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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Falando de Julieta

Depois de um mês ausente em terras brasileiras, voltei de novo ao meu canto.

 

Conheci família que não pensava que tinha, visitei lugares maravilhosos, usufrui da hospitalidade e alegria de todos os que me acolheram e sem dúvida vim mais rica.

 

Mas hoje  do que quero falar é mesmo da minha querida amiga Julieta do blog Reconstruindo Caminhos

Já não me lembro bem quando ela me visitou pela primeira vez, apenas senti desde o início que se tratava de uma pessoa especial.

 

Começámos a trocar emails e ficámo-nos a conhecer um pouco melhor.

 

Mal soube que eu ia ao Brasil disponibilizou-se de imediato para que nos pudéssemos encontrar em João Pessoa a cidade onde reside.

Tudo combinado e à hora marcada me esperou no hotel. Sentimos pena por termos  tão pouco tempo para ficarmos juntas, mas como não dependia de mim tivemos de nos conformar e tentar aproveitar ao máximo o tempo de que dispúnhamos.

 

Tenho por hábito fazer uma imagem sobre as pessoas que me visitam, não penso se é alta ou baixa, gorda ou magra, nova, ou de idade avançada, rica ou pobre; é sim através das palavras que tento perscrutar o que vai no coração de cada uma, imagino se são alegres, positivas, tristes ou magoadas, corajosas ou acomodadas, lutadoras e assertivas.

 

A Julieta superou todas as minhas expectativas e foi bom conhecer e partilhar um pouco das nossas vidas com uma das pessoas mais gentis que conheci.

A sua sensibilidade, gentileza, simpatia e disponibilidade comoveram-me.

Falava rápido como se sentisse que era pouco o tempo para tanto que tínhamos para dizer.

Passeámos no areal da praia que fica a dois passos do seu apartamento de sonho. Contou-me como é junto ao mar que lhe vem a inspiração para os textos bonitos e sentidos com que nos presenteia. Falámos da vida, das nossas vidas e sobretudo do nosso amigo Rolando que morreu tragicamente em terras brasileiras e da Libel, essa mulher cheia de energia e boa disposição que a todos dispõe bem.

 

Levou-me a conhecer tudo o que há de mais bonito na sua terra e saboreámos cada instante com uma avidez saudável de momentos, olhares e sensações que jamais se perderão no tempo.

 

O meu amigo Jorge Soares costuma dizer que as pessoas da blogosfera são especiais e nunca como hoje concordo com ele.

 

Muito teria ainda a dizer e a partilhar sobre esta grande alma e este coração enorme de Julieta, mas fico-me por aqui com o meu mais sincero agradecimento.

Obrigada Julieta por teres cruzado no meu caminho!

 

 

Vou abrir a porta do meu canto e sair por uns tempos

Martin Luther king disse um dia que "O tempo é sempre certo para fazer o que está certo".

 

Não sei se é certo o tempo que tenho.

Dúvidas há-as sempre quando temos de tomar decisões e fazer escolhas

Deixar de arriscar, ousar, procurar outras formas de viver e ser não é apanágio desta alma inquieta que há uns anos anda por aqui.

Fazer, só por fazer, não e nem nunca será a minha maneira de ser e de estar.

Quero sentir o que faço, o que escrevo, o que leio, o que quero encontrar.

 

A eterna descoberta de novos caminhos, outros objectivos, outra maneira de ver e viver a vida, impedem-me de estar por aqui durante uns tempos.

A minha vida é feita de momentos, de surpresas de imprevistos e aceito-os como sinais de que algo deve mudar e ser transformado.

 

Verificar que não consigo responder a quantos com carinho, dedicação e amizade que se foi solidificando, dói-me, não tem a ver com a minha maneira de estar e ser, é como se alguém conversasse comigo e eu não desse atenção e mostrasse desinteresse em ouvir, opinar, partilhar e sobretudo corresponder à amizade e carinho que tantos me devotam.

 

Portanto meus amigos, vou escancarar a porta deste meu canto, mas as minhas visitas essas continuarão com a assiduidade que me for possível.

Não quero esquecer ninguém e todos terão neste canto um lugar especial cheio de afecto, cumplicidade e palavras amigas e solidárias.

 

E já que as palavras escasseiam, as ideias se esvaem continuarei com a minha paixão de sempre no meu blog

 

EXISTE UM OLHAR.

