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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Caminhos Cruzados

(Um rabisco meu)

Há muito que te cruzaste no meu caminho...ensinaste-me a andar, a falar, a sorrir, a ser!

 

E tu? Tu também passaste por mim, julguei que irias ficar, que me acompanharias, que partilharíamos muitos momentos de alegria, mas não...foi com uma enorme tristeza que me apercebi que não te tinha mais a meu lado. Contigo aprendi a ser forte e lutadora, hoje percebi que só  partiste, quando percebeste que eu tinha aprendido aquilo a que te propuseste.

 

Também tu passaste quase sem ninguém dar conta, mas eu, só eu notei a força da tua mão, quando de dedos entrelaçados, me  impediste de cair e me seguraste na altura certa. Pensei... oh como desejei que nunca mais, nem num só instante que a tua a mão se soltasse da minha...mas quase tão suavemente como chegaste...a tua presença se diluiu numa noite triste de Março.

 

 Há quem me tenha ensinado a suportar a dor,  a aceitar  desafios, a tolerar as injustiças, consciente de que só assim poderia evitar que um dia cometesse as mesmas loucuras a que fui sujeita e prometi que jamais infligiria a ninguém a dor que tive que suportar: Permanecemos demasiado tempo na mesma rua  e quando eu tentava, desejava, lutava com todas as minhas forças seguir outro percurso que não fosse o teu, tu...forte, agressivo, prepotente, seguravas-me... e um dia, fui eu, sim só eu, que num relampejo de coragem que eu julgava não possuir...corri, passei para o outro lado...pude finalmente partir.

 

E num Inverno gélido, quando eu pensava  que a solidão era minha companheira de estrada, reparei que alguém me fazia companhia, alguém que pensava estar tão só quanto eu...caminhámos em silêncio... para quê palavras? Tudo o que disséssemos não seria diferente do que já sabíamos. Mais tarde quando o frio se foi e o sol brilhou, ambos percebemos que talvez num outro Inverno nos voltaríamos a encontrar. 

Contigo aprendi que nunca ninguém está verdadeiramente sozinho.

 

Mas tu...sim tu meu amigo, tu que  meteste conversa comigo quando parámos naquela rua, tu disseste-me o que eu nunca queria ouvir, falaste das minhas manias, dos meus medos, apontaste os meus defeitos, olhaste-me com ar carrancudo e mostraste-me sem dó, aquilo que eu tanto desejava esconder. Ah meu amigo...eu sei que antes de atravessares para o outro lado, também sorriste comigo, e me ensinaste coisas que desconhecia até então...companheirismo, cumplicidade, respeito, lealdade. Quando te foste , fiquei a saber avaliar o valor da verdadeira amizade.

 

E quando caminhei naquela rua ladeada de árvores frondosas e de grossos troncos, onde pássaros cantavam,  apareceste tu...tive a ilusão que desta vez alguém me seguiria, que caminharias a meu lado, não haveriam desvios, não vi cruzamentos, a estrada era a perder de vista, não existiam saídas nem atalhos e quis, mesmo sabendo que me estava a enganar, que nunca, mas nunca mais, iriam existir caminhos cruzados.

 

 

publicado às 22:53

Caminhos cruzados

 

imagem retirada da net

 

Sentou-se na esplanada em frente ao mar, pediu um café e por ali ficou imersa em pensamentos.

Não tinha de ir para lado nenhum, ninguém a esperava, o tempo estava por sua conta.

Sabia-lhe bem passear o olhar por quem passava e por quem estava. Era comum nela, como se de passatempo se tratasse, tentar adivinhar os estados de alma das pessoas que por ali andavam.

Nada confirmava se as suas conjecturas silenciosas estavam certas ou erradas, mas também isso não era importante, nada alteraria o rumo natural dos acontecimentos.

Enquanto se perdia em divagações, pensou nas pessoas que se tinham cruzado no seu caminho... todas tão diferentes! Era essa diversidade que fazia com muitas vezes se interrogasse sobre a razão da passagem de algumas  na sua vida. A umas o tempo já tinha dado reposta, outras, apesar de muito tentar, continuava a ser uma incógnita o porquê da partida, da permanência ou da chegada.

Lembrou-se das que partiram e que deixaram saudades, algumas delas não voltariam mais. Aprendeu que nada nesta vida é permanente e guardava-as com carinho no coração, era o único consolo que sentia quando desejava ardentemente que nunca tivessem saído da sua vida.

Lembrou-se daquelas que tinham aparecido como relâmpagos que por breves momentos iluminaram o seu caminho, deixando-a a seguir mergulhada numa escuridão que julgou ser eterna.

Ah...e aquelas que deixaram marcas, que, mesmo sendo  dolorosas,  a transformaram na pessoa forte, tolerante e lutadora que hoje se orgulhava de ser... pelo menos sabia o que não queria, mesmo que voltassem a cruzar-se de novo, limitar-se-ia apenas a sorrir e sabia exactamente onde ficava o próximo desvio. 

Lembrou-se dos caminhos que trouxeram até ela, pessoas que a ensinaram a acreditar, a sorrir, a amar, a lutar, a perseguir os seus sonhos, a nunca desistir...dos que lhe pegaram na mão e que durante algum tempo caminharam lado a lado...chegou a pensar até, e de tão bem que a fizeram sentir, que seguiriam sempre com ela, que não haveriam desvios, que estariam sempre juntos...mas...como se enganou!

 

O homem sentado na cadeira ao lado continuava a ler o jornal, o casal  mais ao fundo, parecia esquecer que se conheciam há anos, os diálogos tinham-se esgotado... o grupo de raparigas, com risos estridentes, falavam do colega que todas desejavam conquistar, mas que ali em grupo não o queriam admitir, disfarçando com palavras  mais ou menos desdenhosas, alguns atributos que exageradamente substimavam.Mesmo ao lado dela um casal de namorados, de mãos entrelaçadas, olhavam-se... não eram necessárias palavras, os olhos eram o espelho da grande paixão que viviam...

Continuou durante muito tempo, sem saber quanto,  a vaguear com o pensamento, a tentar descobrir  porque estava ali, porque se cruzou com aquela gente.

No final do dia todos seguiriam  rumos bem diferentes, uns carregando o peso de uma vida sem sentido, outros sonhando com o amor eterno embriagados numa paixão que desejavam não tivesse fim.

 

Lentamente levantou-se... lançou o último olhar ao sol que no horizonte, embrulhado com algumas nuvens, se preparava para seguir a eterna e bem definida trajectória, de um percurso, esse sim sem desvios...também ele se tinha cruzado com ela naquela tarde.

 

 

publicado às 01:27

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