Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Não confundir!

Liberdade ou Vontade         

Honestamente, não percebo o que querem as pessoas dizer quando falam sobre a liberdade da vontade humana. Tenho a sensação, por exemplo, de desejar uma coisa ou outra; mas não consigo compreender a relação que existe entre esta sensação e a liberdade. Tenho a sensação de desejar acender o meu cachimbo e faço-o; mas como posso relacionar esta vontade com a ideia de liberdade? O que está por trás do acto de desejar acender o meu cachimbo? Outro acto de vontade? Schopenhauer disse certa vez: «Der Mensch kann was er will; er kann aber nicht wollen was er will.» («O homem pode fazer aquilo que quer, mas não pode querer o que quer»)
Albert Einstein, in 'Artigo (1932)'

 

 

Eu por exemplo, tenho liberdade para dizer o que penso, mas por vezes falta-me a vontade de dizer aquilo que quero!

 

Ser livre é...

Ser livre é não ser escravo das culpas do passado nem das preocupações do amanhã. Ser livre é ter tempo para as coisas que se ama. É abraçar, se entregar, sonhar, recomeçar tudo de novo. É desenvolver a arte de pensar e proteger a emoção. Mas, acima de tudo, ser livre é ter um caso de amor com a própria existencia e desvendar seus mistérios

(Augusto Cury)

A sensação de ser livre e de poder viver

 

 

Liberdade não é somente a sensação de estar livre, mas também, de se poder viver.

(Mário Pires)

 

A sensação de estar e ser livre sempre me acompanhou desde que me lembro de ser gente.

Nunca fui capaz de me prender a coisas, a pessoas e a objectos.

E lidas estas palavras, pode-se pensar em egoísmo, em solidão, ou numa vida em que mesmo as pequenas emoções me passam ao lado...nada de mais falso.

 

A minha liberdade, aquela como a sinto, como a vivo, como a sonho, é aquele momento em que me desprendo, que  me solto, que me evado da prisão de sentimentos alheios, de merecimentos, de cobranças, de pertencer a algo ou alguém que não seja o meu "eu".

 

Hoje cheguei a casa já a noite tinha caído. Acendi as luzes, fiz um chá e sentei-me, pensando no dia que foi inundado de emoções inesperadas e de acontecimentos nunca programados.

 

De repente ouço um restolhar estranho. Como tenho as janelas quase sempre abertas pensei tratar-se de algum insecto daqueles barulhentos e que se sentiu ofuscado pela luz...mas não...empoleirado no candeeiro da sala lá estava um passarinho.

 

Senti-lhe o medo, a desorientação que nesse momento foi tão grande como a minha.

-Que fazer para que ele encontrasse o caminho? Apaguei e acendi vezes sem conta o candeeiro e nada. Aproximei-me e assustado voou à toa contra os móveis, empoleirando-se aqui e ali. Por momentos cheguei a pensar no pior, não fosse um voo mais violento fazer com que caísse inerte nalgum canto da sala.

 

Devagar , muito devagar, com uma manta leve, deixou que o envolvesse e que lhe devolvesse de novo a liberdade.

 

Respirei de alívio e nessa altura vi confirmadas todas as minhas ideias sobre a vida e do modo de voar que quero para mim e para todos os que amo.

 

 

Foi no baile da paróquia

Sempre gostou de dançar e na época ir a discotecas , não era coisa comum e pouco recomendável para uma miúda de dezoito anos. Nunca enquanto esteve sobre a alçada dos pais lhe era permitido dar um pezinho de dança, a não ser quando se escapulia na sua bicicleta para o salão de festas na aldeia e dançava duas ou três vezes com um ou outro moçoilo que a convidava, regressando o mais rápido possível, com o coração aos pulos rezando para que ninguém lá em casa tivesse dado pela falta dela.

Um dia partiu e qual passarinho á solta sentiu-se livre e voou...voou.

Mal ela imaginava que em breve ficaria de novo engaiolada.

 

Ficou de coração aos pulos quando o viu pela primeira vez e num dia de S. Martinho de um ano qualquer ele, rapaz uns quantos anos mais velho de bonitos olhos verdes a convidou para ir ao baile da aldeia que estava em festa... rejubilou de contentamento.

O adro estava cheio de gente que rodopiava ao som da música de um conjunto que se fosse hoje era considerado pimba.

Pela primeira vez sentiu a liberdade na ponta dos pés e sem receios, com um sorriso de felicidade, toda a noite dançou agarrada a ele deixando-se levar pelos braços daquele que a surpreendeu nessa mesma noite com um pedido de namoro.

