui passaram, senão vocês cansavam-se de me ouvir. Vou falar-vos apenas de três: rainha Santa Isabel...

- A do milagre das rosas?-apressou-se a dizer a Bárbara, que era a mais velha do grupo  e quem sabia um pouco mais de história

-Sim, essa mesmo, foi uma das rainhas que mais tempo passou em Óbidos. Era muito bondosa, amiga dos pobres e doentes e quando  aqui esteve, haviam muitos leprosos que eram expulsos para bem longe, para não contagiarem ninguém. Viviam em péssimas condições. A rainha santa  logo tratou de mandar construir um hospital, moradias e uma capela, para que eles pudessem viver dignamente.

Ao mesmo tempo que ia falando, a tia Matilde ia apontando o local onde tudo tinha sido construído.

-Mais, mais, conta tudo!- pedia a Inês com grande entusiasmo.

A tia, contente, por sentir o interesse dos sobrinhos, continuou cada vez  mais empolgada a contar mil e uma peripécias que a enchiam de orgulho e satisfação podendo assim  reviver o tempo que passou a contar a milhares de meninos que vinham de vários pontos do país a "estórias" da História desta vila encantada.

Quando lhes disse que D. Leonor veio pela primeira vez a Óbidos para chorar a morte do seu único filho, Afonso, que morreu afogado, tendo sido mais tarde encontrado por uns pescadores e entregue á rainha envolto numa rede, as crianças soltaram um " ..oh...coitadinha!" e um silêncio incómodo, instalou-se durante alguns instantes.

O dia estava quente, Matilde levou os miúdos para debaixo de uns plátanos, onde se podiam sentar e continuar a ouvi-la.

- Tia...tia...que arcos são aqueles?- Perguntou Catarina, a mais nova do grupo.

- É um aqueduto, querida, por cima daqueles arcos passava água que vinha  duma aldeia que fica pertinho daqui. Foi a rainha D. Catarina d`Áustria que o mandou construir.

- Catarina?! Uau...o mesmo nome que eu! - exclamou a pequenita, endireitando as costas e dando ares  de grande importância.

- Mas não fez só isto, mandou construir um chafariz onde ia ter a água que passava no aqueduto, para que as pessoas pudessem ter outros hábitos de higiene.

-Daqui a pouco paramos lá e podem beber água.

- Ainda bem- responderam em uníssono- temos tanta sede!

- D. Catarina foi das rainhas que mais trabalhou em Óbidos, apesar de ter tido pouca sorte.

Teve nove filhos e morreram todos muito novos, ficou sem  nenhum, apenas com um neto.

- Noveeeee? Tantos!- exclamou a Mariana.

- Não sabes que naquele tempo não havia medicamento para fazer parar os bebés?- disse muito segura de si a pequena Catarina, pensando que estava a dizer uma grande verdade.

Os primos soltaram uma enorme gargalhada, a tia virou a cara para disfarçar um  sorriso. Mudou imediatamente de assunto e sugeriu uma paragem para comerem um gelado.

- Vamos hoje ao castelo tia? -perguntaram

-Está tanto calor que acho que uma  banhoca na Lagoa ia saber muito bem, mas prometo que amanhã, ao final da tarde, voltamos; gostava de vos contar  a lenda da tomada do castelo, que acham?

- Fixe tia, boa ideia!- respondeu o Pedro enquanto os primos acenavam com a cabeça em sinal de aprovação.

 

publicado às 23:59

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