 

Até sempre!

Amizade

Foto do blog Existe um Olhar

 

Hoje foi dia de festa, como são todos os que são pautados pela alegria, amizade e partilha.

 

A minha amiga Fernanda fez anos. Reuniu-se a família mais chegada e alguns amigos. Os cães, os seus cães que ela tanto adora, andavam num corrupio e numa excitação devido ao natural vaivém de gente que entrava e saía, sentindo outros cheiros que lhes enchiam as narinas, talvez adivinhando que o repasto ia ser melhorado.

 

Foi só mais uma festa das muitas a que vou quando me convidam. Foi um aniversário, podia ser um simples jantar, um chá a meio da tarde, um copo bebido com calma em amena cavaqueira, ou simplesmente estar, conversar, trocar ideias, sorrir, ficar a par dos últimos acontecimentos do dia de cada um, ou mesmo a anedota contada por alguém com um jeito incrível para o fazer. Podia ser uma discussão sobre um assunto mais sério, um desabafo sobre um ou outro desaire financeiro ou familiar, podia-se falar dos filhos, da crise, dos medos, enfim podia ser tudo, mas acima de tudo é sempre a amizade que está presente.

 

Aproxima-nos  a serenidade de quem confia, de quem se sente bem, de quem sabe que há alguém que ouve as nossas alegrias e tristezas.

Sente-se apreço nesta aproximação e o ânimo, solidariedade e sabedoria, são factores que nos enriquecem e nos fazem sentir que não estamos sós.

 

Brindámos à amizade que nos une há muito e saí dali com o coração reconfortado, porque sei, que por mais dura que a vida seja, há sempre algo ou alguém que vem colmatar todas as tristezas e preencher cada momento com esperança, fé, confiança serenidade, e  jamais permitirei que o azedume, a intolerância, o despeito, a inveja, o ciúme entrem no meu coração, que eu protejo todos os dias das intempéries, brindando-me com esta enorme força de poder sorrir e agradecer.

O que não é amor?

 Fala-se tanto em amor, amizade e paixão... Que tal falarmos do que não é amor???

        Foto do meu blog Existe um Olhar                                                                                   

 

Se tu precisas de alguém para ser feliz, isso não é amor. É carência.

 

Se  tens ciúme, insegurança e fazes qualquer coisa para conservar alguém ao teu lado, mesmo sabendo que não és amado(a), e ainda dizes que confias nessa pessoa, mas não nos outros, que lhe parecem todos rivais, isso não é amor. É falta de amor próprio.

 

Se acreditas que "ruim com ela(e), pior sem ela(e)", e a tua vida fica vazia sem essa pessoa; não te consegues  imaginar sozinho(a) e manténs um relacionamento que já acabou só porque não tem vida própria - existes em função do outro - isso não é amor. É dependência.

 

Se achas que o ser amado te pertence; sentes-te dono(a) e senhor(a) de tua vida e de teu corpo; não te dá o direito de te expressares, de fazeres escolhas, só para afirmar o seu domínio, isso não é amor. É egoísmo.

 

Se tu não sentes desejo; não te realizas sexualmente; preferes nem ter relações sexuais com essa pessoa, porém sentes algum prazer em estar ao lado dela, isso não é amor. É amizade.

 

Se vocês discutem por qualquer motivo; morrem de ciúmes um do outro e brigam por qualquer coisa; nem sempre fazem os mesmos planos; discordam em diversas situações; não gostam de fazer as mesmas coisas ou ir aos mesmos lugares, mas sexualmente combinam perfeitamente, isso não é amor. É desejo.

 

Se o teu  coração palpita mais forte; o suor torna-se intenso; a temperatura sobe e desce vertiginosamente, logo que pensas na outra pessoa, isso não é amor. É paixão.

 

(By Mon Liu)

 

Feito o diagnóstico é importante e urgente encontrar a cura.

O meu Natal de hoje

 

 

Já passaram por mim muitos natais, uns com a família, outros a trabalhar, outros com o meu filho e até já passei um sozinha.

 

Quis experimentar a sensação de estar numa mesa com a tradicional comida da época, com velas acesas, uma toalha em tons de vermelho, os melhores pratos e talheres e aquele vinho que escolhi como sendo o melhor na altura, ou o que mais me apetecia.