Ficou boquiaberta, mas no fundo era o que mais desejava, embora contrariasse a ideia de que só se prenderia muitos anos mais tarde, para que pudesse aproveitar a vida e gozar a liberdade que até então lhe tinha sido vedada. O coração falou mais alto e nem pela cabeça lhe passou que namorar já implicava uma outra forma de aprisionamento.

 

Passou um ano e coincidência ou não, precisamente na altura em que se comemorava o dia do mesmo santo onde tinha dançado no baile da paróquia, entrou na igreja pelo braço do seu pai e casou com aquele com quem viria a viver durante longos anos, demasiados, ou talvez apenas os necessários para reconhecer que estava na hora de reconquistar a liberdade perdida.

 

Hoje aninhada no seu canto vive livre e feliz fugindo de todas as aves de rapina que ousem aproximar-se, protegendo o seu coração, que de vez em quando lhe prega algumas partidas e palpita mais forte por uma ou outra ave que se aproxima.

 

Hoje de lareira acesa não haverá dança, talvez umas castanhas assadas e um copo de água pé.

 

 

 

Uma outra forma de amar

 

Não sei amar pela metade.

No meu coração não existe espaço para mais que uma pessoa, é um lugar pequenino  mas aconchegante, arrumado, tudo no seu lugar...a um canto está a fidelidade, noutro ao lado a cumplicidade, no meio o respeito e um tapete de carinho debroado com ternura que cobre este meu coração, onde o calor e paixão inflamam e aumentam o amor que sinto quando decido abrir as portas a uma pessoa, fechando-a imediatamente para que se viva em pleno e a dois, momentos que se querem de muita união, dedicação e verdade.

 

Há e sempre haverá corações mais espaçosos, onde cabe muita gente, onde o amor se divide e não me refiro á  infidelidade estou a falar de um novo conceito de amor, novo para mim, pelo que li aqui    e ouvi na RTP 2, é o Poliamor , um tipo de relação em que cada pessoa tem liberdade para manter mais que um relacionamento ao mesmo tempo. Não segue a monogomia como modelo de felicidade o que não implica porém, promiscuidade e quando se fala em promiscuidade surgem as minhas dúvidas, ou eu tenho um conceito diferente desta palavra ou ser promíscuo já tem uma conotação diferente.

Faz parte do imaginário  de muitos homens e mulheres experimentarem ter sexo com dois parceiros, eu disse sexo, não amor, então os Poliamorosos dormem a três e isso é amor?

Ele conhece-a, apaixonam-se, aparece outra, apaixona-se por ela, por sua vez ela apaixona-se por ela, elas por ele e temos um trio apaixonado.

Combinam partilhar o mesmo espaço e já estou a imaginar, jantarinhos á luz das velas a três, uma cama muito mais larga, bem... podem utilizar o chão da sala...pensam ir jantar a um restaurante especial, imagino-o no meio das duas de mão dada, miminho a uma, miminho a outra, elas sorriem, retribuem, tudo com a mais completa naturalidade.

Entretanto ele conhece outra pessoa:

-Queridas hoje vou encontrar-me com uma pessoa fabulosa que conheci.

-Vai querido - respondem - diverte-te e se quiseres trá-la um dia cá a casa.

Num outro dia, uma delas traz um outro rapaz lá a casa, simpatizam todos uns com os outros, bem... a minha mente perversa e promíscua já está a imaginar coisas.

Um dia elas resolvem excluir nessa noite, o parceiro masculino e embrulham-se as duas...serão lésbicas? Não são bissexuais.

Presumo que neste conceito de Poliamor não haverá lugar para homossexuais, ou são bi ou hetero..penso eu, posso estar enganada.

 

Talvez esta minha reflexão deixe no ar a ideia que sou retrógrada, mas não é isso que quero fazer passar, apenas quero perceber como é possível gerir o amor partilhado entre várias pessoas. Eram jovens os que participaram no programa, será que existirão pessoas mais velhas que praticam este tipo de relações? Se sim, onde fica o conceito de família? Haverá espaço para filhos ou objectivos comuns?

 

Depois de ler e reler este conceito houve uma frase que me levou a concluir que afinal também sou uma poliamorosa, quando li que:..."A ideia principal é admitir essa variedade de sentimentos que se desenvolvem em relação a várias pessoas, e que vão para além da mera relação física"...fiquei mais descansada, não estou muito a frente, nem muito atrás, porque consigo amar o meu filho, a família, os amigos...de fora fica naturalmente, a componente física a que a minha mente retrógrada não consegue chamar de amor.

  

 
 

Mais sobre mim

imagem de perfil

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D