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Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Cantinho da Manu

"Quando duas pessoas partilham um pão, cada uma volta com um. Quando partilham ideias, voltam com duas." (Buda)

Tudo passa tão depressa!

Tão bom viver dia a dia…
A vida assim, jamais cansa…
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência… esperança…
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas…

(Mário Quintana)
 

 

A sensação de ser livre e de poder viver

 

 

Liberdade não é somente a sensação de estar livre, mas também, de se poder viver.

(Mário Pires)

 

A sensação de estar e ser livre sempre me acompanhou desde que me lembro de ser gente.

Nunca fui capaz de me prender a coisas, a pessoas e a objectos.

E lidas estas palavras, pode-se pensar em egoísmo, em solidão, ou numa vida em que mesmo as pequenas emoções me passam ao lado...nada de mais falso.

 

A minha liberdade, aquela como a sinto, como a vivo, como a sonho, é aquele momento em que me desprendo, que  me solto, que me evado da prisão de sentimentos alheios, de merecimentos, de cobranças, de pertencer a algo ou alguém que não seja o meu "eu".

 

Hoje cheguei a casa já a noite tinha caído. Acendi as luzes, fiz um chá e sentei-me, pensando no dia que foi inundado de emoções inesperadas e de acontecimentos nunca programados.

 

De repente ouço um restolhar estranho. Como tenho as janelas quase sempre abertas pensei tratar-se de algum insecto daqueles barulhentos e que se sentiu ofuscado pela luz...mas não...empoleirado no candeeiro da sala lá estava um passarinho.

 

Senti-lhe o medo, a desorientação que nesse momento foi tão grande como a minha.

-Que fazer para que ele encontrasse o caminho? Apaguei e acendi vezes sem conta o candeeiro e nada. Aproximei-me e assustado voou à toa contra os móveis, empoleirando-se aqui e ali. Por momentos cheguei a pensar no pior, não fosse um voo mais violento fazer com que caísse inerte nalgum canto da sala.

 

Devagar , muito devagar, com uma manta leve, deixou que o envolvesse e que lhe devolvesse de novo a liberdade.

 

Respirei de alívio e nessa altura vi confirmadas todas as minhas ideias sobre a vida e do modo de voar que quero para mim e para todos os que amo.

 

 

Ausência

 

Hoje quero passar ao de leve pela vida, duvidar do meu eu, não ter consciência do momento e fugir da minha realidade. Quero vegetar irracionalmente e que as emoções me passem ao lado como se fosse uma brisa inofensiva que não deixa rasto.

Não quero lágrimas nem risos, nem sentidos despertos.

Quero que os olhos vejam sem olharem, quero semicerrá-los e não definir traços, contornos, cores...

Os ouvidos ficarão imunes ao som da música , do canto dos pássaros ou do barulho do mar.

Os meus braços desajeitados, flutuarão à deriva pelo meu corpo, sem encontrarem a solidez de um apoio, contorcer-se-ão, rodarão em movimentos desconexos e involuntários.

Quero planar acima da realidade,  que o corpo deixe de  ser. 

Quero ser embalada por uma lucidez irracional, ser envolvida, por um estado de semi inconsciência, um torpor e uma percepção indefinível de uma realidade recusada.

.Seduz-me esta fuga do real.

Os olhos que antes brilhavam com o nascer do sol, com o riso da criança, com a pequena flor que nasceu no meio do mato, a lua na noite calma, o mar em dias ensolarados, a pintura que está ali...deixaram de cumprir a missão de janelas para o mundo.

O conforto da ausência de emoções  é um estado ilusório de bem estar e de impunidade .

Observo lá do alto, alheia, imperturbável, intocável, saindo incólume de todas as agressões, gozando uma fuga que me atrai e que se confunde com a realidade. 

Sozinha...ou nem por isso?

Um bar, um bom petisco, o mar , fim de tarde, pôr do sol, música e amigos.

- Vens connosco ver o pôr do sol? Petiscamos e disseram-nos que vem um senhor tocar saxofone enquanto o sol se põe.

-Sério ? Não sabia...adoro saxofone!

- Então vais?

- Sim, claro que vou, a que horas nos encontramos?

-Nós só estamos despachados ás sete, por volta das sete e meia conseguimos lá estar.

-Ok, eu vou um pouco mais cedo para reservar mesa.

- Até logo , então...

-Xau...beijo

 

-Nuno...por favor, trazes-me uma imperial enquanto espero pelos meus amigos? Somos três.

 

"...Estranho...eles não costumam atrasar-se...O telefone..hum...

- Não podemos ir, faleceu a mãe de uma amiga nossa num acidente...desculpa..ficas chateada?

-Não, claro que não, tenho pena, mas compreendo, nós teremos mais oportunidades.

 

Comi sozinha..ou não?! Tive o sol, a música e o mar à mesa comigo

 

 

 

 

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