 

A lareira crepitava, a sala estava acolhedora, uma música suave tocava baixinho e deixei-me embalar na doce solidão que escolhi para aquela noite , onde adivinhava e imaginava o que se estaria a passar em muitas casas de amigos, família e também por esse mundo fora.

Saboreei cada instante e houve momentos em que fingi estar feliz, mas de imediato afastava essa comiseração e concluia que afinal acabava por nunca estar verdadeiramente só, pelo menos sabia que alguém bem longe, pensava em mim e tinha falado comigo nessa noite...o meu filho!

 

Debaixo da minha árvore de Natal, bem singela, amontoavam-se algumas prendas que seriam distribuídas no dia seguinte.

 

Hoje, sei que na noite do dia 24 não estarei só, porque os meus amigos recusam-se a deixar-me e quase se escandalizam quando digo - Ah não sei, talvez vá...

E vou, vou porque sinto que o convite é um sinal da amizade que verdadeiramente nos une e estaria a ser ingrata se ignorasse a estima e consideração que me devotam.

 

Vou porque a família pode não ser apenas uma instituição, mas um espírito de união, de solidariedade, cumplicidade, de partilha e de muita amizade.

 

 Hoje, Natal é lembrar os que estão longe e que amo e que esse amor não tem fronteiras e faz-se sempre perto quando há elos que o coração não deixa quebrar.

 

Hoje, ao meu Natal tenho de acrescentar algo que fui recebendo ao longo de quase dois anos na blogosfera... os meus amigos, alguns virtuais, outros reais, que têm estado comigo, me têm visitado, encorajado, fazendo companhia e criando laços indissolúveis de união e amizade. Para todos vós, que fazem com que nunca esteja sozinha, quero que saibam que estão sempre no meu coração, sentados aqui no meu cantinho , falando da vida e das nossas vidas.

Para todos um Feliz Natal e muito obrigada pela vossa presença, já não sei passar sem vocês.

 

Hoje, é este o sentido de Natal que escolhi para a minha vida.

 

A minha paleta de cores

São cores apenas que atiro sem pensar sobre uma tela nua e branca.

Não sei pintar, invento em cada movimento um significado para cada nova cor e imagino sorrisos azuis, olhares acastanhados, palavras de todas as cores que me falam de amizade , cumplicidade, me falam de ti, de mim, de todos nós.

Hoje o meu quadro ficou mais colorido, os brancos mais brancos, os amarelos raios de sol, os rosas alegrias, os cinzentos confidências, os verdes a esperança, os vermelhos coragem.

No fim pendurei o meu quadro naquela parede nua que esperava há muito ser embelezada com a amizade, carinho, emoção e gratidão.

Hoje celebrou-se, conviveu-se, sorriu-se, fizeram-se confidências que ficarão para sempre guardadas com pinceladas que arranquei da minha paleta de cores.

Carta de uma amiga

Este não foi um Verão fácil para mim, felizmente ele está a chegar ao fim, e em termos de saúde deixou muito a desejar, mas a falta dela tem como causas problemas que vamos somatizando e em que a nossa mente por vezes tão poluída arranja um escape e é no corpo que se vão reflectindo os nossos estados de alma, alertando-nos para que limpemos o velho para dar lugar ao novo, é  um tempo de renovação que passa por um processo doloroso , mas que urge ser  feito.

É nestas alturas que damos verdadeira importância aos amigos e que tomamos consciência da sua presença.

Num desses momentos menos bons e apesar de ser uma amiga distante, escreveu-me uma carta que há muito desejava publicar.

Vem aí o Outono, as tardes calmas , o cair das folhas velhas as tardes tranquilas, o tempo em que tudo parece desaparecer para voltar a renascer.

Achei ser este o momento oportuno para agradecer e reconhecer que os verdadeiros amigos se fazem presentes quando mais precisamos.

Hoje e como me sinto renovada, em que muitas folhas caíram, em que deixei para trás mágoas, apegos e ressentimentos, achei que seria o momento de publicar esta carta.

