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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Pedaços de textos de alguns livros que gostei de ler - 1

Em todos os livros que vou lendo , encontro aqui e ali  textos dos quais gostei em especial. De vez em quando dou por mim a relê-los e a saborear os que de alguma forma mais me emocionaram. Então, por que não partilhar pedacinhos do que me encanta no mundo dos livros?

 

Hoje escolhi uma carta retirada do livro "O Ladrão das Sombras" de Marc Levy e diz assim:

 

Papá

 

Escrevo-te junto ao mar, onde a mamã e eu estamos a passar uns dias de férias. Gostaria que estivesses connosco, mas as coisas são o que são. Gostaria de saber notícias tuas, de saber se és feliz. Quanto à felicidade, para mim é coisa que vai e vem. Se aqui estivesses, podia contar-te o que me está a acontecer e imagino que isso me faria muito bem. Poderias dar-me conselhos. O Luc diz que já não pode mais com os conselhos do pai, eu, pela minha parte, sinto a falta deles.

A mamã acha que a impaciência mata a infância, eu gostava tanto de crescer, papá, ser livre para viajar, fugir dos lugares onde não me sinto bem. Quando for adulto, vou partir ao teu encontro, e vou encontrar-te, estejas onde estiveres.

Se daqui até lá não nos voltarmos a ver, teremos então tantas coisas para contar um ao outro que precisaremos de cem almoços para dizer tudo, ou pelo menos uma semana de férias apenas para nós dois. Seria formidável passarmos tanto tempo juntos. Adivinho que deve ser complicado e pergunto-me porquê. De cada vez quando penso nisso, pergunto-me também porque não escreves. Tu, papá sabes onde eu moro. Talvez respondas a este postal, talvez eu encontre uma carta tua quando voltar para casa, talvez venhas procurar-me.

 

Acho que estou farto de tantos talvez.

O teu filho que apesar de tudo te ama

 

 

publicado às 18:56

Carta de uma amiga

Este não foi um Verão fácil para mim, felizmente ele está a chegar ao fim, e em termos de saúde deixou muito a desejar, mas a falta dela tem como causas problemas que vamos somatizando e em que a nossa mente por vezes tão poluída arranja um escape e é no corpo que se vão reflectindo os nossos estados de alma, alertando-nos para que limpemos o velho para dar lugar ao novo, é  um tempo de renovação que passa por um processo doloroso , mas que urge ser  feito.

É nestas alturas que damos verdadeira importância aos amigos e que tomamos consciência da sua presença.

Num desses momentos menos bons e apesar de ser uma amiga distante, escreveu-me uma carta que há muito desejava publicar.

Vem aí o Outono, as tardes calmas , o cair das folhas velhas as tardes tranquilas, o tempo em que tudo parece desaparecer para voltar a renascer.

Achei ser este o momento oportuno para agradecer e reconhecer que os verdadeiros amigos se fazem presentes quando mais precisamos.

Hoje e como me sinto renovada, em que muitas folhas caíram, em que deixei para trás mágoas, apegos e ressentimentos, achei que seria o momento de publicar esta carta.

Dizia assim:

 

Amiga

Sei que algo te desanima, que estás triste, sei que andas a pensar demasiado na vida, sei que este período de Verão, é aquele que nos leva a sonhar, a desejar coisas, que nos olhamos mais no espelho, que prestamos mais atenção em nós, que nos expomos mais, que nos libertamos, que nos entregamos, mas que a rotina se instala e nada muda. Sei que te sentes só, apesar de tantos amigos á tua volta e pessoas que te adoram, sei que precisas de algo mais, para te sentires completa, sei que temos quase tudo, mas falta-nos o essencial. Sei que há momentos mais fortes que nós e desabamos. Sei que precisas desse tempo para dares a volta por cima e sei que vais conseguir sair desse sufoco...sabes porquê? Porque também sou mulher, porque também tenho desses dias, porque o Verão é apelativo e aviva memórias, porque apesar de feitios diferentes , de vidas diferentes, aspectos diferentes, nessa hora somos todas iguais, mas ainda bem que assim é, sinto orgulho em ser mulher e sinto-me privilegiada em ter essa força e por pertencer a esse grupo de pessoas, que escondem uma força bruta tão subtil. Conseguimos renascer das cinzas e continuar a labutar com um sorriso encantador. Conseguimos com um smples Click, acordar e olhar em volta, perceber o quanto a Natureza é bela...aquela flor tão perdida parece pequena, mas está lá, marcando presença imponente e bela no seu pequeno espaço, vivendo e usufruindo, daquele sol lindo, que a aquece naqueles finais de tarde.

Damos valor ás pequenas coisas, vimos beleza nas coisas simples, encontramos delicadeza nas coisas desalinhadas...estamos atentas aos pormenores, esses fazem pequenos momentos nascer, essas são as nossas vitórias, as nossas vivências, mesmo pequenas ou passageiras, são a NOSSA VIDA, aquela a que nos agarramos e naquela onde encontramos sempre motivos para sorrir, por isso amiga, fica atenta aos pormenores, eles estão lá, apenas tens que fazer CLICK.

 

O Click aconteceu amiga, foi a tua carta, a força dos meus amigos, aquela vontade férrea de não me deixar vencer pelo desânimo e ainda a força indomável que só nós mulheres possuímos.

Estou viva, o sol brilha de novo no horizonte, as ondas do meu mar continuam incansáveis a espreguiçar-se na areia e as noites de luar continuam a iluminar o que dantes parecia tão escuro.

 

Muito obrigada Isabel!

publicado às 06:58

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