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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

O tempo que me foge

Já lá vão uns aninhos quando decidi criar este cantinho, hoje abandonado por falta de tempo e porque na vida há sempre muitas mudanças que nos impedem de continuar a fazer algo que gostamos.

 

Alimentei este meu espaço com carinho e aqui guardo um pouco de mim e dos inúmeros comentários que ainda hoje releio com saudade.

 

Aqui fiz muitos amigos, uns virtuais e outros que se tornaram reais e que me acompanham sempre que possível, promovendo encontros onde matamos saudades e falamos de tudo.

 

Seria incapaz de apagar fosse o que fosse do que aqui escrevi, aqui mostro um pouco daquilo que sou, que penso e que vivi.

 

Hoje sinto uma espécie de frustração porque não consigo estar presente, responder aos comentários sempre simpáticos e generosos que me vão fazendo, daí o meu pedido de desculpas.

 

Para além das mudanças que foram acontecendo na minha vida, no meu quotidiano, nasceu a paixão pela fotografia e o meu Existe um Olhar, esse espero não abandonar.

 

Sempre que possível virei até aqui, não com a assiduidade que gostaria, nem falando  sobre o que me vai na alma, mas tentarei manter viva a chama, que mesmo fraca, será concerteza carinhosa.

 

A todos os que ainda não desistiram de me visitar o meu muito obrigada.

 

 

Volto mais tarde

 

 

Foto do meu blog Existe um Olhar

 

A ausência que tinha anunciada, só interrompida para homenagear o nosso amigo Entremares (Rolando) vai continuar por mais algum tempo.

 

 

"É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do que falar e acabar com a dúvida." (Abraham Lincoln)

A frase que escolhi para deixar aqui em jeito de reflexão é a que melhor se adequa ao momento e enquanto muitos ficarão com a dúvida se serei ou não idiota, prefiro continuar a optar por descortinar olhares que poderão revelar que a natureza no seu silêncio é a melhor estratégia que poderei utilizar para tomar consciência de mim mesma e do que me rodeia.



 

Vou abrir a porta do meu canto e sair por uns tempos

Martin Luther king disse um dia que "O tempo é sempre certo para fazer o que está certo".

 

Não sei se é certo o tempo que tenho.

Dúvidas há-as sempre quando temos de tomar decisões e fazer escolhas

Deixar de arriscar, ousar, procurar outras formas de viver e ser não é apanágio desta alma inquieta que há uns anos anda por aqui.

Fazer, só por fazer, não e nem nunca será a minha maneira de ser e de estar.

Quero sentir o que faço, o que escrevo, o que leio, o que quero encontrar.

 

A eterna descoberta de novos caminhos, outros objectivos, outra maneira de ver e viver a vida, impedem-me de estar por aqui durante uns tempos.

A minha vida é feita de momentos, de surpresas de imprevistos e aceito-os como sinais de que algo deve mudar e ser transformado.

 

Verificar que não consigo responder a quantos com carinho, dedicação e amizade que se foi solidificando, dói-me, não tem a ver com a minha maneira de estar e ser, é como se alguém conversasse comigo e eu não desse atenção e mostrasse desinteresse em ouvir, opinar, partilhar e sobretudo corresponder à amizade e carinho que tantos me devotam.

 

Portanto meus amigos, vou escancarar a porta deste meu canto, mas as minhas visitas essas continuarão com a assiduidade que me for possível.

Não quero esquecer ninguém e todos terão neste canto um lugar especial cheio de afecto, cumplicidade e palavras amigas e solidárias.

 

E já que as palavras escasseiam, as ideias se esvaem continuarei com a minha paixão de sempre no meu blog

 

EXISTE UM OLHAR.

 

Até sempre!

De volta a casa

Depois de alguns dias de ausência, eis que regresso de novo ao meu canto.

Limitada devido á distância, em visitar todos os que comigo partilham a escrita, o saber e as emoções, quero agradecer a todos os que participaram no Desafio em Cadeia, enviando textos maravilhosos, e também aos que deixaram aqui através de comentários, o apoio, as palavras sempre simpáticas e muitos sorrisos.

Chegou a hora de deitar mãos á obra e de publicar tudo o que de bonito transmitiram sobre o valor do sorriso.

Deixem que dê por aqui uma arrumadela e que coloque em ordem ideias e me recomponha de uma maravilhosa viagem, mas que nem por isso deixou de ser cansativa.

Prometo não demorar.

 

Quando as palavras deixam de se ouvir

Saudade

 

Saudade é solidão acompanhada

é quando o amor ainda não foi embora

mas o amado já.