Dizia assim:

 

Amiga

Sei que algo te desanima, que estás triste, sei que andas a pensar demasiado na vida, sei que este período de Verão, é aquele que nos leva a sonhar, a desejar coisas, que nos olhamos mais no espelho, que prestamos mais atenção em nós, que nos expomos mais, que nos libertamos, que nos entregamos, mas que a rotina se instala e nada muda. Sei que te sentes só, apesar de tantos amigos á tua volta e pessoas que te adoram, sei que precisas de algo mais, para te sentires completa, sei que temos quase tudo, mas falta-nos o essencial. Sei que há momentos mais fortes que nós e desabamos. Sei que precisas desse tempo para dares a volta por cima e sei que vais conseguir sair desse sufoco...sabes porquê? Porque também sou mulher, porque também tenho desses dias, porque o Verão é apelativo e aviva memórias, porque apesar de feitios diferentes , de vidas diferentes, aspectos diferentes, nessa hora somos todas iguais, mas ainda bem que assim é, sinto orgulho em ser mulher e sinto-me privilegiada em ter essa força e por pertencer a esse grupo de pessoas, que escondem uma força bruta tão subtil. Conseguimos renascer das cinzas e continuar a labutar com um sorriso encantador. Conseguimos com um smples Click, acordar e olhar em volta, perceber o quanto a Natureza é bela...aquela flor tão perdida parece pequena, mas está lá, marcando presença imponente e bela no seu pequeno espaço, vivendo e usufruindo, daquele sol lindo, que a aquece naqueles finais de tarde.

Damos valor ás pequenas coisas, vimos beleza nas coisas simples, encontramos delicadeza nas coisas desalinhadas...estamos atentas aos pormenores, esses fazem pequenos momentos nascer, essas são as nossas vitórias, as nossas vivências, mesmo pequenas ou passageiras, são a NOSSA VIDA, aquela a que nos agarramos e naquela onde encontramos sempre motivos para sorrir, por isso amiga, fica atenta aos pormenores, eles estão lá, apenas tens que fazer CLICK.

 

O Click aconteceu amiga, foi a tua carta, a força dos meus amigos, aquela vontade férrea de não me deixar vencer pelo desânimo e ainda a força indomável que só nós mulheres possuímos.

Estou viva, o sol brilha de novo no horizonte, as ondas do meu mar continuam incansáveis a espreguiçar-se na areia e as noites de luar continuam a iluminar o que dantes parecia tão escuro.

 

Muito obrigada Isabel!

Quanto vale a sua Felicidade? (By Julieta Barbosa)

 

"Uma pergunta me intriga: se hoje fosse o último dia da sua vida, como, com quem e onde você gostaria de estar? Experimente responder a isso sinceramente e veja para aonde as suas escolhas o estão conduzindo... É inacreditável, que uma questão aparentemente tão simples, possa nos levar a um estado de inquietação que nos remete aos primeiros anos de nossas vidas, quando - crianças ou adolescentes – ainda não sabíamos ao certo como agir e para onde ir. É perturbador, reconhecer que, em sua maioria, muitos vão resvalar pelas respostas fáceis, escondendo-se ao abrigo das decisões que não lhes permitem voltar atrás, quer seja por comodidade, por pura covardia ou por outro sentimento de somenos importância. Uma outra indagação se faz necessária para servir de complemento à primeira: afinal de contas, quanto vale a sua felicidade? Às vezes, tenho a impressão de que algumas pessoas vivem numa eterna ponte aérea, entre o ser ou não ser, o ir e o vir, o desejar e o deixar partir e entre tantos sentimentos contraditórios, se perdem nos labirintos das escolhas mal sucedidas. Não sabem se vivem de verdade ou se levam uma vida virtual. Parece que estão sempre empacotando junto com as suas coisas materiais, as suas mudanças internas de afetos e sentimentos mal resolvidos, numa eterna andança para lugar nenhum. Sempre ouvi dizer que o nosso lugar é onde está o nosso coração, mas o de algumas pessoas parece não estar em parte alguma. Vivem de mochilas nas costas procurando o seu espaço no mundo e esquecem de procurá-lo dentro de si. Passam tão pouco tempo consigo que já têm uma credencial permanente para a inadequação e outra para o deslumbramento... Não se atrevem a reavaliar as suas opções, as suas escolhas e amiúde, passam à vida em brancas nuvens. São andarilhos de caminhos incertos que sobrevivem economizando felicidades. Por isso, responda sinceramente: se hoje fosse o último dia da sua vida; como, com quem e onde você gostaria de estar? Feito isso, eu volto a lhe perguntar: quanto vale a sua felicidade?"

 

Tive alguma dificuldade em escolher um texto do livro que me ofereceu a minha amiga Julieta Barbosa do blog Reconstruindo Caminhos, tal a qualidade e arte de bem escrever que se respira em cada palavra que os meus olhos percorreram avidamente.

