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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Uma nova história

Abriu o caderno, uma página lisa, alva, parecia chamá-la, convidá-la e escrever, ou melhor a reescrever...não sabia o quê, nem para quem. Sentiu que naquele momento tinha duas opções, ou deixava que as palavras escorregassem ao acaso, ou simplesmente fecharia o caderno e tudo ficava como dantes.

 

Sorveu um gole de chá, ficou-se de olhar vago a contemplar, sem conseguir enxergar a ténue distância que a separava entre a realidade e o sonho. Aí residia o dilema..sonho ou realidade? Estaria disposta a continuar a viver na ilusão, a alimentar quimeras, a voar entre mundos de fantasia, a acreditar no que desconhecia, a inventar o melhor, a esperar o inesperado, ou teria coragem para recomeçar?

 

Dizia-lhe aquela voz interior que durante tanto tempo ignorou, que era chegada a altura de acabar com o que nunca tinha verdadeiramente começado, a confrontar-se com o que desconhecia, a apagar o que teimava crer que fosse real, recriando uma nova história, a sua verdadeira história.

 

Sentia que era chegado o momento de abandonar o sonho. A realidade estava demasiado entranhada em turbulentos sentimentos, incapaz até então de gerir e transformar.

 

Faltava-lhe a coragem, aquela força demolidora que conheceu noutras épocas e que a levaram a crer que era invencível, indomável, ousada e possuidora de uma tenacidade que a conduziam por caminhos tortuosos que a desafiavam e que lhe davam aquela pretensiosa satisfação de acreditar que tudo podia conseguir.

 

Naquele dia em que abriu a página em branco, sentiu pela primeira vez a sua fragilidade, a vulnerabilidade e a fraqueza de quem tomou pela primeira vez consciência, que a força que julgava possuir, era o medo atroz de ter de assumir que  tudo em que tinha acreditado durante tantos anos, acabava de ruir.

 

Lentamente pegou na caneta disposta a escrever sobre tudo o que até então se tinha recusado  admitir.

 

E começou...

Pela primeira vez decidiu deixar de parecer, para  começar a Ser.

A história dos quatro ventos

 

 

 

 

 

 "...A long long time agoo..." foi assim que começou, com voz grave e rouca o ancião de uma aldeia da Lapónia a contar a história dos quatro ventos ao nosso grupo, que abrigados numa tenda onde ao centro crepitava uma fogueira que nos mantinha quentinhos, aconchegados e muito atentos á história que ouvimos.

 

Conta-se que há muitos muitos anos era quase impossível viver em terras da Lapónia, porque os quatro ventos sopravam ao mesmo tempo provocando um frio e desconforto a todos os que habitavam naquela zona.

 

Um dia um Xamam, nada satisfeito com esta anarquia, convidou-os para a sua tenda; começou a entretê-los com algumas histórias e eles acabaram por adormecer. Então ele pegou no seu chapéu de cores garridas e atou cada um deles a um canto.

 

Quando acordaram, os ventos espernearam, sacudiram-se, praguejaram e imploraram para que os libertasse. Ele disse-lhes que só os libertaria com uma condição..deviam prometer soprar um de cada vez e em épocas diferentes.

 

Os ventos concordaram e como prova do pacto que tinham feito, o ancião prometeu que a partir daquele dia todos os Lapões usariam um chapéu daqueles.

 

Hoje não há loja de artesanato que não venda aqueles chapéus, bem coloridos e quentinhos.

Também comprei um que me deu um jeitão quando algum dos ventos soprava com mais força e aqui o conservo não vá um dia precisar dele quando fizer uma incursão a uma das nossas serras mais ventosas, que me farão lembrar aquela tenda perdida algures no Ártico onde o calor de uma fogueira, á mistura com o calor humano me recordará todo o frio que por ali passei.

