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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

O que queremos pode não ser o melhor

 

Quando insistimos em repetir padrões que nos deixam infelizes, quando o coração julga ter feito a melhor escolha, quando há uma vozinha que nem sequer queremos ouvir, sussurrando baixinho que não é por ali o caminho, quando se insiste em viver de olhos toldados por lágrimas, alternados por precários momentos de alegria, que ilusoriamente cremos serem esses os verdadeiros, vive-se na esperança de que amanhã será melhor, que tudo vai mudar do jeito que nós idealizámos, pintando a realidade de cores alegres, nada condizentes com o que experienciamos.

 

E um dia, já fartas de sofrer, em que se esgotam todas as capacidades de argumentação de um coração que foi feito para amar e não para pensar, um dia, dizia eu, acorda-se e como que por magia e tudo começa a ficar mais claro e o discernimento nunca antes conseguido, dá lugar a uma força inexplicável, vinda sabe-se lá de onde, mudando o rumo dos acontecimentos.

 

Aprendemos com o sofrimento, com enganos e desenganos, com mentiras e mágoas, com lágrimas e sorrisos e por mais incrível que pareça aprendemos que:

Quando as coisas não acontecem como a gente quer, é porque vão acontecer outras melhores do que a gente pensa.

 

Puxa, mas era preciso sofrer tanto para chegar a esta conclusão?

 

 

publicado às 22:11

O Caminho

Por vezes o que nos dizem que está mal é um agrilhoamento para a nossa criatividade, espontaneidade e visão das nossas potencialidades.

Somos a diferença e ela só se concretiza se ousarmos, se conseguirmos ver mais além do que nos foi incutido.

Cada um tem o seu próprio caminho e cabe a cada um de nós percorre-lo sem medos, sendo pioneiros de uma forma de estar e de ser de acordo com aquilo que pensamos , somos e sonhamos.

 

publicado às 13:38

22 de Agosto de 2008

Sentou-se em frente da estante...uma a uma foi abrindo gavetas e tirando papéis da prateleira.

Já passou um ano...chegou a altura de se desfazer de lembranças que preencheram a sua vida durante trinta e quatro anos.

Lentamente foi abrindo envelopes, desfolhando documentos, enquanto visualizava cada momento...tantos momentos!

Planificações, sumários, planos de actividades, actas, relatórios... foram sem cerimónia, directamente para o caixote do lixo.

Chegou a parte mais difícil, a que lhe tocava o coração. Sem pressa foi desdobrando   pequenos bilhetes, poemas, desenhos, histórias...

Lê comovida  frases que lhe foram dedicadas, escritas em papelinhos coloridos enfeitadas com florinhas. Olha para o desenho do menino que não tinha jeito para escrever, e que encontrou uma forma de demonstrar o quanto gostava dela..."Gosto muito de ti professora!...Francisco".

Os olhos percorreram a letra dos muitos poemas que lhe ofereceram, caligrafias perfeitas, adornadas com pássaros , flores e o sol...sempre o sol, e por baixo..."Para a minha professora, com um beijinho da Catarina"

 Bilhetinhos minúsculos, enfeitados com corações que foram interceptados no meio de uma aula ..."Amo-te Joana.", ou "...és muito bonita Sofia." e outro, "...gosto muito da tua camisola Gonçalo...", foram saindo do pequeno envelope acastanhado.

De vez em quando recostava-se na cadeira e de  olhos semicerrados, sem fixar ponto algum, ia lembrando aqueles rostos  vivos, meigos, tristes, marotos...as brigas, as brincadeiras no recreio, as queixas dos mais sensíveis, as vozes de comando dos mais arrojados, o choro dos que eram alvo de algum pontapé, de uma escorregadela, de uma bola que acertava em cheio na cabeça de algum, das calças rasgadas de quem se atreveu a subir às árvores, das canções de roda, dos teatrinhos improvisados, dos baloiços que não paravam, das canções de roda...

Retomava vagarosamente a difícil tarefa de se desfazer de um passado que não poderá apagar, porque será impossível para quem trabalhou com crianças ignorar o amor e o carinho que recebeu ao longo dos anos.

