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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

A janela do mundo

Estou na vida sem medos, sem fronteiras entre o meu espaço e o mundo, vivendo umas vezes de incertezas, outras de verdades comprovadas, outras nem por isso, mas consciente da imensa responsabilidade que se impõe, quando partilho momentos, olhares, emoções, desabafos, sorrisos e lágrimas.

Todos fazemos parte de uma gigante rede social que não é nova, nem foi inventada há meia dúzia de anos...vem de tempos imemoriais, onde vamos buscar todos os dias exemplos de valores e boa conduta ou vemos nos maus exemplos tudo aquilo que não queremos para a nossa vida. Tudo chegou através de livros, filmes, documentários e  hoje mais facilmente olhando para essa janela imensa que é a internet 

 

Hoje quando amiúde leio os alertas para os perigos da internet, com a proliferação das redes sociais, com avisos mais ou menos exagerados da invasão da nossa privacidade, com o desnudar da nossa vida, fico a pensar se todos estes avisos, não serão fruto de guerras económicas e de interesses financeiros. Vem isto a propósito das declarações do administrador do Google quando disse:“A internet é a primeira coisa que a Humanidade criou sem perceber o que fez, a primeira e a maior experiência de anarquia que alguma vez tivemos.

Fiquei sem entender porque chama de experiência anárquica á internet, quando se continuam a cometer atrocidades, matando e escravizando, pessoas, muitas delas sem nunca terem conhecido um teclado de um computador. Anarquia são os atentados ambientais dos quais ninguém quer assumir responsabilidades, anarquia são as diferenças abissais entre quem tem tudo e quem vive com quase nada.

Mais á frente e no mesmo artigo pode ler-se:

"Cerca de 600 milhões de pessoas descreveram-se, de alguma perspectiva, num perfil online. “É impossível apagar o seu passado online e seguir em frente”, escreveu, recentemente, um colunista do “The New York Times” citado pelo “The Independent”.

 Anda por aí uma preocupação exagerada em apagar passados...felizmente, mesmo sem internet, ninguém se preocupou em apagar as obras de Da Vinci, de Rembrandt, ou Monet...felizmente continua a ler-se a bíblia, o alcorão, ensinamentos de Budha e escritos de pessoas que ninguém quer esquecer.

Existem e sempre existirão exageros, com ou sem internet, sempre se conheceu a existência de espiões e detectives quer no nosso século, quer em tempos mais antigos, a virtude está no equilíbrio, mas temos que aceitar os desequilíbrios como fazendo parte da engrenagem deste mundo em que vivemos.

Apesar dos avisos, dos temores, do empolgar de situações que podem criar alguma apreensão, eu continuarei a deixar sem receio, nem preconceitos, um pouco de mim, a estar onde quero estar, a ser apenas eu e a deixar registos que o meu olhar vai captando respeitando esta mega rede social onde nasci e a repetir sempre que for necessário a frase de Confúcio:" Não te preocupes com os que não te conhecem, mas esforça-te para seres digno de ser conhecido"

publicado às 21:44

Internet..o que deu e o que tirou

Tenho á minha frente uma estante cheia de livros e enciclopédias com lombadas de várias cores e que hoje mais não servem do que para dar um colorido agradável á sala.

Durante anos fui comprando tudo o que achei necessário para me manter actualizada, para investigar e para me documentar sobre assuntos que a profissão exigia, ou que a minha natural curiosidade pedia.

Substitui o desfolhar dos livros, pelo teclado de um computador, provavelmente um dia alguém olhará para eles e nem saberão  que destino lhes dar.

Com a Internet passeamos pelo mundo, conversamos, participamos em debates, damos opiniões, programam-se viagens, fazem-se negócios, enfim..uma infinidade de coisas impensáveis há uns anos atrás.

É notícia em jornais e revistas o impacto que as redes sociais têm na vida de toda a gente. Falam-se nos lucros, da venda , investimentos ...

Por detrás de um teclado começam e acabam relações, marcam-se encontros, quem está sozinho procura companhia e quem tem companhia também a procura, fingindo que está sozinho. Felicitam-se os conhecidos e desconhecidos por mais um aniversário, comentam-se fotos, demonstra-se profundo pesar pelo falecimento de alguém que é amigo daquele amigo que está não sei onde e que faleceu não interessa como.

Escolhe-se o melhor local para ir de férias, marcam-se viagens, lê-se sobre os últimos acontecimentos políticos, o último escândalo, o tempo que vai fazer, da fatiota que estará na moda na próxima estação,da mais recente catrástofre ecolológica, do caos financeiro, da última greve, fala-se com a família e amigos que estão longe e minimiza-se a saudade.

Eu  continuo a escrever e de vez em quando olho para a minha enciclopédia Portuguesa Brasileira, que em tempos foi o meu "Google" e sinto saudades do tempo em que o cheiro do papel me entrava pelas narinas enquanto desfolhava cada página e é com o mesmo encantamento que hoje faço uma pesquisa por aqui.

Se não fosse um artigo que li há dias na revista Sábado, nem me questionava sobre coisas que deixei de fazer com o aparecimento da net.

Quem ainda se lembra de ter duas horas de almoço, sem ter de ir ver emails ou fazer a plantação na Farmville?

Quando foi a última vez que estivemos num café rodeados de amigos discutindo saudavelmente um determinado assunto?

E os álbuns de fotografias? Há quanto tempo estão arrumados e esquecidos por terem sido substituídos pelo Picasa, Flickr, ou Photobucket?

Há muito que não me lembro de receber na minha caixa do correio , outra coisa que não seja propaganda ou facturas para pagar.

Deixei de vaguear pelas discotecas á procura das últimas novidades musicais.

Jornais e revistas raramente compro, apenas me perco quando se trata de escolher uma boa leitura.

Não quero fazer passar a ideia que sou uma saudosista ou que gostava que deixasse de existir Internet, apenas quis lembrar algumas coisas que deixámos de fazer, eu algumas, outras pessoas terão deixado de fazer outras e concerteza existirão ainda outras para quem WWW, não significa absolutamente nada.

Há pouco tempo um vulcão fez parar meio mundo, imagine-se se de repente a Internet sofresse um apagão? ...não, não consigo imaginar!

 

 

 

publicado às 21:00

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