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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

A outra parte de mim

Já tive muitos desafios na minha vida, já ultrapassei barreiras que pareciam intransponíveis, já tive êxitos e fracassos, já chorei, já ri, já concretizei a maior parte dos meus sonhos, mas de todos eles o maior foi ser mãe.

Não há sucesso profissional, nem riqueza maior do que aquela que  senti quando, pela primeira vez ouvi o seu choro, afaguei a sua pele, o embalei nos meus braços o aconcheguei no berço ou o amamentei. Parece ser o dia da mãe, pensarão...não, hoje é dia do meu filho.

Faz hoje um ano deixei aqui neste canto o muito do que senti, o quanto lhe quero, o quanto o amo. Gostava de o fazer pessoalmente, de dizer olhos nos olhos o que sinto e o que lhe desejo., de o abraçar e dizer "Parabéns Meu Filho!".

É o segundo ano consecutivo que não estou com ele neste dia. Não escrevo como se fosse uma lamentação, não estou triste nem amargurada por estar longe, porque sei que ele está bem, faz o que gosta, voa por esse mundo fora, aproveitando ao mesmo tempo que trabalha, para se divertir, conhecer outras formas de vida, outras culturas, outros países e continentes.

Já correu mundo, já viveu aventuras que partilha comigo quando chega, histórias fantásticas, momentos emocionantes acompanhados de fotos, muitas fotos e filmes.

Da Nova Zelândia falou-me do ambiente "Peace and Love", das paisagens virgens próprias de uma natureza bem preservada.

Da India ficaram-lhe imagens de gentes que apesar de pobres, são de uma simpatia e envolvência que seria impensável ver por aqui em situações idênticas.

O meu coração apertou quando em Cuba passou o furacão "Rita" e ele estava por lá.

A emoção fez-se sentir de uma maneira diferente quando numa operação em que transportava passageiros idosos de Caracas até Havana morre uma senhora a bordo.

Há bem pouco tempo teve de conviver com o clima de guerra que se vive no Afeganistão, em contrapartida há a recordação de situações surpreendentes que viveu no Kuwait, quando passeava com uma colega e em frente de um stand da Ferrari... lembram-se de pedir ao senhor que estava junto de um, se podiam fazer um test drive... - Concerteza - respondeu- o carro é meu, eu tenho muito gosto em vos levar. Ficaram de boca aberta sem saber o que dizer...e lá foram. O personagem era nada mais nada menos que o filho do ministro dos negócios estrangeiros do Kuwait. No dia seguinte convidou-os para ir a um centro comercial e disse-lhes para comprarem a roupa que quisessem, apesar da natural renitência, ficaram mais á vontade quando lhes disse que ganhava muito dinheiro, mas que gostava de o distribuir.

O primeiro Natal longe de mim, passou-o numa tenda lindíssima no meio do deserto a convite dos bombeiros do Kuwait.

No meu disco externo guardo centenas de fotos, onde o posso rever nas águas transparentes das Bahamas, Maldivas, Maurícias...nas paisagens geladas das ilhas Falkland, em grandes cidades...Nova Iorque, Sidney, Vancouver, Lima, Buenos Aires, Rio de Janeiro...

 

Hoje está em Cardiff (UK), devido á erupção do vulcão na Islândia, não pôde como estava previsto voar até ao Dubai, onde os 35º graus eram um convite sedutor para comemorar este dia. Haverá festa com calor ou frio. Por aqui eu vou vivendo um aniversário que apesar da ausência, me deixa com a sensação que serei uma mãe sempre presente.

 

Para estar junto não é preciso estar perto e sim do lado de dentro.

(Leonardo da Vinci)

 

Ontem tive o prazer de conhecer pessoalmente a Mafalda uma mulher fantástica que reflecte no seu olhar uma tranquilidade invejável e uma afabilidade e simpatia inesgotáveis e mais uma vez dou razão ao Jorge Soares quando um dia  num comentário escreveu que sempre achou que as pessoas que andam na blogosfera são pessoas especiais, modéstia á parte, eu acho que ele está coberto de razão.

Entre sorrisos, um delicioso arroz selvagem com legumes e camarão, uma fabulosa tarte de amêndoa, tudo regado com uma fantástica sangria de champanhe, fomos conversando... inevitável falar da blogosfera...falámos das nossas vidas, dos filhos, dos sonhos e....bom...hoje o que quero mesmo é dizer...Parabéns Mafalda!