 

Uma história com números

Estava sozinho, mas nem por isso deixou de fazer o que mais gostava. Preparou tudo para que as coisas acontecessem. Sentiu-se um pioneiro. Começou a abrir caminhos

Independente, sabia que só podia contar consigo e preparava-se para fazer acontecer. Era o número 1

 

Mais tarde apareceu o 2, amigo de partilhar, buscava a união através da diplomacia e de muita harmonia. Como gostava de trabalhar em equipa, juntou-se ao 1.Só faria sentido a sua existência se partilhasse objectivos e caminhos. Gostava do reconhecimento e de fluir harmoniosamente com tudo o que o rodeava.

 

O 3, criativo, expansivo, social, rico em dons artísticos e acreditando que só na interacção com os outros poderia expandir toda a energia e alegria de que era possuidor, apareceu para comunicar, expandir e fazer pleno uso dos seus sentidos.

 

O 4 apareceu para colocar alguma ordem, para criar regras, para trabalhar. Organizado, metódico e com algum apego aos bens materiais, fez uso da sua capacidade de trabalho, da perseverança, do sentido do dever e do sacrifício. Para ele nada era tão importante como o concreto, o material e era pouco dado a questões espirituais. Sentiu que era o sustentáculo do desenvolvimento.

 

Liberdade, liberdade, gritava o 5...amava-a acima de tudo. Era o aventureiro, queria saber e conhecer cada vez mais, porque sabia que era no conhecimento que residia a sua força. Era um eterno insatisfeito sempre á procura de respostas. Não se importava se tinha de romper com normas estabelecidas, rompia barreiras, deitava abaixo tabus, abalava convicções sociais e desmascarava hipocrisias. Impulsivo por natureza, violento por vezes, tinha consciência, que apesar de ser um elemento perturbador, era um arauto do progresso.

 

Estabilidade, afecto, responsabilidade, pois... tinha que existir um elemento que lutasse pela felicidade, desenvolvesse afectos, criasse raízes. A família, o grupo social onde nasceu, onde viveu, eram os pilares da sua felicidade. Estou a falar do 6, esse número que contribui para o bem estar dos que o rodeiam.

 

Ao contrário do 4, o 7 vivia para o espírito e para a interioridade. Era místico, intuitivo e agradavam-lhe os mistérios e o invulgar.

Amante da solidão, vemo-lo sozinho, longe do ruído e do bulício, tentando encontrar no fundo de si mesmo a serenidade que deseja.

 

Oh o 8, esse furacão...uma energia sempre pronta a explodir, capaz de transpor barreiras que parecem intransponíveis. Detesta rotinas, precisa de projectos novos, é um empreendedor. Cheio de força e perseverança alcança o seu poder material através da luta pelos seus objectivos. Sempre de sentidos bem despertos, usa-os com intensidade e vai conseguindo alcançar o que tanto ambicionou.

 

E neste grupo de números apareceu alguém que uniu através do amor, da compaixão e da abnegação. O 9, universalista por excelência, amando de forma incondicional, defensor da justiça, da generosidade e tolerância, ele sente-se feliz quando dá. Dá mas exige, não uma retribuição directa, mas uma evolução, um progresso e uma transformação. Não pede para si, mas para a humanidade em geral. Sente-se um missionário.

 

 

Hoje fazem parte da vida de cada um de nós, nem sempre os reconhecemos, mas estão presentes no nosso tempo, na nossa missão de vida, na nossa caminhada.

Com todos já vivi, já passaram por mim. Deixaram-me heranças e desafios.

Independente umas vezes, cooperante e partilhando tantas outras. Criei, inovei, ousei e entreguei-me ao trabalho, instalando alguma ordem na minha vida. Experimentei a liberdade sem libertinagem e ousei desviar-me do que era dado como certo em busca de algo fora de mim. Aquietei-me com afectos partilhados, sondei mistérios e recolhi-me, explodi, derrubei barreiras, persegui meus sonhos e hoje é dia 10 de Maio de 2010, um dia em que o 9 está presente, em que através das palavras, quero apenas dar sem nada receber em troca...quero apenas sentir 

 

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