Há momentos na vida que nos surpreendem, que se fazem tão inesperados que o nosso coração parece explodir de contentamento e alegria. Foi o que me aconteceu quando recebi um email da Julieta que me dizia que por ocasião do seu aniversário, os seus três filhos a surpreenderam com a edição de um livro onde colocaram os fabulosos textos do seu blog. Bonita e merecida homenagem.

No livro cada um dos seus filhos descreve á sua maneira e de forma comovente o que pensam e sentem sobre a mãe.

Se mais não existisse, penso que só pelo amor e dedicação que transparece nas palavras deles, já valeu a pena ter vivido.

Julieta, não espero muito da vida, não lhe peço demasiado, apenas que me deixe usufruir de alguns momentos de felicidade como o que senti quando me concedeu o privilégio de conhecer um pouco mais da mulher que com enorme ternura sabe dar... dar afecto, compreensão e amizade.

Escolhi este texto, mas podia ter escolhido outro, mas, quando escreve sobre o quanto vale a felicidade, foi como se uma força me impelisse a dizer-lhe:

O que vale a minha felicidade Julieta? 
A minha felicidade vale o momento, porque a vida é feita deles... eu quero escolher os que me fazem feliz e este foi um dos que me deixou uma marquinha que guardarei no meu coração e se palavras houvessem não chegariam para definir o que sinto.

Muito obrigada amiga.

Hoje há festa no jardim dos girassóis!

O dia amanheceu calmo. Uma pequena brisa fazia ondular suavemente os girassóis, que rodeavam a casa da Libelinha.

Uma imensa mancha amarela, salpicada de folhas verdes, reflectia os primeiros raios de Sol. O silêncio próprio de um amanhecer que fazia adivinhar um dia tranquilo, era apenas interrompido pelo suave piar dos pássaros que faziam voos rasteiros, procurando alguma minhoca desatenta.

Libelinha adormeceu tarde porque decidiu dar um ar ainda mais alegre e primaveril ao seu cantinho. Colocou cortinas novas nas janelas, á porta vasos de malmequeres e amores perfeitos ladeavam um pequeno carreiro que circundava a pequena casa. A sala onde se aninhava todas as noites, também parecia diferente. Sacudiu os tapetes, varreu, limpou o pó, mudou de sítio algumas fotos que expunha aqui e ali. Lençóis coloridos debruavam a cama onde agora dormia. Na cozinha ainda se sentia o cheiro da tarte de amêndoa que era a delícia de quem a visitava. A galinha em louça lá estava, guardando alguns ovos que tinham sobrado.

Pouco a pouco o campo de girassóis, outrora amarelo, começou a ser salpicado de outras cores que vieram em segredo fazer-lhe uma surpresa. Vieram de todo o lado, algumas atravessaram o mar e fizeram questão de também hoje se fazerem presentes. Caminhavam cautelosamente, avisando-se umas ás outras quando faziam algum ruído que as denunciasse.

A amizade vinha de rosa, a simplicidade preferiu o branco, a alegria fez questão de escolher um vestido bem colorido, o sorriso e a gargalhada que eram gémeas vieram de azul, o amor preferiu o vermelho, sabia que seria facilmente identificável com essa cor que toda a gente associava ao coração e ao sentimento mais nobre. A cumplicidade teve alguma dificuldade nas escolhas, já que se identificava com todas as suas amigas, mas decidiu-se pela cor violeta. De repente do amarelo da paisagem surgiu um arco-íris.

Lentamente aproximaram-se da casa e todas em uníssono gritaram:

-Libelinha acorda!

Estremunhada, levantou-se estranhando aquele barulho enorme, que contrastava com o silêncio a que estava habituada, ainda pensou que tivesse sido um sonho, mas de novo as vozes se fizeram ouvir:

-Libelinha acorda!

Caminhou em direcção a janela e abriu-a de par em par...foi então que de boca aberta, sem conseguir articular palavra ouviu um coro dizendo:

Parabéns Libel!

Emocionada, deixou que uma lágrima teimosa rolasse, mas de imediato um enorme sorriso se estampou no rosto e abrindo os braços envolveu todos os que hoje se lhe juntaram para comemorar mais um aniversário.

