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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Um fim de semana para recordar

 

Durante parte da semana andei agarrada á História, desfolhei manuais, consultei a net e os meus apontamentos de há uns anos atrás em que ensinei a muitos meninos de todo o país um pouco do passado da vila de Óbidos.

 

Fui surpreendida com um pedido para fazer este Domingo uma visita guiada, não a crianças, mas a cerca de quarenta adultos ligados a algumas corporações de bombeiros de diferentes partes do país.

Apesar de ficar atrapalhada, não tive coragem para negar o pedido e hoje lá fui, confesso um pouco a medo de confundir séculos, rainhas, arquitectura, nomes de monumentos e todas as histórias a eles associados.

 

Cheguei um pouco antes e dei uma última vista de olhos nas notas que levava na carteira.

 

Reuni toda a gente num local sem grande movimento e onde houvesse alguma concentração, não com o objectivo de conseguir que as pessoas ficassem a saber tudo, mas apenas para testar a minha capacidade de captar a atenção dos ilustres visitantes.

 

Gente simpática afinal, alguns com formação em História e ao longo do percurso fomos entrecortando a informação com assuntos de cariz pessoal.

 

Senti que ficaram satisfeitos e eu radiante por saber que não tinha perdido o treino.

Tiraram-se muitas fotos e no final foi obrigatório beber uma ginjinha em copo de chocolate.

Para acabar em beleza convidaram-me para almoçar  um belo cozido á portuguesa do qual já tinha saudades.

 

Amanhã tenho que dar o dobro das braçadas na piscina porque as calorias aumentaram já que no Sábado á noite fui a um aniversário e empanturrei-me com bolo de chocolate, para além de outras coisas, tudo bem regado, claro.

 

Há fins de semana entediantes , mas deste não me posso queixar.

 

publicado às 22:09

Vamos Adson....

"- Mas, mestre por que me fazes perguntas sobre as quais já sabes as respostas?"

 

Esta foi uma das frases que retive e que foi feita por um jovem de grande talento que faz parte do elenco do grupo Fatias de Cá, na peça " O Nome da Rosa" a que fui assistir este fim de semana no Convento de Cristo em Tomar.

Em duas semanas assisti a três peças deste grupo que tem uma maneira especial e diferente de fazer tatro. Fiquei fã.

Já começo a conhecer algumas caras que antes e depois de cada espectáculo se misturam com o público, sem vedetismos e que respondem a tudo o que quisermos perguntar.

Somos recebidos sempre com enorme simpatia, este fim de semana não foi excepção. Cada vez sei mais sobre como tudo funciona e fiquei boquiaberta quando um dos elementos  me contou que teve de decorar 26 páginas de texto em A4. 

Não conhecia o convento de Cristo, li o livro e vi o filme e pude agora ver de uma forma completamente diferente a representação desta obra magnífica de Humberto Eco.

 Percorri corredores e entrei em salas onde habitualmente os visitantes não têm acesso.

Íamos seguindo os actores, pelos claustros, cozinha, biblioteca, subindo e descendo escadas estreitas e em caracol e sete vezes nos sentámos no refeitório, em todas elas nos era oferecido algo para comer e beber,(muito comiam aqueles abades e nós também), começámos com nozes e passas, mais tarde um canja bem quentinha, enfim, sete iguarias todas diferentes, tantas como as mortes que iam misteriosamente acontecendo nesse convento sempre com os mesmos sintomas, língua e pontas dos dedos escuros.

É chamado ao convento um abade que ficou encarregue da investigação que era ajudado pelo noviço Adson. O suspense manteve-se sempre com diálogos por vezes bem humorados que quebravam o dramatismo da peça.

Finalmente o abade descobre que é Jorge o autor dos crimes e que colocou veneno num livro escrito em grego que defendia teorias que queria manter em segredo por pensar que as ideias defendidas por Aristóteles podiam alterar profundamente conceitos religiosos, como a noção de bem e mal, certo e errado... e nos derradeiros momentos Jorge, o abade assassino, diz no auge do seu desespero que se aquele livro fosse dado a conhecer deixava de haver medo, e passariam a existir sorrisos e que esses poderiam ser motivo para acabar com a fé.

Sou uma mulher de fé e não pude deixar de sorrir quando o ouvi.

Depois de tudo desvendado assistimos a um final apoteótico com os monges entoando um cântico ao redor do claustro. Foi difícil acabarem porque os aplausos pareciam não ter fim.

Foram mais de cinco horas bem passadas que culminaram com um cafezinho e uma fatia de Tomar, onde actores e espectadores se misturavam mais uma vez

E venham mais Fatias de Cá que comemoram no próximo dia 8 de Outubro duzentas apresentações.

 

publicado às 09:12

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