Os papéis,  irão para o lixo, mas as emoções essas ficarão bem guardadas no seu coração.

De repente uma última folha cai no chão....

 

 

publicado às 18:41

Um mapa, um destino, uma vida...

 

O primeiro choro ouviu-se ás sete horas e trinta minutos de um dia quente de Agosto. Era uma menina, a primeira da família.

O Sol apareceu no horizonte e aqueceu os corações de todos os que a envolviam com carinho e atenções.

Á medida que ia crescendo foi conhecendo o seu pequeno mundo, longe de saber ainda, que para lá das colinas, do ribeiro, dos pequenos caminhos  da aldeia , haviam outros mundos e outras gentes

À noite olhava encantada para o céu e entretinha-se a descobrir estrelas novas.

A Lua passou a exercer nela um fascínio especial , desde que lhe contaram que se olhasse bem para ela podia ver um velho com um feixe de lenha ás costas; quando o descobriu ficava com imensa pena da pobre criatura que o destino quis que eternamente carregasse tamanho peso.

Mais tarde conheceu Vénus, a Ursa Maior , a Menor e muito cedo aprendeu a distinguir as estrelas dos cometas.

E todos os dias, o mesmo Sol que a tinha visto nascer, apagava o brilho das noites estreladas e aquecia as suas faces rosadas.

Se o céu era tão grande, porque seria tão pequenino o mundo onde tinha nascido? Pensou então que talvez pudesse arriscar e tentar ver para além do que a sua vista alcançava. 

Primeiro a medo, mas pouco a pouco mais arrojada , foi viajando   para sítios mais distantes e sempre com  vontade de ir cada vez mais longe. Ficava descansada , quando a noite chegava e via as mesmas estrelas que brilhavam na  sua aldeia  e que o sol todos os dias aparecia.

Tão distraída andava nas suas viagens que um dia se sentiu perdida. Ficou assustada, olhando para todos os lados, apenas tinha a companhia dos pequeninos pontos de luz que incansávelmente reluziam em noites claras.

Vendo-a tão perdida, alguém se ofereceu para ajudar. Estranhamente confiou e numa tarde ensolarada ficou a conhecer um mapa muito estranho e diferente daqueles que estava habituada a ver. Tantas linhas, sinais, desenhos minúsculos, símbolos que para ela não tinham qualquer sentido. Olhar para aquele estranho mapa não lhe aliviou a sensação de desorientação que estava a passar, mas uma conversa calma , num ambiente tranquilo, fez com que finalmente pudesse vislumbrar um pouco de luz.

Com voz meiga e tranquila a pessoa que agora lhe tinha oferecido o pequeno mapa disse:

- Minha filha, todos temos de fazer uma viagem, ela começa quando nascemos e termina quando morremos. Podemos viajar de duas maneiras, uma sem mapa, corremos o risco de nos perdermos  mais facilmente, mas chegamos, outra, com mapa, o que torna o percurso mais fácil. De uma coisa podes estar certa-continuou - com ele ou sem ele, tu tens sempre a posssibilidade de escolher o teu caminho.

Ela ouviu-a atentamente e pediu-lhe para a ensinar a interpretar todos os sinais que apareciam naquele pedaço de papel.

- Vou ensinar-te apenas o que acho importante para que não te percas, o resto terás de ser tu a descobrir.

Colocou de novo o mapa num envelope, entregou-lho e afastou-se.

Mais tarde no silêncio do seu quarto  abriu o envelope e reparou num minúsculo papel, que se apressou a ler.

"Quero que sejas ousada e ambiciosa, que deixes a terra onde nasceste  para que o teu campo de acção seja o universo".

Ficou sem saber o que pensar, aquilo que tinha acabado de ler ainda a deixava mais confusa.

Tudo parecia um enigma, daqueles que aparecem nos livros de aventuras.

Um pouco desolada, olhou de novo, agora com mais atenção e reparou que no meio de tantos sinais, apareciam também o Sol e a Lua, companheiros fiéis da seu caminho.

A partir desse momento soube, que por alguma razão, estrelas e planetas a acompanhavam desde o dia em que nasceu.

 

 

 

 

publicado às 00:22

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