Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

A blogosfera ficou mais pobre

Nem sei como começar, simplesmente porque não consigo acreditar que ficámos privados da escrita, das fotos, da música do nosso amigo Rolando autor do blog Entremares. Resta uma obra que vou recordando ao relê-lo.

 

Há uns tempos dizia-me:-Manu o meu objectivo é editar um livro até ao final do ano e dizia aquilo com um brilho enorme nos olhos. Não consegui, mas todos os que admiravam a sua forma de escrever, não precisarão de livros, para relembrar e reler cada história, cada aventura, cada mensagem velada, cada desabafo....

 

Tantas histórias que tinham sempre um final feliz, ou um conteúdo pedagógico, ou mesmo uma reflexão!

Lê-lo é sempre uma viagem ao mundo do imaginário, que me envolve e me deixa pregada até às últimas linhas, esperando ansiosa o desfecho.

 

Homem polivalente que se desdobrava em múltiplas actividades, passando pelo ensino, informática, rádio, fotografia, etc, acrescendo a tudo uma enorme disponibilidade para os amigos.

 

Costumava dizer-lhe que ele era o padrinho do meu cantinho, porque a partir da altura em que me descobriu, imediatamente se abriram novas portas e foi sobretudo do Brasil que se fizeram notar as primeiras visitas.

 

Os seus comentários eram comovedores e ainda não o conhecia, já ele descobria quem era a verdadeira Manu, porque sabia ler nas entrelinhas e alcançava o que estava escondido atrás de cada palavra.

Relembro comovida um dos primeiros comentários que me deixou e sem me conhecer, fez o meu retrato fiel. Dizia ele:

 

"Quem é a Manu?
A Manu… vejamos… a Manu que escreve é uma pessoa espiritual, sem ser propriamente praticante de qualquer culto ou religião. Mas é espiritual, e pensa ou medita bastante sobre o assunto. E quando chega a uma pequena conclusão… lança um post, a pretexto de algo.
Querem uma prova? Já leram o "querida professora" ou o "Apenas sou" ou até o "Arrumando gavetas"? Ou o "inquérito", o primeiro post ?
Não leram? Ora essa… então façam favor de ler.
A Manu é muito selectiva nas pessoas com que se rodeia. Já foi menos, agora apertou bastante " a bitola". Mas descobriu ( coisas da vida ) que esta coisa do blog fez aparecer um universo paralelo, de pessoas paralelas, que mesmo de um modo virtual, conseguem ser estimulantes, interessantes… e que até partilham ideias em comum. Foi uma descoberta fascinantes ( isto sou eu a deduzir em teu nome, claro )

O post da transparência fez-me lembrar um pouco o grito do Ipiranga, quase que uma mensagem ao mundo virtual a dizer: Hey… tenham calma, que essa imagem de super-mulher, poderosa e eterno ombro para todos os males do mundo… essa imagem já a tenho lá naquele mundo real que vocês conhecem… não preciso da mesma imagem aqui… aqui eu sou só … a Manu, ponto final.

Pronto, terminei.
Esqueci-me de algo, desculpa.
Não te conheço… mas gosto bastante de ti. Como eu dizia quando era teenager " és uma pessoa e peras".

 

Continuei a minha busca pelos comentários que me deixou e encontrei um que se ajusta ao momento triste, que estou, ou melhor que estamos a viver a propósito do post "Antes que seja tarde"

Dizia ele:

Acredita... gostava de ter escrito muito do que escreveste neste post. Por ser verdade, por dizer - preto no branco - que o tempo urge, que não somos senhores de nada, muito menos do tempo.

E aí, lembrei-me de citar uma frase de um senhor que admiro imenso, e que creio que resume muito bem o que veio à alma, depois de ler o teu post.

" Quando o marido se despede da mulher e dos filhos pela manhã para ir trabalhar e só voltar à noite, deveria pensar que poderá ser a última vez que os está a ver. Ninguém é senhor do próprio destino"

O autor da frase é o Dalai-Lama."

 

Agora Rolando, deixa que me zangue um bocadinho contigo:

 

Nunca é tarde para te ler, mas é muito cedo para te recordar..não achas que partiste demasiado cedo?

Até sempre meu amigo, um dia quem sabe, voltaremos a rever-nos num local onde as estrelas brilharão e onde não haverá violência nem injustiça.

A vida ás cores

 Um rabisco meu

São os vermelhos que se misturam com o fogo  que arde sonolento em noites de Inverno, lembrando paixões acesas que logo se  esfumaram ao amanhecer. São vermelhos do coração que vibra com alegrias fugazes entrecortadas com soluços disfarçados de amarelos de Outono, onde a brisa suave de um entardecer, fez cair vagarosamente a esperança de brilhos que ficaram escondidos nas nuvens, um tempo que fugiu de um dia que  foi.

Restaram os contornos negros que emolduraram os brancos de luz que a medo espreitaram para logo se esconderem  envergonhados, por entre os azuis do mar, do  céu desejado e inventado.

Laranja de Sol que renasce naquela fria madrugada , envolvendo com abraço quente de aconchego ilusório um corpo dormente, inerte e vacilante entre verdes de esperança brilhando numa Primavera qualquer.

 

Salpicos de cor numa vida incolor.

 

mas....

Há o rosa de afagos, de sonhos vividos , de ternura espelhada no brilho dos teus olhos, são rosas suaves, como suave é o toque... qual seda envolvente em corpos  embrulhados em suspiros de prazer num noite de luar.

 

Uma vida com cor!

