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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Falando de Julieta

Depois de um mês ausente em terras brasileiras, voltei de novo ao meu canto.

 

Conheci família que não pensava que tinha, visitei lugares maravilhosos, usufrui da hospitalidade e alegria de todos os que me acolheram e sem dúvida vim mais rica.

 

Mas hoje  do que quero falar é mesmo da minha querida amiga Julieta do blog Reconstruindo Caminhos

Já não me lembro bem quando ela me visitou pela primeira vez, apenas senti desde o início que se tratava de uma pessoa especial.

 

Começámos a trocar emails e ficámo-nos a conhecer um pouco melhor.

 

Mal soube que eu ia ao Brasil disponibilizou-se de imediato para que nos pudéssemos encontrar em João Pessoa a cidade onde reside.

Tudo combinado e à hora marcada me esperou no hotel. Sentimos pena por termos  tão pouco tempo para ficarmos juntas, mas como não dependia de mim tivemos de nos conformar e tentar aproveitar ao máximo o tempo de que dispúnhamos.

 

Tenho por hábito fazer uma imagem sobre as pessoas que me visitam, não penso se é alta ou baixa, gorda ou magra, nova, ou de idade avançada, rica ou pobre; é sim através das palavras que tento perscrutar o que vai no coração de cada uma, imagino se são alegres, positivas, tristes ou magoadas, corajosas ou acomodadas, lutadoras e assertivas.

 

A Julieta superou todas as minhas expectativas e foi bom conhecer e partilhar um pouco das nossas vidas com uma das pessoas mais gentis que conheci.

A sua sensibilidade, gentileza, simpatia e disponibilidade comoveram-me.

Falava rápido como se sentisse que era pouco o tempo para tanto que tínhamos para dizer.

Passeámos no areal da praia que fica a dois passos do seu apartamento de sonho. Contou-me como é junto ao mar que lhe vem a inspiração para os textos bonitos e sentidos com que nos presenteia. Falámos da vida, das nossas vidas e sobretudo do nosso amigo Rolando que morreu tragicamente em terras brasileiras e da Libel, essa mulher cheia de energia e boa disposição que a todos dispõe bem.

 

Levou-me a conhecer tudo o que há de mais bonito na sua terra e saboreámos cada instante com uma avidez saudável de momentos, olhares e sensações que jamais se perderão no tempo.

 

O meu amigo Jorge Soares costuma dizer que as pessoas da blogosfera são especiais e nunca como hoje concordo com ele.

 

Muito teria ainda a dizer e a partilhar sobre esta grande alma e este coração enorme de Julieta, mas fico-me por aqui com o meu mais sincero agradecimento.

Obrigada Julieta por teres cruzado no meu caminho!

 

 

Casa de rainhas

                        Leonor                                    Isabel                    Catarina

-Óbidos foi casa de rainhas- dizia a tia Matilde, que resolveu levar os sobrinhos até Óbidos e contar-lhes algumas das "estórias" que ela conhecia tão bem.

- Casa de rainhas? Que quer dizer isso?- perguntava a Mónica, sempre curiosa, atenta e cheia de vontade de saber um pouco mais sobre a História de Portugal.

-Os reis quando casavam ofereciam às esposas esta terra como prenda de casamento..

- Ai, quem me dera ser rainha! -Suspirava a  Mariana, com aquele ar sonhador que lhe era tão peculiar.

- Pois, mas se fosse eu- dizia o Pedro com um ar reguila,  - se fosse rei, não dava esta terra tão bonita a ninguém, era o que faltava... ficava aqui no castelo com as aias e dava bons passeios pelas muralhas e jardins.

- Não penses que as rainhas não faziam nada, todas elas se preocuparam em transformar Óbidos numa terra onde as pessoas pudessem viver em boas condições- respondia pacientemente a tia Matilde.

- Ora tia...mulheres... o que é que elas podiam fazer?- retorquia o Pedro

- Tanta coisa...nem imaginas! Não posso falar-vos de todas, as que por aqui passaram, senão vocês cansavam-se de me ouvir. Vou falar-vos apenas de três: rainha Santa Isabel...

- A do milagre das rosas?-apressou-se a dizer a Bárbara, que era a mais velha do grupo  e quem sabia um pouco mais de história

-Sim, essa mesmo, foi uma das rainhas que mais tempo passou em Óbidos. Era muito bondosa, amiga dos pobres e doentes e quando  aqui esteve, haviam muitos leprosos que eram expulsos para bem longe, para não contagiarem ninguém. Viviam em péssimas condições. A rainha santa  logo tratou de mandar construir um hospital, moradias e uma capela, para que eles pudessem viver dignamente.

Ao mesmo tempo que ia falando, a tia Matilde ia apontando o local onde tudo tinha sido construído.

-Mais, mais, conta tudo!- pedia a Inês com grande entusiasmo.

A tia, contente, por sentir o interesse dos sobrinhos, continuou cada vez  mais empolgada a contar mil e uma peripécias que a enchiam de orgulho e satisfação podendo assim  reviver o tempo que passou a contar a milhares de meninos que vinham de vários pontos do país a "estórias" da História desta vila encantada.

Quando lhes disse que D. Leonor veio pela primeira vez a Óbidos para chorar a morte do seu único filho, Afonso, que morreu afogado, tendo sido mais tarde encontrado por uns pescadores e entregue á rainha envolto numa rede, as crianças soltaram um " ..oh...coitadinha!" e um silêncio incómodo, instalou-se durante alguns instantes.

O dia estava quente, Matilde levou os miúdos para debaixo de uns plátanos, onde se podiam sentar e continuar a ouvi-la.

- Tia...tia...que arcos são aqueles?- Perguntou Catarina, a mais nova do grupo.

- É um aqueduto, querida, por cima daqueles arcos passava água que vinha  duma aldeia que fica pertinho daqui. Foi a rainha D. Catarina d`Áustria que o mandou construir.

- Catarina?! Uau...o mesmo nome que eu! - exclamou a pequenita, endireitando as costas e dando ares  de grande importância.

- Mas não fez só isto, mandou construir um chafariz onde ia ter a água que passava no aqueduto, para que as pessoas pudessem ter outros hábitos de higiene.

-Daqui a pouco paramos lá e podem beber água.

- Ainda bem- responderam em uníssono- temos tanta sede!

- D. Catarina foi das rainhas que mais trabalhou em Óbidos, apesar de ter tido pouca sorte.

Teve nove filhos e morreram todos muito novos, ficou sem  nenhum, apenas com um neto.

- Noveeeee? Tantos!- exclamou a Mariana.

- Não sabes que naquele tempo não havia medicamento para fazer parar os bebés?- disse muito segura de si a pequena Catarina, pensando que estava a dizer uma grande verdade.

Os primos soltaram uma enorme gargalhada, a tia virou a cara para disfarçar um  sorriso. Mudou imediatamente de assunto e sugeriu uma paragem para comerem um gelado.

- Vamos hoje ao castelo tia? -perguntaram

-Está tanto calor que acho que uma  banhoca na Lagoa ia saber muito bem, mas prometo que amanhã, ao final da tarde, voltamos; gostava de vos contar  a lenda da tomada do castelo, que acham?

- Fixe tia, boa ideia!- respondeu o Pedro enquanto os primos acenavam com a cabeça em sinal de aprovação.

 

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