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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Infidelidade

Margarida nunca foi uma rapariga namoradeira e sempre sonhou encontrar o seu príncipe com quem casaria e que desejava fosse para toda a vida.

O que é certo é que com dezoito anos encontrou-o e foi amor á primeira vista. Sentiu que era aquele o homem que lhe estava destinado e passado um ano estava casada. Como num conto de fadas julgou que viveriam felizes para sempre.

Pouco a pouco foi constatando que os contos eram só imaginação e a realidade começou a ser bem diferente do que tinha imaginado.

Foi-se apercebendo através de sinais que a sua intuição feminina lhe ia dando, que a fidelidade do marido que tanto amava, estava longe de ser uma realidade, apesar de achar que o seu relacionamento era perfeito, o que a deixava confusa e sem explicação para determinados comportamentos. Resolveu confrontá-lo várias vezes e cedo percebeu que um dos truques usados por ele era passar ao ataque para se defender, ficando ela sempre sem argumentos e sem palavras que pudessem rebater o que o seu coração sentia; como resposta ouviu muitas vezes: " -Tens como provar que te sou infiel?"...não tinha, mas jurou a si própria que um dia as iria conseguir. Esse dia surgiu e destroçada agarrou em meia dúzia de coisas e partiu.

Este é um dos casos de infidelidade que me foram contados em jeito de desabafo, mas muitos outros podia aqui descrever.

Tenho ouvido ao longo dos anos muitas histórias de pessoas que foram traídas e outras tantas de quem traiu.

Aos homens cheguei a perguntar se o casamento estava assim tão mau que justificasse  uma traição, se pensavam em separação, mas a resposta era quase sempre igual: "-Não, de maneira nenhuma, amo a minha mulher e os meus filhos e não vou separar-me por causa de uma aventura". Das mulheres ouvi que tinham tudo...casa, carro, viagens, uma vida estável, dinheiro e que não iam trocar a estabilidade que tinham, só porque o maridos as traía.

E no ar ficava sempre a pairar a eterna interrogação:"- Então por que se trai?"

 

Vem isto a propósito da a opinião de um psicólogo que escreveu:"Nos casais que me chegam, a infidelidade surge quando a relação foi deixando cair várias coisas pelo caminho. Quando existe a infidelidade, é porque já existe uma brecha naquele casamento."

Estou em total desacordo com esta afirmação, não quer dizer que nalguns casos não seja verdade, mas pelo que ouço, pela experiência que tenho, pelo que leio, há infidelidade porque somos animais e os animais têm instintos e quando se coloca de lado a parte racional e se deixa á solta a irracionalidade as relações meramente sexuais acontecem. Ainda hoje sorrio quando me lembro de um outro psicólogo  me dizer  que para que uma relação desse certo as peles deveriam ser compatíveis, claro..é bem melhor passar a mão pelo pêlo fofo de um gato do que dum peixe escamoso, pode ser um factor importante , mas nada que um bom creme hidratante e bem cheiroso não possa resolver.

O ser humano não é monogâmico por natureza e os que o são, têm como base valores que lhe foram incutidos através da educação ou por aquela pequena frase dita no altar:"Juro ser-te fiel até que a morte nos separe..." facto que ainda vai tendo algum peso para que se suporte   e se trave qualquer impulso para viver uma ou outra aventura.

Do extenso artigo que li e reli neste post  no qual me baseei para falar sobre a infidelidade, muitos outros assuntos ficaram no ar e que gostava de rebater e analisar, não fosse a demasiada extensão deste post, mas pode ser que alguém o faça por mim.

 

Será que se trai só porque uma relação está desgastada?

Há amor numa relação extra conjugal? 

Deve confrontar-se o(a) traidor(a)?

O casamento pode ser revitalizado quando ambas as partes resolvem conversar e recomeçar?

Trair compensa?

Deve perdoar-se uma traição?

 

Enfim...este é um tema que tem pano para mangas e acredito que por muito que se fale ou se debata, continuarão a existir sempre affaires tanto por parte dos homens como das mulheres....falo de ambos os sexos, porque até há bem pouco tempo havia a tendência para culpabilizar só o sexo masculino, apelidando-os de mauzões, sem escrúpulos e sei lá que mais, esquecendo-nos que para que haja infidelidade há sempre dois ...homem e mulher.

Por aqui a minha racionalidade e valores incutidos, como o respeito, cumplicidade, amizade, fidelidade, partilha, honestidade continuam a fazer prevalecer o meu lado monogâmico...se calhar estou a deixar de viver grandes aventuras, mas consola-me o facto de me sentir bem assim, nem melhor nem pior que os outros, sem julgar ou condenar, apenas sendo eu mesma.

 

 

publicado às 20:55

A primeira traição

Alguém disse que passamos metade da vida a viver e outra metade a recordar, pois eu já estou na 2ª partemas recuso deixar de viver

 

Tinha 8 anos. Sempre detestei contas de dividir, simplesmente porque nunca consegui perceber porque se dizia.." ..em tantos quantas vezes há tantos.." ou porque tínhamos de acrescentar vírgulas e zeros, nada fazia sentido. Eu tinha de entender. Só muito mais tarde , já professora, percebi porque se diziam tais coisas e nunca permiti que aluno meu saísse sem perceber as contas de dividir, (hoje chamamos operações e não contas).

Antes de entrar na sala pedia sempre a alguém , para me deixar ver se as minhas divisões estavam bem feitas. Num desses dias uma das minhas colegas disse:

"_Vou dizer à professora que copiaste."

Comecei a tremer, nervosa, sem saber o que fazer, até que me lembrei de lhe prometer um postal que ela gostava muito, a troco do silêncio. Ela concordou e fiquei aliviada.

Chegou a minha vez de mostrar os trabalhos de casa.

De repente ouço uma voz : "_Professora , ela copiou as contas".

Eu não queria acreditar...ela traiu-me...

Mas o pior estava para vir. A professora perguntou se era verdade.

Vi lentamente a gaveta da secretária a abrir-se e sair uma régua. Aquele gesto durou uma eternidade, eu nunca tinha levado uma reguada, o coração parecia saltar, aquilo não estava a acontecer...

Desatei num pranto a que nunca ninguém tinha assistido e pedi:

"_Professora desculpe, prometo nunca mais copiar, por favor não me bata"

O silêncio era brutal, a régua foi colocada lentamente na secretária.

Não foram feitas mais promessas, a professora nada mais disse, ela percebeu o quanto tinha sido verdadeira a minha promessa.

 

Dias mais tarde, a minha mãe com um sorriso disse-me:

"- Gostei que tivesses pedido desculpa..."

Ela conhecia-me muito bem, sabia o quanto eu era orgulhosa, pedir desculpa era o que mais me custava fazer. Não deu importância á traição, ficou contente porque a filha tinha começado a aprender o significado da palavra HUMILDADE

 

publicado às 23:00

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