 

Tudo o que não me ensinaram

Os meus pais ensinaram-me a andar, pegaram-me na mão... desajeitadamente e aos tropeços dei os primeiros passos. Desviavam todos os obstáculos para que não caísse e diziam-me que não fosse por ali ou por acolá, os perigos espreitavam.

Comecei a andar sozinha, sabia que por detrás havia sempre uma mão estendida e isso dava-me uma segurança, que me fazia confiar e acreditar que eles estariam sempre por ali.

Mais tarde ensinaram-me a cuidar de mim e fizeram-me entender que deveria respeitar os outros, que devia estudar, cumprir todas as tarefas que iriam contribuir  para que conseguisse tornar-me numa pessoa de quem eles se pudessem orgulhar mais tarde, como se isso fosse a confirmação dos seus esforços e  sentissem que tinham cumprido a sua missão.de pais.

Veio a escola, a professora, os colegas...aprendi a ler, a escrever, a brincar, a partilhar...

Durante muitos anos aprendi aquilo que quiseram que eu soubesse, mas...o que nunca me ensinaram, foi como devia fazer para aprender a conviver com o sofrimento, com a dor , com a perda, com as ausências, com a saudade, com a mentira, com a traição, com a injustiça...

Não me ensinaram a descobrir quando me devia afastar de pessoas, que nunca me dariam motivos para sorrir.

Nunca me ensinaram a não amar quem não me ama, hoje tento amar mesmo sem ser amada, fazendo o meu exercício quotidiano para que consiga amar incondicionalmente.

Não me ensinaram a erguer depois da desilusão, a esquecer quem nunca se lembrou de mim, a perdoar erros irreparáveis, a esquecer mágoas, a conviver com a solidão imposta, a defender-me de agressões emocionais, a evitar a invasão do que melhor penso possuir, a minha identidade, o meu "EU".a minha auto estima e o respeito que tenho por mim.

Não me ensinaram como sobreviver depois de uma tempestade, nem sequer me disseram onde devia procurar refúgio, esconderam, não acredito que tenha sido de propósito, que o mundo que me mostravam era muito diferente daquele que iria encontrar um dia.

Se ao menos eu sentisse que quando estivesse em perigo tinha braços abertos para me ampararem!

Hoje não tenho pais, não tenho professores, tudo o que não me ensinaram, vou aprendendo, muitas vezes da pior forma, contudo, ainda me resta o melhor...  A VIDA.

 

Hoje aprendi a perdoar.

 

No palco

Como me engano sorrindo!

Desfilo com ar de felicidade como se a vida me desse  aquilo que esperei.

O palco é meu, única actriz, personagem que inventei, cenário de mil cores que transformo ora em nuvens tenebrosas, ora em azuis  trespassados por raios de sol.

Noite e dia piso altiva o espaço que criei, num dia criança, solta e feliz, noutro, mulher indomável e segura.

Baixo as luzes... na penumbra  passeio descalça, despida de tudo, coberta de nadas, ávida de ter, chorosa, triste e fragilizada por derrotas que não mostrei. Arrasto-me sentindo no corpo o peso de sonhos que guardo, de afrontas que sofri, de injúrias de enganos e desilusões. A escuridão não deixa que vejam as lágrimas que rolam pelos sulcos das rugas escavadas numa face cansada macilenta e sem brilho. Não podem ver, não quero que vejam, não quero que tenham pena.

O cenário tem que mudar, depressa me desfaço das lágrimas, das rugas, da escuridão, do negro...solto uma gargalhada, visto-me de cores que invento..sou aplaudida, depressa descubro que dramas , mesmo que reais, não agradam tanto como a felicidade fingida.

Atiro beijos, canto, rodopio,  até consigo que volte o brilho dos olhos. Por momentos  esqueci que estava no palco. 

Quando o pano caiu com ele caí também e perguntei desesperada: -Afinal quem sou eu?

Tarde demais

Perdemos tanto tempo a preocuparmo-nos com coisas mesquinhas que por vezes nos esquecemos de dar importância aos pequenos momentos:

Um sorriso

Uma palavra amiga que chegou na hora certa

Um telefonema inesperado

Uma mensagem que se adequa ao momento que estamos a viver

Um abraço sincero

Um elogio feito por quem nós menos esperamos

Um agradecimento por algo que fizemos desinteressadamente

Um convite para uma festa quando pensávamos que estávamos sozinhos

Um olhar de apreço

Um segredo partilhado...

Desgastamo-nos a lembrar aquele momento de outrora, a recordar histórias de um passado que já era, a chorar por um amor que aconteceu...ou então inventamos um amanhã que gostávamos que acontecesse, diferente da realidade que hoje temos.

Pensamos sempre que o futuro será melhor que o presente.

Futuro? Que futuro? Sei lá se estou cá amanhã, ou depois, ou daqui a um ano ou dois...

Adiamos constantemente aquele projecto que gostaríamos de realizar, a viagem de sonho, a reconciliação com o amigo que machucámos, inventando desculpas, ou porque não temos dinheiro , ou tempo, ou  são os filhos que precisam de nós, ou é o trabalho que nos absorve por completo.

E um dia, quando inesperadamente vemos partir amigos que não tinham tempo para dizer o quanto eram amigos, porque estavam absorvidos no seu trabalho, caiem para o lado e passam a ter todo o tempo do mundo, mas numa outra dimensão, num outro espaço, numa outra realidade que desconhecemos.

Sinto-me mal porque não tive tempo de lhes dizer o quanto a amizade deles era importante para mim e porque passei por eles e nem sequer lhes sorri. 

Hoje tarde demais.

 

Mais sobre mim

imagem de perfil

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D