 

 

Um dia recebi aqui no meu canto um bilhete que guardo carinhosamente e que mostra toda a nobreza de alma e o enorme coração da minha amiga. Dizia assim:

 

"Sabes uma coisa Manu, eu tenho sempre razão quando desafio esta minha mania de me apaixonar por tudo o que a vida me oferece, vivo na busca de motivos para que o encanto nunca termine. Sim, eu preciso, tenho necessidade de ser encantada constantemente, serão manias??....cheias de razoabilidade, penso eu!!...

Não sei onde quero chegar. Mas sei os caminhos que quero percorrer e sei quem quero levar comigo. Preciso de carinho, de música, de beijo, de abraço, de doce, de ser surpreendida, de emoção. Necessito de aventura, de intensidade, de amor, de paixão, de poesia..., de afagos e de gostar de mim!!..

Quero tudo que é quente, tudo que é gelado. O leve e o pesado. Correr e ficar parada. O oito e o oitenta, sem passar pelo meio termo. O carinho e a cólera. A sensibilidade de um olhar e a química de um toque. Viver para quem merece e morrer de amor. Será pretensão de minha parte??..Não. Encontro sempre uma razão para ser feliz.

Gritar até que ecoe do outro lado do mundo e ficar em silêncio, olhando para ti, para mim, para todos os que nos rodeiam e sorriem para nós. ... Quero mil amores, mil amizades à primeira vista e um milhão de finais felizes. Uma razão sentimental.

É preciso encontrar razão em alguma coisa, lutar pelos objectivos, não deixar de ser, nem de fazer, tão pouco de ouvir, mas sempre no alcance da felicidade. Isso sim eu chamo de ESCOLHA!!..."

 

Parabéns Libel!

Um beijo enorme da tua amiga Manu!

 

Escrava do Tempo

 

Naquele dia o mundo parou para ela, era como se o tempo que até ali tinha sido pródigo em amargura, desdita e sofrimento, tivesse feito um intervalo e os ponteiros do relógio tivessem parado num instante que ela desejou que terminasse depressa.
Olhou pelos minúsculos buracos rasgados no manto que a cobria e circundou com o olhar a praça onde estava exposta e onde muitos homens sonhavam comprá-la.
Recordou o tempo em que pôde brincar nos campos ensolarados das estepes chinesas. Lembrou o som do rio que deslizava tranquilo e onde tinha chapinado com alegres risadas que se misturavam com o chilrear de aves que sobrevoavam pachorrentas por entre a vegetação.
Mas agora o tempo era outro, não tinha escolhas, estava resignada, o seu coração calejado e dorido já não sabia o que era dor, estava imune a tudo, como se um escudo a protegesse e não deixasse que uma ou outra coisa a emocionasse.
Nos olhos nem uma lágrima.
Atrás dela sua mãe ouvia as ofertas que ia recusando uma a uma, sabia que estava a vender um tesouro, uma jóia que iria dar sorte ao homem que tivesse dinheiro suficiente para a comprar.
Falava-se da sua beleza, dos seus olhos acastanhados, da doçura da sua expressão, do poder que tinha para transformar tudo o que a rodeava.
Indiferente, apática, parada num tempo que passou, ela intimamente pedia para que aqueles instantes fossem irreais, pedia para que tudo terminasse depressa.
E terminou...ele acercou-se dela e fez a melhor oferta.
Continuou sem rumo, sem hora, servindo, obedecendo e cumprindo uma espécie de pena que o destino lhe tinha traçado num tempo distante de um dia qualquer.
Os anos passaram e o sonho que julgava ter perdido reapareceu no instante em levada pelo vento voou rumo á liberdade.
Hoje, só ela sabe que a escrava de um tempo se foi, para encontrar outro tempo que ela escolheu...o tempo da liberdade.

 

(Texto do desafio em cadeia, round VI)

 

A saudade, a cumplicidade, a sensibilidade e a simplicidade, são palavras que formaram um elo de amizade entre pessoas que um dia resolveram aderir ao desafio proposto pela Marta.

Desta vez O Sorriso de Geia   decidiu que eu ficasse escrava desta iniciativa e construiu mais um elo que me deixou presa a emoções inesperadas.

Foi o espanto, a surpresa pela decisão que tomou ao escolher "A escrava do tempo" como continuadora deste tempo de partilha.

Agora já liberta de amarras conto voar por aí para motivar e incentivar à partipação de todos os que fazem dos seus blogues estandartes de amizade , de sonho e imaginação.

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