Passam-se os anos, apagam-se mais velas, mas ficam maiores os bolos e melhores os amigos. Felicidades amiga!

publicado às 00:32

Afinal, o que é a pobreza?

No início de Outubro fiquei a saber que o meu filho iria estar longe de mim até 4 de Janeiro.

Já estou habituada ás suas ausências, mas esta seria a mais longa. Pensei no Natal, na passagem do ano, embora há muito esta época tenha deixado de ter o significado de outrora.

O destino levou-o até Kalicut na India e Jedah na Arábia Saudita.

As mensagens, os telefonemas e as fotos , iam minimizando a saudade.

Fui surpreendida com a notícia de que a empresa lhe tinha dado dez dias de férias.

Apesar do cansaço devido ás muitas horas de voo, tivemos de pôr a conversa em dia. Eu falei da minha viagem e ele das dele.

Da mala saiu um lindo Sari, onde me embrulhou entre risos e falta de jeito para pôr a preceito o fato que usam as mulheres indianas.

Como sempre houve muitas gargalhadas enquanto mostrávamos um ao outro as fotos e filmes que tínhamos trazido das nossas viagens.

As conversas que temos, além da alegria dos reencontros terminam sempre com uma parte séria e alguma reflexão. Falámos de pobreza... mas afinal o que é a verdadeira pobreza?

 

- Mãe, toda a gente sorri, todos são simpáticos, o funcionário do hotel com quem mais convivo, ganha 50 euros por mês, descansa apenas 3 dias e ainda nos convida para ir a casa dele beber um copo.

Nunca tive de abrir uma porta, não porque ser alguém especial, fazem isso a todos. O trânsito é um caos, (mostrou-me um filme que comprova isso mesmo), anda -se pela esquerda, pela direita, pela berma, não gritam, não barafustam, não dizem palavrões... e lá vão andando.

Entro num bar, peço uma cerveja, o copo é passado por água, não há detergente...é um luxo, se quero uma chamuça para acompanhar, vou ao carrinho de rua mais perto, e é-me dada uma com a mão, não há guardanapos, nem tenazes... a princípio pode parecer estranho, mas não estou ali para mudar hábitos, ou me adapto ou desisto, o certo é que continuo de boa saúde.

-Um dia resolvi sair sozinho até uma aldeia próxima... esgotos a céu aberto, as vacas que passeiam na rua e meninos...muitos meninos e meninas que assim que me viram, vieram ter comigo e me perguntaram de onde era. Quando lhes disse que era português , imediatamente me falaram do Ronaldo. Os sorrisos e brincadeiras continuaram, sem brigas nem agressividade.

 

- Filho...tal como tu e apesar de ter estado noutro continente, vi também gente descalça, mal vestida ( o que será andar bem vestido?), gente que andava sem pressa pela rua, que acenava de sorriso nos lábios á nossa passagem, que nos pegava na mão quando precisávamos, que nos ajudava, talvez com a esperança de receberem uns míseros schillings, mas que era isso para nós...comparado com a alegria e felicidade que víamos estampadas naqueles rostos?!

 

Esta tarde aproveitou para resolver alguns assuntos.

Entrou numa loja de uma operadora de telemóveis, tirou a senha, três funcionários... uma cliente a ser atendida... ninguém deu por ele, nem olharam sequer; passados alguns instantes um deles, sem levantar os olhos chamou...:-"22", como se a sala estivesse cheia de clientes.

Horas depois foi marcar uma consulta de oftalmologia, a funcionária que estava ao telefone a contar a alguém o que tinha feito no fim de semana, afastou ligeiramnete o auscultador e lá perguntou o que queria.

Consulta marcada para as dezasseis horas, chegou quinze minutos antes, foi chamado ás dezassete e trinta, isto numa clínica privada.

Mais tarde falávamos na falta de empenho, de entusiamo, de simpatia de pessoas, que apesar da crise de emprego que vivemos, parecem nem dar valor á sorte que têm por ainda terem onde trabalhar.

Não podemos deixar de comparar a realidade que se vive entre países que consideramos pobres e outro que não é rico, mas que teima em fingir que é.

Afinal, onde está a pobreza? Quem é mais pobre?

 

 

publicado às 01:01

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