 

Saudade é amar um passado que ainda não passou,

é recusar um presente que ainda nos machuca

é não ver um futuro que nos convida

 

Saudade é sentir que existe o que não existe mais

 

Saudade é o inferno dos que perderam

é a dor dos que ficaram para trás

é o gosto de morte dos que ainda continuam

 

Só uma pessoa no mundo gosta de sentir saudade

Aquela que nunca amou

 

E esse é o maior dos sofrimentos

não ter por quem sentir saudades

passar pela vida e não viver

 

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido

 

Pablo Neruda

O silêncio das palavras.

Fogem as palavras para lugares recônditos, escondem-se de mim, fingem ser o que não são e dizem aquilo que não quero.

Passeiam-se aos ziguezagues diante dos meus olhos. Corro atrás sem conseguir apanhar aquelas que escolho para cada dia, para cada emoção, para cada sorriso. Troçam da minha incapacidade de as saber escolher e amontoam-se, misturam-se, mudam de cor, refugiam-se em corredores escuros e estreitos onde não se vislumbra um fio de luz. Tacteio desesperada sem as encontrar... alegria, brilho, saudade ...que ilusoriamente vislumbro numa fresta por entre reticências. Procuro a exclamação, interrogo-me...onde estará esse ponto das perguntas, que me deixa sem respostas?

Abandonado a um canto. o único que ficou talvez por pena de mim e deixou que o agarrasse...coloquei-o aqui, mesmo no fim.

Saí devagarinho...ficou apenas o silêncio das palavras.

 

   

Até logo!

 

 

 

 

A mala está aberta no meio do quarto... em cima da cama montinhos de roupa; sapatos, chinelos, as sapatilhas, os chapéus...tudo está espalhado. pelo chão...é a confusão geral!

Surgem sempre as mesmas dúvidas quando vou viajar...será que levo roupa a mais?...ai, não, melhor sobrar que faltar...e o peso? E se vier uma noite mais fresquinha...melhor levar um casaco...ah... aquele vestido ali ...fica-me tão bem...e não pesa muito... não me posso esquecer dos chapéus...ocupam tanto espaço, mas vou precisar deles, calor não vai faltar.

Revejo pela vigésima vez a lista de coisas que não posso esquecer, entretanto acrescento mais algumas...pequenas coisas que as mulheres gostam, mesmo que nem cheguem a precisar delas...a bijouterie, os cremes, os lenços, perfume...enfim...amanhã voltarei a pôr e a tirar e só quando não poder adiar por mais tempo, aí sim...fecho a mala.

Uma coisa muito importante não quis deixar de fazer...justificar a minha ausência.

Durante alguns dias e com muita pena minha, não poderei estar por aqui...talvez uma escapadela de vez em quando me permita pelo menos ler o que escrevem e continuar a saber um pouco de vós. Nunca imaginei que ter um blog fosse uma forma de estar perto, de comunicar, de aprender, de criar elos, de desabafar, de rir...uma partilha constante de emoções e conhecimentos! Esta para mim é uma enorme família  que gosto de visitar, de sentir, de prescutar o que de mais profundo vai no coração de cada um, uma família unida pelas palavras, palavras que tantas e tantas vezes, como que por magia surgem na hora certa, que são conforto, ânimo, incentivo, coragem... e que muitas vezes, são  a única coisa bonita no dia de alguém.

Vou ter muitassssssss saudades!

 

 

 

Ah...não posso esquecer o meu caderninho, quero registar os momentos mais importantes...depois conto a minha aventura na selva.

Até logo.

Danças?

-Danças?

Olhou-o surpreendida, não estava á espera de um convite tão rápido.

O baile tinha começado há pouco. Ficaram admiradas por ter sido ela a primeira a ser convidada, não era a mais bonita, nem a mais bem vestida...tinha  sim qualquer coisa especial, inexplicável, uma energia e um sorriso que marcavam a diferença.

O salão de festas estava apinhado.

Rapazes e raparigas olhavam -se  veladamente, disfarçando a timidez, ganhando fôlego para convidar a miúda que mais os cativava.

Ele era alto, magro, olhos pretos, um bigode que lhe dava um ar mais velho, respeitável. maduro, muito diferente dos outros com figuras mais acriançadas.

-Que sorte tiveste...tão giro!- diziam as amigas com uma pontinha de inveja.

Sorriu, encolheu os ombros e não deu importância.

Com tanta rapariga bonita no salão, não esperava que ele a convidasse de novo. Enganou-se, voltaram a dançar, uma e outra e outra vez.

Tinha de regressar, marcaram-lhe hora para chegar a casa. Já sabiam os nomes um do outro e na despedida ele perguntou:

- Posso ir buscar-te quarta feira à escola?

Os dias passaram lentos, mais do que  era costume...

- Será que ele aparece?- pensava... duvidando.

