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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Quando as palavras deixam de se ouvir

Saudade

 

Saudade é solidão acompanhada

é quando o amor ainda não foi embora

mas o amado já.

 

Saudade é amar um passado que ainda não passou,

é recusar um presente que ainda nos machuca

é não ver um futuro que nos convida

 

Saudade é sentir que existe o que não existe mais

 

Saudade é o inferno dos que perderam

é a dor dos que ficaram para trás

é o gosto de morte dos que ainda continuam

 

Só uma pessoa no mundo gosta de sentir saudade

Aquela que nunca amou

 

E esse é o maior dos sofrimentos

não ter por quem sentir saudades

passar pela vida e não viver

 

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido

 

Pablo Neruda

publicado às 09:32

O silêncio das palavras.

Fogem as palavras para lugares recônditos, escondem-se de mim, fingem ser o que não são e dizem aquilo que não quero.

Passeiam-se aos ziguezagues diante dos meus olhos. Corro atrás sem conseguir apanhar aquelas que escolho para cada dia, para cada emoção, para cada sorriso. Troçam da minha incapacidade de as saber escolher e amontoam-se, misturam-se, mudam de cor, refugiam-se em corredores escuros e estreitos onde não se vislumbra um fio de luz. Tacteio desesperada sem as encontrar... alegria, brilho, saudade ...que ilusoriamente vislumbro numa fresta por entre reticências. Procuro a exclamação, interrogo-me...onde estará esse ponto das perguntas, que me deixa sem respostas?

Abandonado a um canto. o único que ficou talvez por pena de mim e deixou que o agarrasse...coloquei-o aqui, mesmo no fim.

Saí devagarinho...ficou apenas o silêncio das palavras.

 

   

publicado às 23:24

Silêncio

Lá fora ficaram as montras, os devaneios, os sorrisos, a vaidade...banalidades que me acompanharam sem certezas de verdades.

Lá fora quem fui?... Menina?... Mulher?... Mentira?... Ou apenas um pouco de nada?

Agora cá dentro, quero desafiar o tempo, passar-lhe á frente, ignorá-lo, como se o tempo que tenho, não fosse aquilo que  resta.

Ficou  a noite... o despir de tudo o que fui.

Ficou o silêncio de um quarto, de um sonho desfeito, de um presente, de um momento, de um olhar, de suspiros, de saudade...

 

 

publicado às 07:40

Janelas

Tenho quarenta janelas

nas paredes do meu quarto.

Sem vidros nem bimbinelas

posso ver através delas

o mundo em que me reparto.

Por uma entra a luz do Sol, por outra a luz do luar

por outra a luz das estrelas que andam no céu a rolar.

Por uma entra a Via Láctea como um vapor de algodão

por aquela a luz dos homens pela outra a escuridão.

Pela maior entra o espanto pela menor a certeza

pela da frente a beleza que inunda de canto a canto.

Pela quadrada entra a esperança de quatro lados iguais

quatro arestas, quatro vértices, quatro pontos cardeais.

Pela redonda entra o sonho que as vigias são redondas

e o sonho afoga e embala á semelhança das ondas.

Por além entra a tristeza

por aquela entra a saudade

e o desejo e a humildade,

e o silêncio e a surpresa, e o amor dos homens, e o tédio

e o medo, e a melancolia

e essa fome sem remédio que se chama poesia,

e a inocência, e a bondade,

e a dor própria, e a dor alheia,

e a paixão que se incendeia,

e a viuvez, e a piedade,

e o grande pássaro branco,

e o grande pássaro negro,

que se olham obliquamente

arrepiados de medo.

Todos os risos e choros,

todas as fomes e sedes

tudo alonga a sua sombra

nas minhas quatro paredes.

Oh janelas do meu quarto

quem vos pudesse rasgar!

Com tanta janela aberta falta-me a luz e o ar.

 

(António Gedeão)

 

publicado às 17:40

Sem palavras

Faltam-me sempre as palavras quando mais preciso delas.

Fico de olhos bem abertos na esperança que eles possam dizer o que a boca não sabe.

Vezes há, que diga o que disser, tudo será insuficiente para  expressar o que sinto.

Gostava que, num passe de mágica, a voz se calasse e os desejos, os sentimentos , os sonhos, os projectos...aparecessem numa tela e não tivesse a tarefa inglória de fazer-me entender com sons que um dia inventaram e que sou obrigada a usar.

E se não dou a entoação certa quando quero dizer que amo, que tenho saudades ou que estou feliz?

E se em vez de sussurrar, sair um barulho mais ou menos desafinado e nada oportuno?

E se quiser dizer que estou triste sem parecer uma banda sonora entrecortada com acordes desafinados? 

E se pacientemente  quiser ensinar algo  e da minha garganta sair um som monocórdico que te deixa entediado e a pensar como te hás-de ver livre de uma prosa que não tem nada a ver contigo?

E se as minhas palavras não tiverem a cores com que gostava de pintar a descrição mais bonita de um lindo pôr do sol?

E se por acaso um dia trocar o porquê por mas, ou o não por talvez?

Resta-me a esperança de que um dia se perceba, que as palavras de carinho, ternura, amizade, amor, conforto, solidariedade...que não  disser, são aquelas que sempre  quis dizer.

Sem palavras.

                       

                             

publicado às 14:18

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