Passearam pelas ruas da cidade. entraram numa pastelaria e lancharam... a conversa continuou. De início banalidades , ambos á procura de um ponto em comum...de algo que pudesse dar continuidade áquele encontro.

E todas as quartas feiras ali estava ele, ali estava ela, sem definirem trajectos, sem programarem nada.

Ele mais velho , falava de assuntos que ela não dominava, ouvia-o atenta, fixava o nome de autores que citava. Corria para a biblioteca e depressa devorou Nietzsche, Sartre, Bertrand Russel...e tantos, tantos outros.

Nas ruas da cidade, no banco do jardim, na mesa do café,  olhares mais atentos, poderiam descobrir dois jovens , que discutiam e comparavam acerrimamente, ideias, comportamentos, tendências...alheios a tudo, apenas embrenhados em temas que os uniam, que os mantinham presos e que lhes garantiam o próximo encontro de quarta feira. 

Pouco sabiam um do outro, era um pormenor sem importância.

Muitos encontros aconteceram, á mesma hora, no mesmo dia, em diferentes locais.

Passaram meses...ela foi de férias, quando regressou, os encontros  continuaram .

Aproximava-se o final do ano, daí a pouco tempo tinha de regressar, nunca lhe tinha passado pela cabeça  que um dia se teriam de  despedir...mal ela imaginava que isso nunca iria acontecer.

Naquela quarta feira no sítio do costume esperou por ele. Costumavam ser sempre pontuais. Passaram quinze minutos...vinte...meia hora...nada... olhou para outras esquinas, espreitou nas ruas vizinhas, inventou desculpas para o atraso, talvez tivesse perdido o autocarro...ou estaria doente? Sem um contacto, sem uma morada, sem nada onde pudesse agarrar-se para minimizar a angústia da espera, ali continuou...não soube por quanto tempo.

Naquele dia regressou a casa cabisbaixa, triste, amargurada, pior que a despedida era não saber o porquê da ausência, nunca o chegou a saber. 

Só muito tempo depois percebeu que ele nunca partiu. Passou a ser óptima aluna a Psicologia e Filosofia. De cada vez que expunha as suas ideias , que escrevia sobre sentimentos, emoções e comportamentos lembrava as quartas feiras de um ano qualquer e da despedida que nunca aconteceu, porque compreendia agora que nem sempre o " Adeus" era necessário, sobretudo para quem nunca tinha partido.

 

Kridaaaaaaaa???!!!

Margarida esperou que a última nesga de sol desaparecesse no horizonte, um momento que lhe provocava alguma nostalgia, sempre conviveu mal com as despedidas e ausências apesar desta ser bem diferente. Sabia que bastava esperar por um novo amanhecer que ele voltava e pensou quão curiosa é a natureza, que assume compromissos de regresso em troca de nada ; as flores reaparecem todas as Primaveras, as estrelas fazem-se presentes todas as noites, ininterruptamente e em ciclos perfeitos  a terra oferece-nos, em sítios aparentemente sem vida e após um Inverno desconfortável, a alegria e o cheiro de campos inundados de cor.

Embrenhada que estava nos seus pensamentos ,  quase se estava a esquecer de comer, não fosse uma dor fininha no estômago.

Um pouco mais atrás, uma esplanada, música e o burburinho de pessoas , fê-la pensar que ali podia estar o sítio ideal para comer qualquer coisa e terminar o seu dia da melhor forma.

Quando se aproximou, viu com algum desânimo que a esplanada estava cheia, no entanto por detrás havia uma sala enorme completamente vazia. Na porta que dividia estes dois espaços, três funcionários conversavam animados, tudo estava controlado, os clientes todos servidos.

-Por favor, posso jantar? - perguntou.

-Só se esperar, estamos a servir este grupo, talvez daqui a três quartos de hora estejam despachados - disse um deles com ar de satisfação, daqueles que adoram dizer que não.

-Mas a sala está vazia, eu não me importo de comer ali dentro.

-Ai kridaaaaaaa, não pode não, não temos quem a sirva.

Margarida , não queria acreditar...Kridaaaaa?! Ele disse Kridaaa, mas que é isto?!!! Desde quando se tratam as pessoas assim? Detestava que certos termos que deveriam ser utilizados em contextos apropriados, fossem profanados e banalizados daquela forma.

Semicerrou os olhos, fitou-o com algum desdém e antes de virar costas respondeu.

-Espanta-me não haver ninguém para servir, afinal o que está o senhor aqui a fazer? (acentoou bem a palavra senhor).

Margarida nem chegou a ver a reacção dele, mas isso já não tinha importância. Será que tinha sido suficientemente clara para que ele entendesse a incorrecção do tratamento?

No dia a seguir voltou ao bar, felizmente o "Krido" não estava lá.

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